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Protesto contra Almaraz em Lisboa

Mais de duzentas pessoas manifestaram-se esta quinta-feira frente ao consulado de Espanha, na Avenida da Liberdade, contra a central nuclear de Almaraz e o aterro de resíduos nucleares que nela poderá ser construído.

 

A manifestação, que contou com a presença de movimentos ecologistas e partidos políticos portugueses e espanhóis, tem como objetivos pedir o fecho da central situada a cem quilómetros da fronteira portuguesa e impedir a construção do novo aterro nuclear -que as autoridades espanholas projectaram para o local, sem antes efetuarem um estudo de impacto ambiental transfronteiriço ou informar Portugal. Para isso, a multidão levantou cartazes e gritou, ao som de tambores, “Fechar Almaraz”, “Chernobyl, Almaraz, Fukushima nunca mais” e “sim às renováveis, não às nucleares”.

André Silva acredita que o Governo espanhol pretende prolongar o funcionamento da central por mais dez anos — de 2020 para 2030 — e “só o conseguirá se tiver um novo depósito para resíduos nucleares”. “Fechar Almaraz é a decisão óbvia. Estamos perante uma bomba-relógio que a qualquer momento pode rebentar”, sustenta o deputado do PAN (Pessoas Animais Natureza).

Já Heloísa Apolónia, do PEV (Partido Ecologista os Verdes), considera que o Governo português se devia ter mobilizado mais cedo em defesa da sua posição, mas defende que ainda é possível “travar este armazém e o prolongamento da central”.

“Não é compreensível nem aceitável que centrais nucleares possam funcionar depois do seu período de vida”, avisa Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, acrescentando: “Não podemos estar a fazer um estudo de impacto ambiental e as obras estarem em curso, é inaceitável”.

A construção do aterro de Almaraz tem impactos ambientais potenciais em Portugal, por estar perto da fronteira e principalmente por estar muito próximo do rio Tejo, no qual resíduos nucleares podem ser depositados e circular até Lisboa.

Ainda esta quinta-feira, de manhã, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, reuniu-se com a ministra homóloga e o ministro da Energia espanhóis, em Madrid, para tomar uma decisão em relação à construção do aterro nuclear em Almaraz. No entanto, a reunião terminou sem acordo, e o Governo português decidiu entregar, na próxima segunda-feira, uma queixa contra Espanha à Comissão Europeia. “Portugal vai solicitar a intervenção de Bruxelas neste caso. Havendo um diferendo, ele tem de ser resolvido pelas instâncias europeias”, anunciou Matos Fernandes, à saída da reunião.

A central nuclear de Almaraz é gerida por três empresas: a Iberdrola (53 %), a Endesa (36 %) e a Unión Fenosa (11 %). Existe desde 1980, tendo como prazo de validade o ano 2010, quando Espanha alargou o seu funcionamento até 8 de junho de 2020. Mesmo assim, o governo espanhol decidiu, no final do ano passado, ampliar as instalações, construindo o novo aterro nuclear.

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