Música

CD’s

Permitam-me, antes de começar este texto, que me desloque até junto da minha aparelhagem e troque o CD. Este dos GNR já terminou e acho que os Ornatos Violeta podem dar agora uma boa banda sonora. É só um segundinho…Vêem como foi rápido?

Sofia Costa Lima - CD's

Sempre que me perguntam em que produtos gastaria dinheiro se ganhasse o Euromilhões, a minha resposta é, após mencionar as propinas e a renda da casa, livros e CDs. Sim, eu sou uma pessoa dessas, que lê e que gosta de ouvir música vinda dessas coisas redondas às quais chamam CDs. Que antiquada!
É possível que a culpa seja da minha mãe e de um dos meus tios, mas não há dia em que eu entre numa loja onde se vendam CDs e não perca pelo menos quinze minutos a olhar para uns quantos exemplares que ainda não tenho e que gostava de adquirir. Recentemente, tive a sorte de encontrar três álbuns dos U2 à venda e, ao reparar nos preços, fiquei tão chocada que perguntei a um dos funcionários da loja se aqueles preços estavam correctos: estavam. Dois dos álbuns custavam 0,99€ e o outro 2,90€. Não mais os larguei. Encontrar bons álbuns desta forma é como um Natal antecipado!
Sei que não é muito comum encontrar jovens desta geração com tão grande paixão a álbuns físicos, mas não se iludam: eu utilizo o Spotify desde o dia em que chegou a Portugal! O Spotify é a minha companhia musical em tantos dias e adoro-o. É uma maravilha ter milhares de músicas disponíveis num só local e acho que o Spotify só mudou a minha forma de encarar a música em formato físico num ponto: cada vez mais me apetece comprar álbuns! Quando um álbum toca mais de três vezes por dia no meu Spotify, então é garantido que eu vou ficar cheia de vontade de o comprar para o ter a tocar três — ou mais — vezes por dia na minha aparelhagem.
Adoro aquela coisa de tirar o plástico à volta da caixa do CD, abrir, sentir aquele cheiro a novo — não, não são só os livros que cheiram a novo —, pegar no CD e metê-lo a tocar pela primeira vez. Este ano, por exemplo, andavam os fãs dos Linkin Park todos a comentar as músicas, que ouviam graças aos downloads ilegais, e eu a aguardar heroicamente a chegada do exemplar do álbum que adquiri em pré-venda. E a primeira vez que o ouvi foi em formato físico! Claro que também faço downloads, que não sou nenhuma santa, mas, quando sei que vou comprar um álbum pouco depois de ele sair, espero para o poder ouvir. Ou então uso plataformas de streaming para o ouvir vinte vezes seguidas — o álbum dos D.A.M.A tocou dezenas de vezes seguidas durante um mês e meio no meu Spotify até eu o conseguir comprar.
Quando se ouve uma música em formato digital e depois em CD, há sempre milhares de pormenores que notamos: seja uma guitarra que tem um som mais alto do que aquilo que parecia, seja um grito ao fundo, ou mesmo um solo de ferrinhos. Há pormenores que só se ouvem quando temos acesso a essas coisas redondas.
Se um dia ganhar o Euromilhões, vou construir uma biblioteca e uma discoteca privadas. Enquanto isso, se me quiserem oferecer crédito ilimitado para comprar mais música, tenho ali uma lista de umas dezenas de álbuns que quero mesmo comprar. Só para juntar à discografia completa dos GNR — que é da minha mãe — e outras que tais. É que não há nada neste mundo que se iguale à sensação de ouvir um álbum, físico, pela primeira vez. É um momento quase mágico: fica-se sentadinho, quieto, olhos fechados e a música a tocar. Naquele momento o mundo é perfeito. Ou quase.

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