Porque recebemos presentes mesmo?

Mesmo sendo fã do Natal, nunca percebi o sentido de um pequeno pormenor: porque recebemos presentes mesmo? Uma realidade aceite, e muito bem aceite, diga-se de passagem, mas sem sentido absolutamente nenhum, a meu ver.

Estamos num país maioritariamente cristão, por isso, não me espanta que se dê importância ao Natal. No entanto, o Marketing meteu-se no meio das missas do galo e das tradições e agora isto ficou um pouco mais confuso.

As pessoas que não são religiosas veem-se forçadas a festejar o Natal, seja porque têm família que acredita em Deus, seja porque é feriado, seja porque já é tradição celebrar. Portanto, lá se janta e almoça e tudo mais.

Esta parte é confusa para mim: se de facto não acreditamos em Deus, porque celebramos o nascimento do seu alegado filho, ao qual também damos zero importância? Enfim, o consumismo entrou a pés juntos nesta festividade e “os hereges” começaram nas curvas e contracurvas ao significado do Natal: acredito que se reuniram e concordaram que a forma ideal para poderem continuar a não ter de ir à missa – mas terem direito aos presentes – foi espalharem a ideia de que o Natal afinal é sobre família. Todos, de uma forma ou de outra, têm uma família; era perfeito!

Na prática, tudo isto funciona, mas, se pensarmos bem, não é um bocado estranho? Eu acho… Mesmo ignorando toda a parte do truque “vamos-aqui-mudar-o-significado-desta-treta-para-podermos-fazer-parte”, por que razão os cristãos recebem presentes?

Ora, o Natal é o nascimento de Jesus e deram-lhe presentes por isso. Até aqui tudo certo. Não há por onde não acreditar em Jesus, porque, filho de Deus ou não, é uma figura histórica, e, de facto, nos aniversários damos presentes. Nada contra isso, nesta fase ainda não estou confusa. A confusão começa quando entendo que não são os nossos anos e nenhum de nós recebe presentes quando são os anos de uma outra figura histórica ou religiosa… 

Na minha opinião mais revolucionária, acho que devíamos todos deixar de dar e de aceitar presentes natalícios. O meu lado mais mimado diz-me para deixarmos as coisas andar. Fazemos assim: aceito este ano, mas, se até ao próximo ano não entender, deixo de aceitar! Se entender, olha, vamos já marcar um amigo secreto para o dia 25 de julho, porque o D. Afonso Henriques faz anos!

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião.

Fonte da imagem em destaque: Flow Athletic.

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