7ª Arte

Quatro filmes para vos fazerem companhia no Dia de São Valentim

Atualmente, o romance está morto. Pelo menos, é o que os nossos avós nos dizem, contemplando as antigas cartas de amor trocadas na época em que o matrimónio não era prejudicado por likes nas redes sociais.

As relações de hoje são superficiais, porque a sociedade prefere reprimir as suas emoções a enfrentar o medo da deceção amorosa. A preocupação em parecer desesperado omite as nossas demonstrações de afeto e de desejo pelo nosso parceiro. Nós preferimos baixar as expetativas a admitir que merecemos mais do que aquilo que o romance moderno oferece.

O dia mais romântico do ano, que muitos consideram ser o dia de São Valentim, vem contrariar essa afirmação, no próximo domingo dia 14 de fevereiro. Será, para muitos, o primeiro a ser comemorado em contexto de pandemia. É o momento ideal para ficar em casa a debater as obras da sétima arte: o cinema, segundo o manifesto do teórico italiano Ricciotto Canudo.

Embora muitos casais valorizem um jantar romântico tradicional, outros procuram um novo estímulo. O cinema é a solução, sendo a arte que abrange todas as outras. As obras cinematográficas apresentam elementos de teatro, poesia, música e dança. Segue uma lista de filmes considerados pouco convencionais, de modo a satisfazer a sede dos casais que depreciam clichés.

La La Land (2016), Damien Chazelle

Fonte: The Playlist

Uma rica produção artística que evidencia uma união amorosa genuína. O sucesso do filme reside na sua originalidade, como ode à Broadway, na sua trilha sonora da autoria de Justin Hurwitz e na química tangível entre as personagens Mia Dolan (Emma Stone), aspirante a atriz, e Sebastian (Ryan Gosling), pianista. Ambos enfrentam o mesmo dilema, porque hesitam em seguir a aspiração profissional ou em enfrentar uma vida a dois.

A ação desenvolve-se em Los Angeles, cidade das estrelas, cujas paisagens foram uma inspiração na criação das prestigiosas músicas do filme. É a cidade onde Mia tem a sua audição mais aguardada, mas esta revela-se um mau êxito. 

Nesse dia, no passeio de volta para o seu apartamento, é seduzida pelo talento musical de Sebastian. Porém, na frustração de ter sido despedido face a uma improvisação de jazz, ele ignora-a. Os dois voltam a encontrar-se meses após esse acontecimento e passam a noite num clube de jazz. É nesse estabelecimento de espetáculos, em conversa sobre sonhos e desejos, que se desenvolve uma conexão amorosa clara entre as personagens.

A importância da arte em La La Land é explícita. Sem dúvida, é um dos elementos que fortalece a união de Mia e Sebastian, porque se trata de um interesse em comum. No entanto, o começo da trama é digno de um musical, um estilo de filme longe da realidade de muitos cinéfilos. Aguardem, porque primeiro estranha-se, depois entranha-se. 

Apesar de o início do filme ser arriscado, não caracteriza na íntegra a obra cinematográfica que salvou, segundo vários críticos, o género musical jazz no século XXI. É uma história de amor com um final incomum e comovente, sendo merecedora das sete vitórias em sete indicações na cerimónia dos Prémios do Globo de Ouro de 2017, e das seis vitórias em quatorze indicações nos Óscares do mesmo ano.

Mr and Mrs Smith (2005), Doug Liman

Fonte: Popsugar

John Smith (Brad Pitt) e Jane Smith (Angelina Jolie) apaixonaram-se à primeira vista e constituem um casal fora do comum. Casados, ambos escondem o mesmo segredo. São assassinos contratados por agências adversas. O filme acompanha a vida de luxo dos Smiths, que vivem enamorados um pelo outro, na ignorância de que exercem os dois a mesma profissão.

Após cinco anos de matrimónio, necessitam de uma terapia de casal. O tédio dos Smiths desvanece quando lhes é atribuído o cargo de matar o prisioneiro da Agência de Inteligência de Defesa (DIA). Um conflito é gerado e a casa dos Smiths é quase destruída, no contexto de um tiroteio em massa. A chama da relação amorosa é reacendida de forma espontânea, quando as armas se encontram na cara um do outro. Ambos se recusam a disparar, sendo que o amor entre eles supera o espírito competitivo e a devoção que têm pela sua carreira profissional. A tensão sexual aumenta e estimula a conciliação da parceria Smith. No fim da história, o casal luta face à ameaça dos seus empregadores que pretendem eliminá-lo.

