Desporto

A história da Taça de Portugal: da origem à glória no Jamor

A prova rainha do futebol português é uma das mais emblemáticas e antigas do desporto nacional. Uma competição que, para muitos adeptos, só ganha destaque a partir de janeiro, mas cuja história começa muito antes e se confunde com a própria formação do futebol português moderno.

A Taça de Portugal teve a sua primeira edição em 1938/39, mas a sua origem remonta ao Campeonato de Portugal, criado em 1922. Na altura, era esta a principal competição nacional e o vencedor recebia o título de campeão de Portugal. O formato era simples: eliminatórias diretas entre equipas de todo o país, num tempo em que o futebol português dava ainda os primeiros passos.

Tudo mudou em 1938, quando a Federação Portuguesa de Futebol criou o Campeonato Nacional de Futebol (o atual campeonato português). A partir daí, o Campeonato de Portugal transformou-se na Taça de Portugal, mantendo o formato de eliminatórias, mas passando a servir como competição paralela ao campeonato. O seu vencedor deixava de ser considerado o campeão nacional, mas rapidamente a prova ganhou um novo prestígio – o de coroar o “clube do povo”.

O primeiro vencedor da Taça de Portugal foi a Académica de Coimbra, que derrotou o Benfica por 2-1, inaugurando uma tradição que atravessou gerações. Ao longo das décadas seguintes, o troféu foi dominado pelos chamados três grandes – Benfica, Sporting e FC Porto -, que revezaram entre si a supremacia das finais, embora sempre com espaço para surpresas inesquecíveis. Nos anos 40 e 50, a Taça consolidou-se como a grande festa do futebol português. O Benfica somou títulos, o Sporting viveu os gloriosos tempos dos “Cinco Violinos”, e equipas como o Belenenses ou o Vitória de Setúbal deixaram também a sua marca. 

Festejos do Académico do Porto, na final de 1939. Fonte: MaisFutebol

Ainda que hoje estejamos habituados a ver a final da taça ser realizada no Estádio Nacional, nem sempre foi assim. As primeiras finais da Taça de Portugal foram disputadas no Estádio do Lumiar e no Campo das Salésias, ambos em Lisboa. No entanto, depois da inauguração do Estádio Nacional, no Jamor, em 1944, a final passou a realizar-se tradicionalmente nesse recinto a partir de 1946, com apenas algumas exceções. Em 1961, o FC Porto pediu para que a decisão fosse jogada nas Antas, diante do Leixões, acabando por sair derrotado; já em 1975, a final teve lugar no Estádio José Alvalade, numa edição em que o Boavista venceu o Benfica.

Em 1976 e 1977, a final voltou às Antas, primeiro com nova vitória do Boavista, desta vez frente ao Vitória de Guimarães, e depois com o triunfo do FC Porto sobre o Braga. Em 1983, o estádio portista recebeu novamente a final, a pedido do clube da casa, num dos jogos mais marcantes e polémicos da história da competição, com o Benfica a vencer a equipa portista. As décadas de 70 e 80 trouxeram finais históricas e ajudaram a reforçar o peso da prova, com o Boavista a afirmar-se como um dos grandes fora do eixo tradicional, o FC Porto a começar a construir a sua era de hegemonia nacional e o Benfica a continuar a somar conquistas, incluindo a célebre dobradinha de 1987, no ano da conquista europeia dos portistas.

Nos anos 90 e 2000, a Taça manteve o seu encanto particular. Foram tempos de finais intensas e de episódios memoráveis, como o golo de João Pinto em 1996, que deu o título ao Benfica frente ao Sporting, ou a história do Leixões, um clube da II Divisão, que chegou à final em 2002, mas perdeu contra o Sporting. Em 2005, o Vitória de Setúbal conquistou o troféu frente ao Benfica, reforçando o valor histórico dos clubes fora dos grandes centros.

Mais recentemente, a Taça continuou a oferecer grandes histórias. A Académica voltou a erguer o troféu em 2012, depois de mais de quatro décadas de espera, e o Desportivo das Aves protagonizou uma das maiores surpresas da era moderna, ao vencer o Sporting em 2018. O FC Porto tem sido uma presença assídua nas últimas finais, enquanto o Braga e o Casa Pia têm recolocado o nome das equipas do norte e da capital nas fases decisivas da competição.

Fonte: Câmara Municipal de Oeiras

A final da Taça de Portugal é muito mais do que um jogo de futebol: é um momento de tradição e festa. Entre os cânticos, os piqueniques e os adeptos de todas as idades, o dia transforma-se numa celebração que vai além da rivalidade entre os clubes. Mesmo para quem não torce por nenhum dos finalistas, é um momento especial, que fecha a época com emoção e dá mais valor ao último grande troféu da temporada.

Hoje, a Taça é vista como o palco onde o sonho continua possível. Em cada época, centenas de clubes, desde as elites da Primeira Liga até às formações distritais, entram em campo com a mesma ambição: chegar ao Jamor. E é precisamente essa essência, a possibilidade de um pequeno desafiar um gigante, que mantém viva a magia da prova que, há quase um século, faz o coração do futebol português bater mais forte.

Fonte da Capa: Flashscore

Artigo revisto por: Carla Lino Vitório

AUTORIA

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A Patrícia começou agora o segundo ano em Jornalismo, mas desde pequena sabia que queria escrever e informar. Sempre curiosa e atenta ao que a rodeia, encontrou na Magazine o espaço ideal para explorar temas variados e desafiar-se a contar histórias de forma criativa. Aceitou o desafio de assumir a editoria de Informação e está pronta para descobrir novas histórias e conhecer mais sobre o mundo.