Literatura

Reinventar o amor literário

Conhecem-se, apaixonam-se, fazem amor, zangam-se, fica tudo bem e são felizes para sempre. É esta a típica estrutura de uma história de amor. Nada contra. Ou melhor, tudo contra quando, ao fim de tantos anos de produção literária, ainda se continuar a ver a mesma estrutura e as mesmas frases embebidas em clichés. Chegámos a um ponto em que o “amor” precisa de ser reinventado, mas pouco vemos fazer para que isso se concretize. Os tops das livrarias continuam cheios destas histórias de amor banais e qualquer pessoa que, hoje em dia, escreva um conjunto de frases lamechas mais que repetidas e dolorosas ao ouvido humano se intitula de escritor.

Há uma necessidade de desconstruir o amor. A meu ver, este é o maior desafio que se impõe a quem tenha a pretensão de se tornar escritor neste registo. Falo por mim quando digo que apenas pegarei numa história de amor quando esta não tiver um título cliché acompanhado por uma foto ainda mais cliché e uma contracapa completamente alusiva a um amor impossível que se tornou lindo e belo, ou que nos guie a uma tragédia em que um dos protagonistas morre.

Após se desconstruir o amor literário há que parar. Parar e pensar: como posso construir este amor de forma diferente? Somos biliões de indivíduos a habitar este mundo, o gosto pela literatura parece estar a ressurgir e, por isso, apelo ao vosso íntimo, ao vosso pensamento mais entranhado na massa cinzenta: PENSEM, SINTAM E TENTEM.

Enquanto escrevo este texto vou-me apercebendo do pensamento mais básico que não me surgiu quando, minutos atrás, na sanita, tive esta ideia: como posso pedir uma história de amor diferente quando a maior parte dos que ambicionam vingar neste registo vivem dessas histórias banais e repetidas? É complicado. Talvez tenhamos a literatura banal e cliché que merecemos. Apelos a Deus a que ilumine alguém com a capacidade de vomitar na banalidade e de mostrar que existem outras formas de escrever sobre amor, outras formas de ver o amor que não pelas mesmas linhas que se escrevem há séculos. É que há quem já o tenha feito, mas são muito poucos os que foram ouvidos.

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