Mr and Mrs Smith é um sucesso que resulta do encontro entre dois géneros supostamente incompatíveis, a ação e o romance. Devido a esta combinação, o ritmo do filme é empolgante e consegue agradar ao espetador. É a recomendação ideal para os casais que procuram um filme que não exige a companhia de um pacote de lenços. É divertido, dramático, mas pouco emocionante.

Malcolm&Marie (2021), Sam Levinson

Fonte: Indiewire

Para os casais mais corajosos que tencionam assistir a um filme psicologicamente desafiante, Malcolm & Marie, dirigido por Sam Levinson, criador da série dramática Euphoria (2019), é a sugestão. O filme estreou recentemente na Netflix e apresenta Zendaya e John David Washington nos papéis principais. É uma obra cinematográfica minimalista a preto e branco e acompanha um conflito amoroso ao longo de uma noite. 

Malcolm, jovem realizador afro-americano, regressa a casa após a estreia da sua primeira longa-metragem e aguarda ansiosamente a receção de críticas. Marie, a sua namorada ex-toxicodependente, é o elemento contestador. Acusa-o de ter usado a sua história de vida para a criação da personagem central do seu filme. A noite toma um rumo inesperado e a contra-argumentação do parceiro gera uma longa discussão que deixa os nervos de ambos à flor da pele.

Um cenário restrito, monocromático e ocupado por duas personagens que mantêm um discurso dramático parece uma peça de teatro à qual ninguém quer assistir. Porém, o minimalismo de Malcolm & Marie seduz e permite salientar a atuação espetacular do duelo, porque o espetador concentra-se na qualidade dos argumentos dos atores que exercem os seus papéis com cumplicidade.

O filme é uma homenagem aos clássicos de Hollywood, mas reflete, através da revolta do Malcolm, sobre desafios atuais, como a autenticidade artística versus a superficialidade, a questão do politicamente correto e as inseguranças de um realizador de origem afro-americana.

Malcolm & Marie é uma obra de arte que ou se ama, ou se odeia. Mas tal como evidencia a história, existe uma linha ténue entre o amor e o ódio.

Crazy, Stupid, Love (2011), Glenn Ficarra e John Requa

Fonte: IMDb

Cal Weaver (Steve Carell) vive na ilusão de um casamento feliz. Entre estabilidade financeira e uma família saudável, a sua vida é perfeita. Quando a sua mulher, Emily Weaver (Julianne Moore), mostra descontentamento e pede o divórcio, ele fica deprimido. Jacob (Ryan Gosling), um homem charmoso e carismático, vem salvar a situação. Graças a ele, Cal transforma-se num verdadeiro sedutor e redescobre a sua masculinidade.

No entanto, nada altera os sentimentos que Cal tem por Emily. Entretanto, Jacob conhece Hannah (Emma Stone), uma futura advogada. Após várias bebidas, uma reconstituição da famosa cena do filme Dirty Dancing e uma noite de surpresas, desenvolve-se um interesse romântico genuíno.

Hannah consegue alterar, naturalmente, a perspetiva negativa do Jacob sobre o amor e ele deixa de seduzir todas as mulheres, de modo a estabelecer uma relação séria. Devido a essa mudança de atitude, Jacob afasta-se de Cal.

Os dois voltam a encontrar-se no desenvolvimento de uma situação embaraçosa que deixará os espectadores a considerar este filme uma das melhores comédias românticas dos tempos modernos.

Crazy, Stupid, Love cruza genuinidade e entretenimento ao retratar os desafios de um casamento através de personagens imperfeitas que muito têm para aprender, independentemente da idade. Desse modo, mostra que, por muito que haja altos e baixos numa relação, o amor prevalece.

Artigo redigido por Marília Lúcia

Artigo revisto por Ana Janeiro

Fonte da imagem de destaque: Boston Chefs

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