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Aumento da repressão em Myanmar: 18 mortos nos protestos pró-democráticos

Nas últimas horas houve um aumento acentuado da violência contra os manifestantes, com o uso de balas de borracha, canhões de água, gás lacrimogéneo e munições reais.

Polícia antimotim em ação. LYNN BO BO/EPA

As manifestações em Myanmar têm-se repetido de forma ininterrupta desde o Golpe de Estado, a 1 de fevereiro. Após semanas de protestos pacíficos, a polícia intensificou o uso de força este fim-de-semana.

As manifestações ocorreram em cidades por todo o país e estão a ser fortemente reprimidas pelas forças de segurança e apoiadas pelo Exército. 

Segundo o Gabinete de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), os últimos dias foram os mais mortíferos desde o início dos protestos. Foram contabilizadas 18 mortes de manifestantes e 30 feridos. 

Até sábado tinham morrido oito pessoas, três delas mortas a tiro pela polícia, segundo dados da Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos na Birmânia. A violência tem sido acompanhada por inúmeras detenções, tendo sido presas 854 pessoas desde o início da revolta, das quais apenas 83 já foram libertadas – dados avançados pela associação.

Com os níveis de violência a aumentar, a comunidade internacional manifestou a sua preocupação para com a situação em Myanmar. “Condenamos fortemente a escalada de violência contra os manifestantes em Myanmar e apelamos aos militares para suspenderem imediatamente o uso da força contra os manifestantes pacíficos”, afirmou a porta-voz do Gabinete de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, também condenou, este domingo, a repressão violenta da junta militar contra os manifestantes. “A violência não dará legitimidade ao derrube ilegal de um Governo eleito democraticamente. A disparar contra cidadãos desarmados, as forças de segurança mostraram um flagrante desrespeito ao direito internacional e devem ser responsabilizadas“, advertiu Josep Borrell, em comunicado à imprensa. Anunciou ainda que a União Europeia tomará brevemente medidas como resposta a estes acontecimentos, com a aplicação de sanções que deverão ser finalizadas nos próximos dias.

Após a sua independência em 1948, Myanmar passou grande parte da sua história sob um regime militar, com os militares a governar diretamente o país durante perto de 50 anos, depois de um golpe em 1962. O país iniciou um processo democrático há cerca de uma década. Contudo, as chefias militares mantiveram-se presentes na política, detendo uma quota de 25% dos assentos parlamentares. 

Só em 2015 se realizaram as primeiras eleições livres. Surge, então, o primeiro governo civil, com a vitória da Liga Nacional para a democracia. O partido, liderado por Aung San Suu Kyi, venceu as eleições deste ano com maioria absoluta, mas a vitória foi contestada pelos militares que alegaram ter havido fraude.

Desde 1 de fevereiro que os principais dirigentes políticos birmaneses foram presos, incluindo Suu Kyi, numa rápida operação militar. 

Artigo revisto por: Maria Ponce Madeira

Adriana Alves

A Adriana é uma aspirante a jornalista, paixão que só descobriu tardiamente. Conjuga empatia e perseverança. Não gosta de arriscar, mas faz por isso. Determinada em abraçar novos desafios e em busca de boas histórias para contar.

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