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Ataque à bomba junto a uma escola em Cabul

A explosão aconteceu na zona oeste de Cabul, no Afeganistão, perto de uma escola secundária para raparigas.

Fonte: AFP via Getty Images

O ataque ocorreu no sábado por volta das 16h30, numa altura em que as estudantes estavam a sair da escola secundária, de acordo com o Ministério do Interior afegão. A bomba explodiu num distrito de maioria xiita em Cabul, a capital e cidade mais populosa do Afeganistão. Matou pelo menos 30 pessoas e feriu mais de 50, sendo a maior parte das vítimas as alunas da escola, entre 11 e 15 anos, de acordo com dados da estação televisiva Euronews.

O porta-voz do Ministério do Interior afegão Tariq Arian adiantou que várias ambulâncias acudiram a população que se encontrava no local da explosão, junto à escola. Em Dasht-e-Barchi, multidões enfurecidas atacaram as ambulâncias e espancaram alguns trabalhadores de saúde enquanto tentavam evacuar os feridos, disse o porta-voz do Ministério da Saúde Ghulam Dastigar Nazari. Apelou aos residentes que colaborassem com as autoridades e que permitissem a circulação de veículos, segundo avançou a Associated Press, agência de notícias norte-americana.

Abdullah Abdullah, presidente do Conselho Supremo para a Reconciliação Nacional, afirmou que os “ataques terroristas cobardes são imperdoáveis, inaceitáveis e cruéis“. Também a delegação da União Europeia no Afeganistão já reagiu, descrevendo o ataque como “um ato desprezível de terrorismo“. Pode ainda ler-se no tweet da representação Europeia que “visar principalmente estudantes de uma escola de raparigas torna este num ataque ao futuro do Afeganistão. Contra jovens determinados em melhorar o país“.

A agência de notícias afegã TOLOnews avançou que tudo começou com a deflagração de um carro bomba, ao que se seguiram duas outras explosões. 

O ataque não foi, por agora, reivindicado por nenhum grupo. O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, acusou os talibãs de estarem por trás do atentado. Mas, poucas horas depois do ataque, os talibãs vieram afirmar, pelas redes sociais, não terem sido responsáveis pelo sucedido, condenando-o. O seu porta-voz, Zabihullah Mujahid, disse a repórteres que apenas o grupo do Estado Islâmico poderia ser responsável por tal crime. O Estado Islâmico já tinha reivindicado ataques contra a minoria xiita na mesma área, nomeadamente no ano passado dois ataques em instalações de educação que mataram 50 pessoas.

De acordo com a Euronews, os ataques terroristas, nomeadamente contra instituições de ensino, têm-se agravado nas últimas semanas, sobretudo depois do anúncio do retardamento da retirada militar dos Estados Unidos do país. Esta tinha sido acordada entre os talibãs e a administração Trump para dia 1 de maio, mas o Presidente Joe Biden retardou-a para ser concluída até dia 11 de setembro.

Os Estados Unidos e os seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO, na sigla inglesa) chegaram juntos ao Afeganistão a 7 de outubro de 2001, em resposta aos ataques terroristas do 11 de setembro desse ano. O objetivo era capturar os culpados da organização terrorista Al Qaeda, que viviam sob a proteção dos governantes talibãs do país. A retirada de todas as tropas dos Estados Unidos e da OTAN no Afeganistão iniciaram formalmente no dia 1 de maio, após duas décadas de uma guerra contra os Talibãs.  

A explosão ocorre dias depois de os 2.500 a 3.500 soldados americanos começarem oficialmente a deixar o país. 

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião

Fonte da foto de capa: EPA

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