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Quem é que disse que eu tinha de ser igual?

A ânsia de chegar aos 18 anos era algo que me acompanhava na adolescência. Não porque já poderia conduzir, nem porque já poderia beber álcool legalmente, mas porque vivia na ilusão de que, aos 18 anos, deixaria de ter as borbulhas e o acne que me faziam sentir feia. 

Pois bem, a vida era bela. Até que chegou a idade tão esperada e percebi que, afinal, ainda tinha mais borbulhas, mais acne e mais pontos negros. Entrei em desespero! Não conseguia entender o que se passava comigo e tinha pensamentos extremamente tristes que me diziam todos os dias: “Ninguém te vai levar a sério no ensino superior, se pareceres uma adolescente na puberdade.

Foto cedida por Alice Lopes

Vi-me, então, com um problema em mãos que me fazia comparar – ainda mais – a minha pele à das influencers com pele de bebé, sem uma única borbulha visível. Invejava-as a 100%. Comecei a achar que se elas fazem os tratamentos que mostram nos vídeos e nos posts e, por sua vez, têm bons resultados, então…. TENHO DE FAZER TUDO COMO ELAS.  

Foto cedida por Alice Lopes

Experimentei tudo o que vocês podem imaginar: máscaras de carvão do supermercado, máscaras de argila, esfoliantes, esponjas para esfregar a pele e cremes, muitos cremes e ainda mais cremes. Tentei de tudo! Mas… O resultado não foi o desejado. Fiquei com a pele ainda pior e agora não parecia sequer uma adolescente, mas alguém feio que precisava de esconder todas as imperfeições à vista. Comecei a ficar desmotivada, triste e até deprimida. Todos os dias olhava-me ao espelho e tinha uma cara cheia de pontos vermelhos, negros, borbulhas infetadas e uma vermelhidão exorbitante que teimava em não desaparecer. Sentia que tinha um ar sujo. 

A pessoa que mais me ajudou, em primeiro lugar, foi a minha mãe. A minha mãe não é dermatologista, nem tem um conhecimento dito profissional na área, mas é minha mãe. Conhece não só a minha pele, como também a maneira como funciona o meu psicológico. Primeiramente, o que me aconselhou a fazer foi: acabar com as constantes comparações com a atriz que via na série da Netflix ou com a influencer que tinha uma pele lisa, ou seja, qualquer pessoa que me fizesse pensar “quem me dera ser assim”. Depois, quase como uma espécie de ditadura, exterminou a minha mania de aplicar cremes e mais cremes, quando não tinha qualquer aconselhamento de um profissional e, por isso, não percebia o que tinha, afinal, a minha pele. 

Foto cedida por Alice Lopes

Há cerca de um ano, consultei um alergologista que me fez testes alérgicos. Estes testes mostraram-me que não só sou alérgica a uma quantidade enorme de alimentos, como também tenho uma pele muito sensível que facilmente fica com marcas, manchas e vermelhidão. Ou seja, o facto de comer determinadas coisas estimula o aparecimento de ainda mais borbulhas e ter uma pele assim requer um tratamento especializado. 

Devido ao confinamento, ainda não marquei uma consulta na dermatologista, mas contactei algumas farmacêuticas – muito amigas da minha irmã – a quem eu deixo o meu maior agradecimento: Rita, que me recomendou os cremes anti-alérgicos especializados para a minha pele. 

Acabei por perceber que, afinal de contas, a minha pele não é feia ou suja, como eu achava, mas é especial e, como tal, deve ser tratada dessa forma: Não posso usar a água micelar comum, por isso, tenho de me desmaquilhar e lavar a cara com água de rosas. Tenho de usar uma máscara sem perfumes ou químicos prejudiciais e é essencial aplicar um creme que me estimule a cicatrização.

Não me faltavam apenas os cuidados necessários, mas também uma grande dose de autoconfiança que me fizesse compreender que não tinha necessidade de esconder as “imperfeições” da minha pele e que cada caso é um caso.

Só porque alguma “técnica” funciona em imensa gente, não quer dizer que tenha de funcionar em mim. E isto aplica-se a tudo. Seja pele, seja corpo, seja vida profissional! Não somos iguais, logo não temos métodos de resolução iguais, nem precisamos de os ter. O mais importante é sabermos respeitar o outro. Por isso, peço-vos uma coisa, tendo em conta a minha experiência: não me digam “a tua pele está muito pior”, quando eu nunca pedi uma opinião. Isso só magoa ainda mais e deixa-me com a sensação de que, afinal de contas, as minhas borbulhas não incomodam só a mim, mas às outras pessoas.  

Foto cedida por Alice Lopes
Foto cedida por Alice Lopes

Com tudo isto, o que é que te posso aconselhar? Sempre que tiveres um problema que te deixe desconfortável, sem confiança e triste, procura a ajuda de quem te conhece melhor e de quem achas que te vai poder ajudar. A minha mãe foi a minha maior ajuda, neste caso, mas cada momento é diferente e, se calhar, noutras situações, uma amiga será melhor. Ou uma irmã. Ou até mesmo uma tia. Não existe uma resolução universal para problemas pessoais e há que nos aceitarmos sem nos escondermos, sem termos vergonha e sem nos preocuparmos com o que os outros vão pensar. Ser diferente é bom. Ser especial também. Não temos de ter medo disso. Afinal de contas, as borbulhas não eram feias. Vejo-as antes como estrelas que tendiam a preencher-me a cara, para formar constelações. 

Imagem de capa: Cedida por Alice Lopes

Artigo revisto por Beatriz Campos

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