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Capitão América: Guerra Civil

Captura de ecrã 2016-05-18, às 19.22.11

Este é o ano em que os super-heróis não se entendem. Depois de Batman e Super-Homem medirem forças, chega aos cinemas Capitão América: Guerra Civil. Entre os dois filmes há uma grande diferença: um é uma confusão e o outro é uma obra-prima dentro do seu género. A Marvel apostou em grande e mais uma vez oferece-nos um filme brilhante.

Realizar um filme que seja completamente fiel à banda desenhada é bastante complicado. São dois suportes diferentes, cada um com os seus limites, as suas capacidades e as suas peculiaridades. Sabia-se à partida que esta Guerra Civil não teria a dimensão daquela que figura nos quadradinhos, que era impossível usar personagens cujos direitos não pertencem à Marvel e que mesmo em termos de narrativa… tornava-se confuso. Ainda assim, os argumentistas, Christopher Markus e Stephen McFeely, salvaguardaram a essência da banda desenhada, embora se tenham afastado um pouco da narrativa original.

A narrativa deste filme é, a meu ver, fascinante. Depois de um incidente menos positivo, e dos acontecimentos de outros filmes, surgem aqueles que acham que os Vingadores devem ser responsabilizados pelos danos colaterais e, para além disso, supervisionados, atuando apenas quando as Nações Unidas considerarem necessário. Os membros da equipa (à exceção de Thor e de Bruce Banner, que não estão presentes) têm uma escolha a fazer: assinar os acordos de Sokovia e sujeitarem-se a essa supervisão, ou simplesmente recusá-los. Este é o ponto de partida para um conflito que mudará a equipa para sempre.

Capitão América/Steve Rogers (Chris Evans) opõe-se aos Acordos pois teme que os Vingadores se tornem um instrumento de destruição massiva à mercê das agendas políticas daqueles que os supervisionam. Enquanto isso, Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) acredita que assinar os Acordos é a coisa certa a fazer; para além disso, sente-se culpado pelas vítimas e pelos danos que a equipa causa.

Mas é um atentado na sede das Nações Unidas que faz que o conflito venha a ganhar outras proporções. Ao que parece, o responsável pelo atentado é nada mais nada menos que o Soldado Invernal/Bucky Barnes (Sebastian Stan), o melhor amigo de Steve, que faz o que pode e o que não pode para o defender, tornando-se dessa forma num fora da lei.

Tony Stark é incumbido de deter os dois super soldados, e é aqui que a equipa se divide efetivamente. Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e, a mais recente aquisição, Scott Lang/Homem-Formiga aliam-se ao Capitão.

Já James Rhodes/Máquina de Combate (Don Cheadle), Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson), Visão (Paul Bettany) e ainda T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman) unem-se ao Homem de Ferro. Para além disso, Tony recruta (o terceiro) Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland).

A cena em que as duas equipas se defrontam é uma das cenas de ação mais espetaculares que já vi. Todos os elementos da sequência são executados na perfeição e embora seja um momento intenso, pois é uma luta que opõe amigos, há um certo alívio cómico e interações entre personagens que são de aplaudir de tão geniais que são! O desfecho é um tornado de reviravoltas e de emoções que precisam de ver pelos vossos próprios olhos e não pelas minhas palavras.

Eventualmente descobrimos que Bucky foi incriminado por Helmut Zemo (Daniel Brühl). Este tinha desenhado um plano para despoletar um conflito entre os membros dos Vingadores depois de perder a sua família em Sokovia durante os acontecimentos de Vingadores 2. O conflito parece resolvido quando Zemo faz mais uma jogada e o resultado dessa jogada é uma verdadeira cena de pancadaria entre o Homem de Ferro e o Capitão América (este que conta com a ajuda de Bucky).

O filme não termina com uma reconciliação, os Acordos estão em vigor, o mal está feito e a rutura está consumada. Ao não culminar de forma absurda (como em Batman vs. Superman), o conflito terá impacto no futuro do universo cinematográfico da Marvel, ou seja, esta luta tem um propósito.

Um dos aspetos mais importantes do filme é o seu elenco de luxo. Não existe elo mais fraco no que diz respeito aos atores deste filme, todos são igualmente talentosos e capazes de roubar uma cena com duas palavras ou menos. A familiaridade entre eles ajuda a construir a dinâmica entre as personagens, o que faz que este filme transcenda todos os outros filmes da Marvel e mesmo do género em que se insere. Em filmes destes, com elencos como este, é de esperar um certo desequilíbrio entre o tempo de ecrã de cada uma das personagens, contudo, os argumentistas tiveram bom senso e cada uma das personagens tem direito aos seus momentos.

Tenho de realçar o trabalho dos dois estreantes, Chadwick Boseman e Tom Holland. Boseman pega na narrativa interessante da sua personagem e leva-a a outro nível com um desempenho perfeito. Consta que desenvolveu o sotaque de T’Challa sem qualquer tipo de ajuda por parte da produção do filme, o que é maravilhoso e mostra o quanto se dedicou.

Tom Holland torceu muitos narizes quando foi escolhido, incluindo o meu. É a terceira vez que mudam o ator que dá a cara a esta personagem, mas acho que à terceira será de vez. Pessoalmente, gosto muito do trabalho de Andrew Garfield como Homem-Aranha, mas este miúdo convenceu-me a dar uma hipótese ao “novo” Spidey. Escusado será dizer que estou ansiosamente à espera do seu filme a solo.

Não posso deixar de falar nos dois veteranos, Robert Downey Jr. e Chris Evans. RDJ é Tony Stark e Evans é Steve Rogers. São insubstituíveis e ninguém podia pedir melhores protagonistas. Dão corpo e alma às personagens, dão corpo e alma ao filme. Aflige-me que o contrato de Evans esteja a terminar – não quero que Steve Rogers desapareça, não estou pronta para que outra pessoa pegue no escudo.
Joe e Anthony Russo, os realizadores, assinam o seu terceiro filme para a Marvel depois de Capitão América: O Primeiro Vingador e Capitão América: O Soldado do Inverno. Este filme solidifica o trabalho que ambos têm vindo a desenvolver. Capitão América: Guerra Civil é a prova de que esta dupla não se deixa intimidar. Eles sabem o que resulta e o que não resulta, e isso é evidente na importância que dão aos detalhes: há imagens fenomenais que parecem ter sido retiradas diretamente da BD, o que mostra a incrível preocupação de Joe e de Anthony Russo.

Se chegaram a este ponto do artigo, estão a pensar que o filme foi perfeito. Desenganem-se: o romance entre Steve e Sharon Carter foi metido à força na história, parece ter sido apressado e devia ter ficado para outra altura; Sharon devia ter participado mais ativamente na luta; o vilão acaba por ser apenas um instrumento e não tem a devida importância.

Mesmo com alguns problemas não deixa de ser o melhor filme da Marvel e, acima de tudo, um dos melhores filmes do género. Mal posso esperar para ver o que o futuro da Marvel nos reserva, mas sei que vai ser bom!

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