7ª Arte

Rogue One: A Star Wars Story

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Rogue Oneé a primeira das antologias de Star Wars a chegar aos cinemas, é a primeira numa coleção de histórias (relativamente) independentes dos episódios que recontam as aventuras dos Skywalker. Realizado por Gareth Edwards, o filme mostra-nos como os Rebeldes que roubaram os planos que ajudaram a destruir a (primeira) Estrela da Morte.

A narrativa de Rogue One tem lugar pouco tempo antes dos acontecimentos retratados no episódio IV; no entanto, mantém a sua distância – imaginem isto como se se tratasse de um diagrama de Venn:

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É, temporalmente falando, muito próximo daquilo que já conhecemos e, obviamente, partilha o universo com os restantes filmes da saga. Paradoxalmente, deriva daquilo a que o franchise nos habituou: o drama familiar intergaláctico proporcionado pelos Skywalker. É então importante encontrar o equilíbrio entre as narrativas que já vimos (e adoramos) e a narrativa que estamos a presenciar pela primeira vez.

Rogue One acarreta e conclui esta missão de forma admirável! Presta homenagem ao universo mantendo alguns elementos que já reconhecemos como intrínsecos a Star Warse introduz outros elementos que acabam por dotar toda a saga com novo significado (mas já lá vamos).

Um dos elementos que permanece é o drama familiar – desta vez somos apresentados aos Erso. Jyn e Galen Erso (Felicity Jones e Mads Mikkelsen, respetivamente) são parte do que dá mote ao filme. Na sequência inicial, vemos Galen a ser “resgatado” do seu exilo por oficiais do Império, para que possa concluir a construção da arma de destruição maciça conhecida como Estrela da Morte, enquanto uma Jyn, de 5 anos, foge pela sua vida.

À semelhança da família do costume, a dupla de pai e filha tem o seu impacto na galáxia. Se sempre quiseram saber porque raio é que a Estrela da Morte tem um ponto vulnerável Galen dá-vos as respostas. Se sempre quiseram saber quem foi o responsável por roubar os planos da destruidora de planetas Jyn é a resposta.

Na minha mais honesta opinião, Galen Erso é o herói da Rebelião cuja existência não conhecíamos e merecíamos conhecer. Mas os holofotes estão apontados para Jyn Erso: este é o seu momento e esta é inteiramente a sua história.

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Jyn é quase o oposto de Luke. Luke é ingénuo e vive à margem da guerra civil que se trava na Galáxia. Jyn perdeu tudo graças a essa mesma guerra e tenta desesperadamente viver à sua margem enquanto se mete em todos os sarilhos possíveis. Mas, acima de tudo, é uma jovem desprovida de fé. No decorrer do filme vemo-la crescer e assistimos à sua viagem. Todos os passos que dá deixam-na mais próxima do seu destino final: a sua casa – algo que ela pensava que encontraria junto de seu pai, mas acaba por encontrar junto da Rebelião, recuperando a sua fé e dando tudo por uma causa que pensava estar perdida.

Felicity Jones é fantástica em todos os papéis que interpreta. Não consigo imaginar outra atriz a vestir a pele de Jyn Erso. Não há um momento em que questione as suas qualidades e em que não acredite em todas as palavras que profere. Deixa-me feliz ter uma atriz tão talentosa no papel de uma personagem feminina tão poderosa como Erso: complementam-se tão bem.

Jyn é a uma rebelde e incorpora o espirito da Rebelião. Contudo, uma Rebelião não pode, nem deve, ser apenas uma pessoa. Cassian Andor (Diego Luna) é uma personagem complexa e que espelha o lado da Rebelião que ainda não tínhamos conhecido. Acontece que Cassian também perdeu tudo para combater pelos rebeldes: a sua dignidade e a sua moral foram postas de parte porque o que realmente interessa é a vitória da Rebelião.

Jyn e Cassian completam-se brilhantemente sem caírem na armadilha de se tornarem um par amoroso – algo que eu agradeço vivamente. Juntos, voltam a ter esperança na causa que defendem e acabam por alcançar o seu objetivo lado a lado. Todas as suas interações são dignas de estudo, de apreço e dão-me vontade de comprar um bilhete para a próxima sessão disponível do filme.

