Editorias,  Opinião

Os segredos das malas das mulheres

Ou como os dois últimos anos mudaram a minha vida.

No dia em que estiverem a ler este artigo, toda a direcção da ESCS MAGAZINE estará já em processo de mudança. Eu cheguei a esta equipa há dois anos. Neste tempo, escrevi uns cinquenta e tal artigos para quatro secções — esta incluída — e posso garantir-vos que no meu primeiro ano de Magazine aprendi mais do que em qualquer aula do meu curso. Basta-me ler o primeiro artigo que escrevi e um dos mais recentes para ver isso.

Durante dois anos, tudo o que era música e livros era algo passível de ser transformado num artigo para aqui. Um dia, não sei em que ocasião, elaborei uma lista de pessoas a entrevistar e de livros e álbuns sobre os quais queria falar. Era uma lista “pequena”: uma folha A4, frente e verso, cheia de ideias que nunca viram a luz do dia porque eu deixei a folha numa mala… e não usei a mala durante meses.

De todas as coisas que já encontrei em malas inutilizadas durante algum tempo — canetas, moedas, uma nota de dez euros, ganchos, um batom, botões, um pacotinho de açúcar, etc. —, encontrar uma lista de ideias era a última coisa que eu esperava encontrar. Foi assim que percebi que dois anos dão para muita coisa mas nem sempre chegam para tudo.

Nestes dois anos, ainda assim, tive oportunidade de conhecer pessoas incríveis e de escrever sobre projectos maravilhosos. Fiz artigos dos quais me orgulho porque falam de pessoas espectaculares; conheci pessoas que viriam a mudar a minha vida e a tornar-se presença constante; escrevi mais do que alguma vez esperei fazer quando finalmente disse ok, podes falar com a directora e dizer que eu quero entrar à pessoa que me convenceu.

Devo a duas pessoas a confiança em relação ao meu trabalho (e a vergonha de chorar em público). Se não tivesse sido pelas palavras que me disseram, talvez não estivesse a escrever isto hoje. Seja em que direcção for, seja com que pessoas for, isto é, sem dúvida, o melhor que a Magazine pode dar a alguém: a certeza de que há sempre alguém a confiar em nós, a acreditar em nós e a saber-nos capazes de tudo o que quisermos.

Nisso, a Magazine é um bocadinho como as malas das mulheres: por mais pequena que seja, cabe sempre mais alguma coisa. Mesmo que esteja a rebentar pelas costuras, há sempre um espacinho extra. Mesmo que achemos que não há mais nada lá dentro, há sempre um segredo escondido quando a abrimos.

Agora — e porque isto está a ficar demasiado meloso — deixem-me ir ver se não há mais nada perdido numa mala qualquer. É que uma pessoa quer ir à SAL e dá sempre jeito ter uns trocos a mais.

A Sofia é adepta do Futebol Clube do Porto e do Antigo Acordo Ortográfico.

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