Dia da Defesa Nacional

Como o azar calha a todos, este ano foi a minha vez de ir ao famoso Dia da Defesa Nacional. Espero que por escrever este artigo não vá parar ao topo da lista de contacto da primeira leva para a guerra.

Juventude, se são perspicazes já perceberam que não sou – de todo – de acordo com a obrigação do Dia da Defesa Nacional (DDN), no entanto é importante tornar claro que não tenho absolutamente nada contra as Forças Armadas, sou-lhes muito grata, não se trata de pacifismo extremo. Simplesmente acho que um dia inteiro a ouvir palestras dadas por oficiais que, na sua maioria, estavam lá porque estavam “de castigo” – palavras deles, não estou a inventar nada – nem me convence a ir para as Forças Armadas, nem me acrescenta informações úteis.

Tal como todos os oficiais conseguiram prever, qualquer tipo de conhecimento que possam ter transmitido foi completamente eliminado da minha memória por um motivo muito simples: nem estou interessada neste campo, nem são informações de que necessite para a minha vida. E é neste ponto que me foco para defender que o DDN é interessante e útil, mas como um dia opcional. A verdade é que saber que esta opção existe é bastante útil, apesar de discordar por completo, muitas pessoas consideram o ingresso nas Forças Armadas uma carreira interessante. E graças a Deus, porque pessoas como eu precisam que outras pessoas queiram fazer aquilo que nós não queremos. Mas, opiniões à parte, são necessários candidatos e a instituição oferece condições que muitos não encontrariam em outros lugares. Especialmente em momentos de maior fragilidade económica, as Forças Armadas oferecem um porto de abrigo que poucos outros sítios conseguem oferecer. No entanto, o DDN não é a melhor maneira de apresentar esta oferta. Aliás, todos os oficiais, sem exceção, que falaram comigo disseram que tinham detestado o seu Dia da Defesa Nacional, o que apenas comprova que o Ministério da Defesa deveria rever uma coisinha ou outra para ou abolir este dia ou modificá-lo. A verdade é que os únicos fatores que me levam a dizer que o meu dia foi mais tolerável do que estava à espera são que o meu oficial – que abriu o dia a dizer que estava ali porque disse à psicóloga que ela era “podre de boa” e que “a queria comer” – estava-se pouco borrifando para as regras; e porque metade dos oradores se baldaram, portanto fui para casa 1h mais cedo.

A primeira mudança que sugiro é retirar imediatamente do horário o tempinho para a insanidade de entregar G3’s para a mão de pessoas de 18 anos como forma de os cativar ou divertir. Bem sei que não estão carregadas e por isso a segurança não está comprometida, mas – chamem-me louca – preferia não ter uma espingarda automática apontada para mim. Não sei como é que passou a ser considerado divertido e aceitável “brincar” com armas reais que já mataram pessoas reais. São armas de fogo. São máquinas desenhadas para matar em massa. No entanto, todo o palerma pega nelas como se fossem pistolas de água. Faz-me impressão, desculpem. E eu gosto tanto de humor negro quanto o próximo engraçadinho, mas piadas como “os capacetes do exército à partida protegem-vos de qualquer pancada ou tiro, mas se não protegerem… olha azarinho, mandamos uma bandeira para a vossa família”, são piadas que não me entretém.

Não obstante, este artigo não teria razão de ser caso o Dia da Defesa fosse um dia aberto ao estilo das faculdades ou uma pequena palestra nas escolas. Nesse caso, nada contra. As meninas e os meninos coravam e comentavam os soldados e o seu fetiche por fardas, ao mesmo passo que outros sonhavam tornar-se o GI Joe.

Artigo revisto por: Ângela Cardoso

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