Música

Os anos 2000 e a reinvenção do rock

Quando se pensava que o rock já não tinha espaço para se reinventar, vieram os anos 2000. Novas bandas surgiram e o rock ganhou uma nova autenticidade. Os fãs deste estilo musical foram surpreendidos pelo aparecimento de novos artistas e de novos talentos que deram ao rock uma nova forma de expressão.

Linkin Park

Fonte: Divulgação

Formada em 1996, a banda de rock Linkin Park alcançou a fama internacional com o seu álbum de estreia, “Hybrid Theory” (2000). Esta banda marcou fortemente o rock dos anos 2000. Músicas como “In The End”, “Numb”, “Faint”, “Breaking The Habit”, “What I’ve Done”, “Leave Out All The Rest” são impossíveis de esquecer. 

A banda alcançou o sucesso não só pela sua criação musical, mas também pelas letras quase literárias. As pessoas começaram a identificar-se com as canções e deixaram de sentir que viviam num mundo à parte de tudo. Quem ouve as músicas desta banda vê expostas as suas maiores fragilidades, as suas lutas mais íntimas e até as mais angustiantes.

Linkin Park via Youtube

Os Linkin Park sempre tiveram a capacidade de traduzir nas suas letras os sentimentos mais puros e os mais difíceis de contar a alguém. Desta forma, as músicas adquiriram uma forma de expressão não só para o cantor, mas também para os fãs da banda.

A própria voz do vocalista, Chester Bennington, possuía algo de libertador, de genuíno. Quanto ele cantava era como se conseguisse afastar não só os seus próprios demónios, mas também os de quem o ouvia. A voz do cantor marcou uma geração pelo poder e emoção que  transmitia. Após a sua morte, em 2017, o rock ficou sem um dos seus grandes representantes.

No entanto, as músicas são intemporais. A banda aborda temas com uma grande profundidade como a morte, a solidão, o medo, a incompreensão, o próprio sentido da existência. Estas músicas acabam por ser o desabafo interior de quem não consegue ter voz para falar sobre o que sente. 

Three Days Grace 

Fonte: Divulgação

Os Three Days Grace são uma banda de rock canadense formada em 1992, na cidade de Toronto, Ontário. Entre 2003 e 2019, o grupo  lançou 15 singles que ficaram no top da Billboard Mainstream Rock.

A banda também conseguiu, através da música produzida, ter um efeito na vida das pessoas. As letras criadas têm a capacidade de transportar aqueles que sofrem para uma dimensão menos dolorosa. São letras que merecem ser compreendidas, pois não reduzem o ser humano à simplicidade. Estas letras provocam reflexões. 

As consequências da solidão e da droga são alguns dos temas alvo de reflexão nas músicas criadas pela banda. O próprio nome da banda representa uma reflexão: “Se tivesses três dias para mudar alguma coisa na tua vida, conseguirias fazê-lo?”. 

Three Days Grace via Youtube

Todos os sentimentos provocados pela  música provam que esta tem um efeito muito maior do que apenas entreter. A música criada por esta banda tem também o seu papel na sociedade e talvez tenha ajudado muita gente a olhar para o mundo de uma forma menos dura e com mais esperança. 

Audioslave

Fonte: Reprodução

Os Audioslave são um grupo de rock norte-americano formado em 2001, em Los Angeles, na Califórnia. Este grupo transmite uma essência grandiosa. As canções são belas, os músicos são talentosos e as melodias são arrepiantes. 

Chris Cornell, vocalista dos Audioslave, sempre mostrou ter uma dinâmica vocal poderosa. O cantor saltava sem esforço aparente de um registo de voz mais grave para um mais agudo. 

Audioslave via Youtube

O vocalista dos Audioslave vendeu discos de ouro, discos de platina, até de multiplatina. Teve uma carreira de enorme sucesso e de fazer inveja a muitos dos seus pares no mundo do rock. Mas bastam alguns minutos para que tudo deixe de fazer sentido. 

O cantor morreu em 2017 e deixou uma grande mágoa no coração dos amantes da banda e do rock. Este Deus do Rock também tinha um lado negro e não tinha receio de o expor. 

Ao longo de uma carreira que durou quase três décadas, Chris Cornell sempre fez questão de cantar acerca dos seus demónios interiores como uma forma de os espantar. Escreveu sobre a solidão, a tristeza, o suicídio e essa melancolia marcou grande parte do seu legado.

Muitas vezes o rock é associado à violência, à rebeldia. A verdade é que o rock também ameniza a violência dos próprios pensamentos que fazem com que as pessoas se sintam mal com elas próprias. É um estilo musical que liberta aquilo que está a mais dentro de nós. Mesmo que não tenha sido esse o objetivo, estas bandas acabaram por salvar muitas pessoas do abismo e permitiram que muitas delas se sentissem melhores com elas próprias e com os outros. Por vezes, enviar a alguém uma música que descreve o que sentimos é mais forte do que simplesmente falar. Estas bandas deram-nos a oportunidade de não deixar nada por dizer.

Artigo por Joana Saboga Nunes

Imagem de capa/créditos: Unsplash

Artigo revisto por Ana Janeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *