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Uma perna sem dona, dois detectives e quatro suspeitos

Recensão crítica ao livro “Career of Evil”

“Career of Evil” é o terceiro livro de Robert Galbraith, pseudónimo da conhecida autora J. K. Rowling. Continuando a seguir a vida e negócio de Cormoran Strike, esta obra traz-nos mais uma aventura do detective e da sua secretária – parceira? –, Robin Ellacott.

Desta vez, chega-lhes uma perna amputada ao escritório, endereçada a Robin. Começa então a demanda para descobrir a quem pertence a perna e quem a terá enviado; Strike e Robin investigam os seus quatro suspeitos, deliciando-nos como sempre com os estratagemas a que têm de recorrer, enquanto tentam ao mesmo tempo que o culpado não chegue a Robin.

Tal como aquilo a que nos habituou nos anteriores livros, Galbraith presenteia-nos mais uma vez com uma história muito divertida e rica em detalhes que a tornam única. A parte do mistério está muito bem construída, dando-nos pistas suaves ao longo do livro, sem deixar pontas soltas e sem nos deixar poisar o livro um segundo; a parte do romance, muito suave, espreita apenas aqui e ali ao longo da história, sem se tornar intrusiva e sem ofuscar a parte realmente importante da obra.

Conseguimos descobrir mais sobre os passados de Srike e Robin, fazendo que a imagem que temos destas duas personagens já tão interessantes se torne ainda mais nítida e completa na nossa cabeça. Além deles, as outras personagens que surgem em “Career of Evil” são muito reais e apaixonantes, e mesmo a mais passageira delas nos faz querer saber mais sobre o seu passado.

Através das reviravoltas da história e das reflexões das próprias personagens, Galbraith deixa-nos muitas vezes a pensar no que nós próprios faríamos em situações complicadas que mexem com a nossa consciência: salvar uma vida ou deixá-la esperar para tentar salvar várias? Respeitar a lei, receando que não actue, ou agir pelas nossas próprias mãos?

Aliada a estes factores, a escrita simples mas elegante e precisa de Galbraith – onde conseguimos muitas vezes encontrar traços clássicos de J.K. Rowling, como o facto de marcar bem nas falas a pronúncia das personagens – faz deste um livro que não se pode perder.

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