A Solidariedade dos Chefs

APNo passado dia 1 de dezembro, a Algarve Chefs Week deu o exemplo com a quarta edição do jantar solidário de Natal. O evento reuniu 14 chefs de hotéis de luxo e teve como objetivo angariar fundos para as instituições algarvias APEXA (Associação de Apoio à Pessoa Excepcional do Algarve) e CATRAIA (Centro de Acolhimento Temporário para Menores em Risco).

Esta primeira, APEXA, volta-se para o desenvolvimento de projetos que visam aumentar a qualidade de vida de pessoas excepcionais e proporcionar-lhes uma maior inclusão. A CATRAIA, por sua vez, é uma instituição que proporciona não só o acolhimento temporário de menores como também a reintegração dessas crianças e jovens na comunidade e nas famílias.

O jantar conta, para além da degustação gastronómica, com um stand-up comedy de Guilherme Fonseca e uma atuação musical do vencedor da 3ª edição em Portugal do programa Ídolos, Filipe Pinto.

Uma das muitas perguntas que ficam é o porquê de um gesto profundamente humanitário como este estar a receber tão pouca atenção dos media. Inevitavelmente, as temáticas mais polémicas da atualidade ressurgem nos jornais, na TV, vindo inclusivamente a ser tema de publicações de amigos e familiares nas nossas redes sociais. Raramente vemos um gesto semelhante ao da Algarve Chefs Week nas capas, porque talvez o desenrolar de crimes de corrupção atraia um público mais amplo do que a caridade.

A impressão que temos da nossa sociedade é, de uma maneira geral, impactada por todos os feitos negativos de alguns dos seus membros; acontecimentos estes que são dramatizados diariamente pelos órgãos de comunicação, fazendo com que, por vezes, não nos lembremos que ainda há gente capaz de algo genuinamente bom, visando o próximo.

Outra das questões é como é que podemos colaborar dentro da nossa comunidade. Contando que não terias passado à frente esta notícia ao ler o jornal, o mais provável é que um sentido de solidariedade tenha surgido em ti. O facto de estarmos perto do Natal significa que os concelhos já decoraram as ruas e que, por isso, os flocos de neve cintilantes já existem para nos deixarem mais sensibilizados. Não existe um modo só de se responder a essa pergunta. A verdade é que muitas igrejas, escolas, postos de saúde e outras instituições locais adorariam ter-te como voluntário ou mesmo receber as tuas doações. A CTT, por exemplo, realiza, anualmente, o Pai Natal Solidário que se dedica a tornar real os pedidos de prendas de crianças em situação de risco. Outra ideia de um projeto para o qual podes contribuir é o Ceia de Natal, organizado desde 2008 pela ONG Remar para os sem-abrigos.

Com uma breve pesquisa na internet, tens acesso a dezenas de formas de contribuir. Devemos começar a propagar mais gestos como o dos chefs de hotéis algarvios e das várias outras pessoas que, ao longo do ano inteiro, se esforçam para dar suporte aos que necessitam. Assim, saberemos que a nossa sociedade não é algo absurdamente corrompido e que nos mais simples atos estão formas de torná-la menos polémica e mais empática.

Corrigido por Maria Constança Castanheira

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