Governo britânico suspeita da mão do Kremlin no envenenamento de antigo espião russo

Theresa May suspendeu todos os contactos de alto nível com o governo de Putin e anunciou a expulsão de 23 diplomatas. Governo russo diz-se chocado e nega qualquer envolvimento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico (MNE), Boris Johnson, acusou o Presidente russo, Vladimir Putin, de ter ordenado o assassinato do antigo espião Sergei Skripal: “A nossa disputa é com o Kremlin de Putin e com a sua decisão. Achamos que é altamente provável que tenha sido decisão sua usar um agente neurotóxico nas ruas do Reino Unido, nas ruas da Europa, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial”, afirmou Johnson.

O MNE do governo conservador de May diz ainda que se trata de “uma demonstração do comportamento perigoso do Presidente Putin” e relaciona o envenenamento com o uso de armas químicas na guerra civil da Síria: “Há uma relação direta entre a indulgência manifestada por Putin para com as atrocidades perpetradas por Baschar Al-Assad na Síria e o facto de o Estado russo não ter tido dúvidas em usar uma arma química em território britânico. O Novichok foi desenvolvido por cientistas russos a partir dos anos 1970, e a Rússia é o único país que tem um largo historial de assassinatos por conta”, indicou Johnson.

Já a chefe do governo britânico, Theresa May, anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos, a criação de uma legislação para proteger o Reino Unido de atividade estatal hostil e o congelamento de ativos estatais russos sempre que existirem “provas de que possam ter sido utilizados para ameaçar a vida ou propriedade de cidadãos ou residentes do Reino Unido”. May refere ainda que vai rever o acordo de importação de gás que mantém com a Rússia. Cerca de um terço do gás utilizado no Reino Unido vem de Moscovo.

Sergei Skripal, ex-espião ao serviço dos serviços secretos russos, e a filha, Iulia, viviam em Salisbury, no Reino Unido, e estão hospitalizados em estado muito grave depois de terem sido expostos a uma arma química, conhecida como Novichok. Trata-se de um químico que perturba os mecanismos que interferem nas mensagens que o cérebro transmite aos músculos. As vítimas sofrem espasmos musculares contínuos, que levam a que tenham convulsões e dificuldade em respirar, podendo levar à morte por asfixia.

Entretanto o MNE russo, Sergey Lavrov, negou qualquer envolvimento no caso e promete retaliações em direção ao governo britânico para breve. Todo este conflito diplomático decorre com o espetro das eleições russas que se realizam no dia 18 de Março e que têm Vladimir Putin como grande favorito a renovar a sua presidência por mais seis anos, com sondagens a atribuírem-lhe uma vitória esmagadora.

Autor
Luís Carvalho

O Luís tem 24 anos e vem de Sintra. Descreve-se acima de tudo como um curioso, uma das principais características de um jornalista, com o sonho de um dia viajar pelo mundo e relatar essa experiência. É um apaixonado por cinema, aliás obcecado pela sétima arte, e política internacional. Orgulha-se de poder dizer os vencedores de todos os campeonatos do mundo de futebol, outra das suas paixões.

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