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Ebooks vs Tradição

Há uma nova tendência no mundo dos livros: os ebooks. Já todos ouvimos falar deles, mesmo que ainda não os tenhamos experimentado. Há quem diga que não têm futuro, mas algumas vozes afirmam que é o fim dos livros em papel. Cá por mim, nem tanto ao mar nem tanto à terra…

Como leitora assídua, o acto de ler constitui para mim uma espécie de ritual. Passar a mão pela capa, passar os dedos pelas folhas até descobrir em que sítio estava e, por fim, retomar a história. O cheiro das páginas é dos meus preferidos. Se as páginas são mais grossas e polidas, quase plásticas; se são de papel puro, fino, quase amarelecido; se é um livro novo; se é um livro antigo, há muito perdido na prateleira… Em cada caso, as páginas têm um aroma diferente e adoro, no meio da leitura, encostar o nariz ao livro e inspirar profundamente, quase mergulhando nele. Até o acto de marcar as páginas se torna simbólico: como perco sempre o marcador, uso uma carta de jogar, um post it, uma etiqueta da roupa…

Além disto, ao contrário da maioria das pessoas, que têm todo o cuidado para não macular os livros, eu gosto de notar neles as marcas de leitura. As rugas na lombada, de tanto serem abertos, a capa gasta… Não acho que mostre desrespeito, mas, sim, carinho: é uma prova de que aquele livro foi lido e amado.
Todo este ritual contribui para que crie uma relação quase pessoal com o livro, que me acompanha sempre, mesmo que eu saiba que não vou ter tempo para ele.

Todos estes hábitos são um pouco mais difíceis se estivermos a ler num dispositivo electrónico; se quiser passar a mão pela capa, o mais normal é fazer com que ela desapareça ou abrir outra coisa qualquer. Não tem piada cheirar as páginas: o vidro cheira sempre ao mesmo, independentemente do livro que estiver a ler. As marcas da leitura reduzem-se a dedadas no ecrã, que podemos limpar com um lencinho. Além de que, para mim, a leitura no ecrã é muito mais cansativa.

Isto não quer dizer, claro, que acho que os ebooks são só defeitos! Pelo contrário. Percebo perfeitamente quem os prefere, visto serem mais leves, mais baratos… E a realidade é que não prejudicam em nada os benefícios da leitura; afinal, estamos a absorver igualmente o seu conteúdo. E ocupam muito menos espaço na estante…

Apesar destas qualidades, não acho que me vá habituar e, muito menos, tornar fã dos ebooks. Até porque têm uma grande desvantagem, equiparável ao conjunto das restantes qualidades: é que os livros não ficam sem bateria. E essa é uma das suas grandes belezas, visto serem dos poucos meios de entretenimento hoje em dia que não precisam de carregar. Eu sei que se estiver numa fila três horas não posso contar com o telemóvel, porque eventualmente a barrinha vai começar a ficar vermelha e deixa-me pendurada. Com os livros, o único perigo é chegarmos à última página. E, nesse caso, podemos sempre levar outro.

Não tenho nada contra os ebooks, não acho que sejam bons ou maus. Simplesmente não são para mim.

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A Inês Rebelo tem 19 anos e está no primeiro ano de Jornalismo. Começou a ler com 4 anos e a escrever as suas criações com 9, sendo que foi sempre esta a sua grande paixão. Fez teatro durante oito anos, gosta de ler e, embora não interesse a ninguém, tem três tartarugas. Também gosta de cantar, mas para isso não tem muito jeito. Na ESCS MAGAZINE integra as equipas de Correcção Linguística e de Literatura, e escreve com o Antigo Acordo Ortográfico.

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