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Robô “Perseverance” aterra em Marte

Depois de sete meses de viagem e 470 milhões de quilómetros percorridos, o robô Perseverance da missão MARS 2020 da NASA pousou, esta quinta-feira à noite (18/02), em solo marciano. A sonda da NASA tem como missão recolher amostras de Marte e procurar antigos sinais de vida microbiana.

A primeira imagem de Marte fornecida pelo Perseverance chegou pouco depois da aterragem e o perfil do robô celebrou a sua chegada no Twitter.
Fonte: Twitter

Pelas 21 horas de Portugal, o robô mais sofisticado da NASA já tinha pousado em Marte. O sinal proveniente do planeta vermelho demorou pouco mais de dez minutos a chegar à Terra. 

Antes de iniciar a sua investigação, o robô-cientista enfrentou a perigosa manobra que precede a sua aterragem, os chamados “sete minutos de terror”. Em sete minutos, o Perseverance teria de passar de uma velocidade de 20 mil km/h para 0 km/h, de modo a aterrar na cratera de Jezero – o local de pouso mais perigoso já alguma vez tentado e onde já teria existido um lago há mil milhões de anos atrás.

Segundo o Público, apenas cerca das 40% das missões enviadas para este planeta conseguiram pousar. “O Perseverance foi feito para completar a fase de entrada, descida e pouso por si mesmo”, referiu a agência espacial norte-americana, em comunicado.

Ilustração das fases de aterragem: entrada descida e pouso, conhecida como os “sete minutos de terror”
Créditos: NASA/JPL-CALTECH

Diferente de outras missões realizadas em Marte, nesta missão dedicada à astrobiologia, a NASA vai procurar sinais químicos de vida microbiana passada em Marte, caracterizar a sua atmosfera e ainda a geologia do Planeta. Pesando cerca de uma tonelada e constituído por uma série de instrumentos que têm um papel importante para descobrir antigos sinais de vida, o robô Perseverance irá tentar recolher o máximo de informações, para que no futuro seja possível o envio de astronautas. 

Neste sentido, o experimento mais importante para futuras missões é uma tecnologia de demonstração chamada “Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment” (MOXIE), que deverá conseguir produzir oxigénio a partir de Marte. O objetivo é produzir até 10 gramas de oxigénio por hora, aspirando o dióxido de carbono da atmosfera marciana. Assim, no futuro será possível encontrar uma forma de se gerar no planeta oxigénio para a respiração de humanos e para o combustível de foguetões. 

“Quando enviarmos humanos a Marte, queremos que eles voltem em segurança e, para isso, precisam de um foguete para decolar do planeta. Propelente de oxigênio líquido é algo que poderíamos fazer lá e não ter de trazer connosco. Uma ideia seria será trazer um tanque de oxigênio vazio e enchê-lo em Marte”, disse Michael Hecht, Investigador Principal da tecnologia Moxie

Tecnologia MOXIE que está na “barriga” do robô Perseverance. 
Créditos: NASA/JPL-CALTECH

O robô Perseverance não viajou sozinho, tendo a companhia do helicóptero Ingenuity. Com apenas 1,8 quilos, o pequeno helicóptero tem como objetivo demonstrar o voo de uma aeronave na atmosfera extremamente fina de Marte e efetuará voos controlados com ordens vindas da Terra.

Colado no ventre do robô, Ingenuity Mars Helicopter por questões de segurança irá separar-se do rover a 19 de março. Florbela Costa é uma engenheira aeronáutica portuguesa que ajudou no processo do desenvolvimento do helicóptero e afirmou ao Público que o robô e a aeronave “nunca mais estarão juntos”. 

Créditos: NASA/JPL-CALTECH

As operações estiveram a ser coordenadas a partir do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em La Cañada Flintridge, na Califórnia (Estados Unidos). A aterragem do robô Perseverance foi transmitida nas redes sociais Twitter e YouTube e também na página oficial da NASA na Internet, desde as 19:15. Era possível acompanhar todo o processo da aterragem e ainda toda a equipa responsável por essa missão. Assim que foi confirmado o pouso pelo líder das operações Swati Mohan, toda a equipa do JPL explodiu de alegria.

Festejos na sala de controlo após a confirmação de que o robô tinha pousado em Marte
Créditos: NASA/JPL-CALTECH

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião.

Imagem de capa / Créditos: NASA/JPL-CALTECH

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