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Qatar vai sair da OPEP

Saída com efeitos a partir de janeiro de 2019 e indica que vai centrar a sua produção energética no gás-natural. Doha nega que a decisão seja política.

 

O Qatar vai Abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em janeiro, anunciou Saad Al-KaabiChakib Khelil, o ministro de Energia do país. “Não temos muito potencial na produção de petróleo, o nosso potencial é o gás e é aí que nos temos de centrar. Para mim, empenhar esforço, recursos e tempo numa organização em que somos um ator muito pequeno e na qual não tenho uma palavra a dizer sobre o que acontece não funciona”, indicou.

Membro da OPEP desde 1961, Doha é um dos mais pequenos produtores da organização que foi fundada em 1960. O país produz cerca de 60 mil barris de petróleo por dia. Fonte da OPEP aproveitou para desvalorizar a decisão e indicou que a decisão de Doha tem um impacto simbólico. Do lado dos mercados, a toada foi a mesma da organização.O preço do Brent, negociado em Londres e que serve de referência para Portugal, cotou os 61,85 dólares, traduzindo uma subida de 4%, o que representou um máximo desde junho. Os analistas apontam algumas justificações para a subida do preço do crude, como  a decisão de Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro saudita, de prolongar o acordo com os sauditas, tendo em vista o corte na produção de petróleo, o que animou os mercados. Recorde-se que os países pertencem ao grupo de maiores produtores do mundo de petróleo. As tréguas na guerra comercial entre os EUA e a China ajudaram também a impulsionar fortemente os mercados mundiais.

O Qatar é, atualmente, o maior produtor mundial de gás natural líquido, produzindo 77 milhões de toneladas por ano. O objetivo é expandir essa produção para 110 milhões de toneladas por ano até 2024.

Saad Al-Kaabi anteviu uma politização deste processo, aproveitando para indicar que “esta foi uma decisão sobre o que é correto para o Qatar a longo prazo. Uma decisão de estratégia”, negando que a mesma se deva ao embargo comercial patrocinado pela Arábia Saudita a Doha.  Os países estão em “guerra comercial” desde junho de 2017 com um braço-de-ferro diplomático liderado por Riade. Acusada de apoiar o terrorismo, Doha afirma que o boicote tem por única finalidade colocar em causa a sua soberania.

 

Corrigido por: Ângela Cardoso

 

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Olá, sou o Luís, tenho 27 anos e nasci em Cascais. Vivo desde, quase sempre, em Sintra e sinto-me um Sintrense de gema.  Adoro cinema - bem, adorar não é a palavra adequada, venerar parece-me um adjetivo mais justo -  e sou também obcecado por política e relações internacionais. Gosto também muito de desporto.