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Recensão Crítica: Eleanor & Park

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Sabem quando começam a ler um livro e pensam que aquele livro é só mais um livro? Aconteceu-me isso com este “Eleanor & Park”, da norte-americana Rainbow Rowell. No entanto, ao fim de algumas páginas, percebi que estava enganada. Este livro não é mais um romance de adolescentes.

Embora exista alguma controvérsia acerca de algumas cenas consideradas demasiado explícitas sexualmente — mesmo que não exista vocabulário impróprio nem conteúdo que possa ser “chocante” —, este livro foi considerado pela Amazon como o melhor livro para jovens adultos de 2013.

A história começa em Agosto de 1986 e não nos traz duas personagens visivelmente carismáticas. Tanto Eleanor como Park, ambos de 16 anos, são “estranhos” no meio social em que vivem. Eleanor é ruiva, tem algum peso a mais, veste-se de uma forma “estranha”, como Park chega a dizer no livro, e, por isso, é vítima de bullying na escola; Park é coreano e gosta de estar fechado na sua concha, senta-se sozinho no autocarro e passa a viagem a ouvir música e a ler bandas desenhadas de super-heróis.

O primeiro contacto que têm é no autocarro e, um dia, Eleanor aproveita para ler a banda desenhada que Park está a ler na viagem. Aquilo que começa por ser um contacto silencioso rapidamente se torna numa amizade. Primeiro, Park empresta-lhe BDs, depois deixa-a ouvir cassetes (1986, não se esqueçam!) e grava-lhe algumas músicas. Quando se dá por eles, o inevitável acontece e estão apaixonados.

Uma das coisas de que mais gostei na escrita de Rainbow Rowell foi o facto de ela ter tornado as duas personagens principais nos narradores da história. Assim, com os excertos devidamente identificados, sabemos aquilo que Eleanor pensa e aquilo que Park pensa, percebendo aquelas dúvidas e ideias normais de quem tem 16 anos.

Mas, além disso, Rainbow Rowell decidiu abordar temas importantes e actuais, mesmo passados numa década diferente: temos o bullying escolar mas também a violência doméstica de que a família de Eleanor é vítima. A situação familiar de Eleanor é também uma forma de avaliar as diferenças entre ela e Park, que tem uma família que o apoia e que resolve as situações a conversar — Eleanor chega a dizer que, de certa forma, inveja aquela família.

Ainda assim, com temas tão actuais e que já foram retratados em tantos outros livros, aquilo que me fez gostar mais deste livro foi o final. Não esperem finais bonitos e floreados, com “felizes para sempre”. O final é “real” e duro. Afinal, não há como esperar que o primeiro amor dure.

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