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Todas as personagens secundárias merecem destaque. Todas sem exceção são singulares, importantes e capazes de criar laços afetivos com os espetadores. Saw Guerrera (Forrest Whittaker) tem pouco tempo de ecrã, mas cativa-nos e quem me dera saber mais sobre ele e a sua história. Bodhi Rook (Riz Ahmed) é o piloto que só quer fazer algo certo na sua vida e é adorável. K-2SO (Alan Tudyk), o droid, é sarcástico e dos melhores comic relief que já tive o prazer de ver no grande ecrã. Baze Malbus (Jiang Wen) é o badass de serviço, a meu ver, mas o seu melhor amigo, Chirrut Îmwe (Donnie Yen) não lhe fica nada atrás. Chirrut é um guerreiro cego e tem direito a algumas das mais incríveis sequencias de ação; para além disso, a sua relação com Baze é incrivelmente tocante: Chirrut é o crente enquanto que Baze é o cético – são quase como o Fox Mulder e a Dana Scully deste franchise.

Mas Star Wars também é feita de vilões e por isso tenho, inevitavelmente, de mencionar Ben Mendelsohn e o seu Orson Krennic. Mendelsohn é fenomenal e o seu Krennic beneficia disso – como se não bastasse ter uma narrativa interessante sobre ambição desmedida! Se fosse teatro a sua atuação teria recebido uma ovação. Resta-me dizer: BRAVO!

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Já que é para mencionar vilões: bem-vindo de volta, Lord Vader. Sentimos a sua falta! É sempre complicado pegar numa personagem tão icónica como esta, é preciso coragem para voltar a atirá-la para o grande ecrã. Mas Rogue One volta a conseguir o equilíbrio: o filme tem o seu vilão em Krennic, contudo, o Império tem a sua hierarquia e Darth Vader é, claramente, mais influente na dita cuja e isso fica evidente. Conseguem ainda a proeza de mostrar o quão poderoso é Lord Vader e algumas dos seus melhores momentos podem agora ser encontrados em Rogue One.

Se tivesse mais tempo falaria de Mon Mothma (Genevieve O’Reilly), de Bail Organa (Jimmy Smits) e de tantas outras coisas entre as quais leite azul. Mas como não tenho tempo vou dar uma palavra de apreço aos efeitos especiais: evoluíram tanto que agora temos pessoas feitas a computador que são credíveis. Graças aos efeitos especiais, Peter Cushing volta a vestir a pele de Grand Moff Tarkin (com alguma ajuda do ator Guy Henry) e Carrie Fisher faz uma pequena aparição com alguns anos a menos (auxiliada por Ingvild Deila).

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Rogue One é o primeiro filme a não ter uma banda sonora composta por John Williams. Até nisso este filme se distingue. Obviamente, os temas clássicos que Williams compôs estão lá, mas o maestro é Michael Giacchino e devemos louvá-lo por ter tido a audácia de criar algo tão familiar e simultaneamente tão único – tal como o filme que acompanha.

Depois de ver este filme sinto que Gareth Edwards é um homem que lida brilhantemente quando sob pressão. Tudo era difícil, no entanto, ele acertou em tudo e elevou a fasquia, especialmente, no último terço do filme. Acontece que Edwards mostrou-nos, finalmente, o preço desta guerra civil sobre a qual ouvimos falar desde 1977 e, como tal, Rogue One dá um novo significado a todos os outros filmes do franchise. Chegamos aos créditos com o coração nas mãos (e algumas lágrimas marcadas no rosto, se forem mais sensíveis) e com a perfeita noção da gravidade desta guerra. Essencialmente, deram-nos um filme de guerra com uma narrativa brilhante sobre esperança e eu não podia pedir mais. Fica desde já registado que Rogue One: A Star Wars Story é um dos meus filmes preferidos de Star Wars.

Episódio VIII, agora é a tua vez.

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