António Costa é o novo primeiro-ministro de Portugal

Entrou em Belém como líder da oposição e saiu como primeiro-ministro. António Costa foi dado como o grande derrotado das legislativas, mas acabou por chegar ao governo. Cinquenta dias depois, o Presidente deu a luz verde a Costa e a lista do novo Governo já chegou a Belém.

São 17 os novos ministérios do Partido Socialista. Nas finanças será Mário Centeno a dar cara; nos Negócios Estrangeiros será Augusto Santos Silva. A economia foi entregue a Manuel Cadeira Cabral. O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social vê José António Vieira da Silva substituir Mota Soares. Na defesa será Azeredo Lopes o novo ministro.

O mar separou-se da agricultura e tem um ministério próprio, liderado por uma mulher: Ana Paula Vitorino. A agricultura ficou com Capoulas Santos. A educação ficou sozinha, com Tiago Brandão Rodrigues como ministro. A ciência, tecnologia e Ensino Superior tem um ministério para si, com Manuel Heitor como ministro.

Há mais três mulheres em cargos ministeriais: Maria Manuel Leitão Marques é a nova ministra da Presidência e da Modernização Administrativa; Francisca Van Dunem ficou com a justiça e no Ministério da Administração interna é Constança Urbano de Sousa a nova ministra.

Portugal volta a ter um Ministério da Cultura, que será representado por João Soares, e vê nascer um novo ministério dado ao planeamento e às Infraestruturas, liderado pelo Pedro Marques. Estes são os nomes principais que são apontados ao novo governo.

António Costa, o Primeiro-Ministro.
Na liderança fica António Costa, que no domingo celebrou um ano à frente do PS. Da presidência da Câmara de Lisboa – que deixou ao seu número dois, Fernando Medina – Costa candidatou-se ao cargo de líder do PS, vencendo o seu antecessor, António José Seguro, nas eleições primárias, depois de ter acusado Seguro de a sua vitória nas Europeias, em maio do ano passado, ter sido “uma vitória por poucochinho”.

De número dois do ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates, Costa não lhe quis suceder e foi Seguro a fazê-lo. António Costa ainda chegou a ameaçar candidatar-se à liderança do Partido em 2013, mas acabou por recuar. Em 2014 assumiu o papel de opositor a Seguro e candidatou-se ao lugar, tendo ganho, em novembro do ano passado, por uma clara maioria.

“Poucochinho” foi o resultado nas eleições do passado mês de outubro nas eleições legislativas, em que António Costa viu a coligação Portugal à Frente vencer, ainda que sem maioria absoluta.

Muitas foram as vozes, dentro do PS, que acusaram Costa de falhar na campanha eleitoral e não ter tido força suficiente para ultrapassar a coligação PàF, exigindo a sua demissão, mas este disse logo na noite eleitoral que não se iria demitir do cargo de líder.

O acordo à esquerda
Tido como um “hábil negociador politico”, António Costa teve reuniões da direita à esquerda para chegar a um acordo que desse estabilidade ao país. Se o ditado diz que “à terceira é de vez”, para a coligação de direita a segunda reunião com o PS chegou para transmitir as propostas da coligação e chegar a acordo. Costa não concordou e continuou as reuniões à esquerda.

Com a esquerda tentou chegar a um acordo que proporcionasse a formação de um novo governo, com maioria no Parlamento, dando assim maioria ao governo. Costa conseguiu o que até hoje nenhum líder socialista tinha conseguido: chegou a acordo com o PCP e o BE para, juntos, formarem uma coligação à esquerda, com maioria parlamentar. Ainda assim, é de salientar que tanto o PCP como o Bloco de Esquerda não participam na constituição do novo governo. Os dois partidos vão dar apoio ao PS no Parlamento.

É do Benfica, agnóstico, casado e com dois filhos, definido como um político seguro de si, irrequieto, persistente e temperamental. É este o novo Primeiro-Ministro de Portugal.

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