Opinião

Bola d’Ouro ou Ferrero Rocher?

Faltam 3 dias para a entrega do prémio Bola d’Ouro FIFA. No fundo, é o prémio para o melhor jogador do mundo. Antes eram dois. A Bola d’Ouro da revista France Football, em que o vencedor era eleito por jornalistas, e o prémio de melhor jogador do ano da FIFA, em que o vencedor era eleito pelos seleccionadores e capitães das seleções. Em 2010 juntaram-se e criaram este “novo” prémio.

O consenso em torno do vencedor raramente existe. Nestes últimos anos então, em que a luta foi só entre Ronaldo e Messi, ainda menos. Essencialmente há aqueles que gostam do Messi e não gostam do Ronaldo, aqueles que gostam do Ronaldo e não gostam do Messi e aqueles que ou gostam dos dois ou tentam, mesmo gostando só de um, ser o mais objetivo possível.

Pena é que as pessoas que votam (jornalistas, capitães e selecionadores) parecem, por vezes, não conseguir ser objetivas. Isto pode parecer que estou a puxar a brasa à minha sardinha porque prefiro Ronaldo a Messi, mas sempre me vi como uma pessoa objetiva. Neste momento, Messi tem quatro e Ronaldo tem duas. Na minha opinião, Ronaldo e Messi estariam empatados. Porquê? Porque houve um ano em que Ronaldo foi melhor individualmente mas não ganhou nada com a equipa e Messi foi pior individualmente mas ganhou tudo com a equipa; ganhou Messi. No ano a seguir (ou anterior, não tenho a certeza, mas os anos foram seguidos), Ronaldo foi pior individualmente, mas ganhou tudo com a equipa, e Messi foi melhor individualmente, mas não ganhou nada com a equipa; ganhou Messi.

O que quero dizer é que Messi, por ser mais amado, é (quase) sempre beneficiado. Os critérios de escolha variam de forma a favorecê-lo. Para mim, o prémio é do melhor jogador do ano. Ou seja, o melhor jogador entre o dia 1 de janeiro e o dia 31 de dezembro (apesar de se começar a votar 2 meses antes. Ridículo). Não é o melhor jogador da melhor equipa. Não é o melhor jogador do Mundial. Não é o jogador com mais títulos colectivos. É o melhor jogador do mundo, ponto. Daí achar que, se os critérios fossem minimamente levados a sério (ou se existissem, melhor dizendo), Ronaldo teria ganho num desses anos. Teria agora três Bolas d’Ouro.

Este ano, Manuel Neuer, guarda redes do Bayern de Munique, é a vela deste encontro. Tem todo o mérito para estar entre os três melhores mas, meus amigos, ganhar é outra coisa…

Fez um grande Mundial, sem dúvida, mas, como já disse antes, este prémio não é para o melhor jogador do Mundial (esse prémio já existe. “Ninguém” tem culpa de que seja uma fantochada). O Mundial entra nas contas porque faz parte do ano, mas nada mais. Tem um peso especial pela competitividade e paixão que o envolve, mas não chega para tudo. Os 10 melhores jogadores do mundo, neste momento, são Ronaldo e Messi. O top 10 não tem mais ninguém porque ninguém se aproxima sequer do nível que estes dois jogadores atingem.

Já agora, digo que quem merece a Bola d’Ouro este ano é Ronaldo. Porquê? Porque foi o mais consistente. Porque quebrou recordes históricos (Messi também, mas não foi tão consistente nem os recordes foram tão difíceis). Porque foi o melhor, em termos individuais, com golos e assistências para dar e vender. Porque começou esta época com uma média assombrosa. E porque fez um excelente ano com o Real Madrid, apesar de com Portugal ter sido fraco, de acordo com aquilo que se esperava. Messi não foi tão Messi esta ano e Neuer, como já disse, não merece mais do que o 3º lugar (mas acredito que, a continuar assim, terá a sua vez na História). Quero ser jornalista desportivo, por isso a objetividade tem que ser uma exigência, e quem me conhece sabe que quando o Messi mereceu eu disse Messi. Mas este ano digo Ronaldo.

Objetivamente, ganharia Ronaldo, mas a difamação que lhe têm feito pode influenciar muita coisa. Se não ganhar porque muda de penteado a meio de um jogo (uma das críticas mais absurdas que lhe fazem porque não tem nada a ver com o jogo ou com o prémio. Aliás, se ele se sentir mais confiante com isso e eu fosse treinador até era eu que o penteava!) é a prova de que o prémio tem de ser revisto. Ou nos critérios ou no nome…

P.S. – Se enquanto eles jogarem não ganhar mais ninguém, não é injusto, é apenas azar por terem nascido na mesma altura destes dois fenómenos.

CRÓNICA - Bola d'Ouro ou Ferrero Rocher (ponto de interrogação) - Pedro Mateus (Opinião)

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