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Violência doméstica: o drama que não pára

Hoje soube-se o resultado do relatório anual sobre a violência doméstica que mostra que há mais queixas de violência física no namoro do que no casamento.

As estatísticas mantêm-se semelhantes aos anos anteriores, sendo que houve no ano passado mais queixas de violência física no namoro do que nos casamentos, com uma media de casos analisados na casa dos 28 anos.

Este relatório dá conta de que 89% das queixas apresentadas se referiam a agressões físicas entre namorados, sendo que as agressões psicológicas não ficam muito atrás, com uma percentagem de 73%. Nos casamentos, as queixas não são significativas. Isso pode explicar-se pelo facto de no namoro ainda não ter havido tempo para as vítimas se poderem acomodar à agressão, enquanto que nos casamentos o cenário muda de figura.

Relembra-se que só em 2013 o Código Penal passou a considerar crime de violência doméstica as agressões entre namorados ou ex-namorados. Ainda assim, o problema continua a ser provar este crime, dado que no ano passado 77% destes casos foram arquivados pelo Ministério Público, por falta de provas. Nos casos julgados a maioria (96%) fica com pena de prisão suspensa.

Para Elizabete Brasil, responsável pela União de Mulheres Alternativas e Reposta (UMAR), o facto de agora surgir nas estatísticas a violência no namoro não é um facto novo: “o que acontece é que dantes estas agressões não eram contabilizadas como violência doméstica”.

Para além da violência física e psicológica, o Ministério da Administração Interna trabalha ainda a violência económica, muitas vezes praticada por filhos e netos que se apropriam das pensões dos pais e dos avós.

Nestes casos as mulheres não são as únicas vitimas, mas as mais atacadas: abaixo dos 18 anos a percentagem é de 63% e até aos 24 anos é de 91%. Os homens são vitimas mais enquanto são crianças, o que pode provocar traumas que ficam para sempre. A violência que sofrem por parte dos pais pode mais tarde traduzir-se numa violência dos filhos para com eles.

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