Música

Eminem: Quer a “Cancel Culture” calar o Rap God?

Marshall Mathers, mais conhecido por Eminem, foi alvo da “cultura de cancelamento”. A música “Love the way you lie”, cantada pelo rapper e por Rihanna, lançada em 2010, foi agora alvo de críticas. Um utilizador da rede social Tik Tok lançou a ideia de “cancelar” o rapper devido à letra da música.

Eminem in the video for ‘Tone Deaf’. CREDIT: YouTube/Eminem

Na perspetiva do utilizador que faz parte da Geração Z, a geração nascida entre a segunda metade dos anos 1990 e o ano de 2010, a canção contém uma linguagem agressiva e ofensiva contra as mulheres.

A campanha contra Eminem na rede social Tik Tok teve início no mês de fevereiro, quando o mesmo utilizador publicou um vídeo com a parte da música que considerava ofensiva. Rapidamente, o vídeo tornou-se viral.

Eminem via YouTube

Em resposta, Eminem decidiu partilhar a letra de uma das suas músicas mais recentes. Desta forma, tentou mostrar que não pretende calar a sua arte, nem parar de ser autêntico na sua música.

@Eminem via Twitter

Muitos internautas consideraram o lançamento desta música uma provocação. Várias críticas surgiram nas redes sociais, tal como o uso do hashtag #CancelEminem.

O ódio ao cantor surgiu na Geração Z; no entanto, muitos desta geração também são fãs  de Eminem e veem-no como uma forte influência no mundo do rap. Alguns dos seus seguidores têm-se insurgido contra esta “cultura de cancelamento”, que tentou punir o artista por coisas ditas no passado.

A “cultura de cancelamento” começou com o Stan Twitter, uma comunidade de utilizadores da rede social que partilham opiniões relacionadas com música, celebridades, programas de TV, filmes. Estas pessoas discutem a vida pessoal das figuras públicas.

A origem do termo stan está relacionada com a canção “Stan“, do ano 2000, cantada por Eminem e pela cantora britânica Dido, acerca de um fã obcecado pelo rapper.

O surgimento da “cultura de cancelamento” corresponde a uma tentativa de bloquear determinadas celebridades ou figuras públicas que possam ter dito ou feito algo ofensivo.

A reação pública é alimentada por aquilo que se diz nos meios de comunicação social, sobretudo na Internet. Seguem-se os apelos para cancelar a pessoa, isto é, acabar com a sua carreira.

Cancelar a cultura é uma forma de silenciar vozes e de proibir a livre troca de ideias. Colocar limitações à cultura é limitar o pensamento e uma existência livre.

Quem também condena esta forma de censura é o cantor Corey Taylor, vocalista dos Slipknot, banda americana de metal formada em 1995 que não percebe como isto pode acontecer nos dias de hoje.

Em entrevista à rádio norte-americana KLOS, Corey Taylor mostra ser contra esta “cultura de cancelamento”. “Quando as pessoas não percebem as diferenças entre metáfora e realidade é porque estamos metidos num grande sarilho”, diz.

O cantor não nega que há coisas que são ditas que podem facilmente ofender algumas pessoas. Contudo, vê com negatividade o facto de já não se poder dizer piadas. “Já não há sátira; já não há ironia. Tudo é raiva”, finaliza Corey Taylor na mesma entrevista.

Será esta cultura de cancelamento perigosa? Estará o mundo da cultura a perder a sua liberdade de expressão? Para estes artistas, a solução não é aceitar que os cancelem, mas continuar a fazer ouvir a sua voz.

Por Joana Nunes

Artigo revisto por Miguel Bravo Morais

Imagem de capa / Créditos: Eminem.Pro

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