Literatura

ENTREVISTA – Luísa Fortes da Cunha: “O sucesso é sempre uma incógnita”

Luísa Fortes da Cunha é já um nome forte da literatura infanto-juvenil portuguesa. Aos 55 anos, Luísa, formada na área da Educação Física, é a autora dos famosos livros da colecção “Teodora”, que já vendeu milhares de exemplares em Portugal e que está também publicada no estrangeiro.

Como é que a Educação Física se cruza com a escrita?

Ter como formação a área da Educação Física não é tão estranho assim. Posso até acrescentar que, se não tivesse ido para a Faculdade de Motricidade Humana, talvez nunca tivesse chegado à escrita. Foi na Faculdade que o Professor Noronha Feio, ao leccionar uma cadeira sobre o povo português, me fez apaixonar pelas lendas, tradições e superstições portuguesas. Temas que estão na base dos meus livros.

De onde veio a ideia para a Teodora?

A ideia de criar a personagem Teodora nasceu em 1999, isto é, três anos antes do lançamento do primeiro livro, “Teodora e o Segredo da Esfinge”. Teodora dá corpo a uma lenda popular que diz que a sétima filha nascida de um casal se transforma em fada quando atinge os 12 anos. Teodora é também uma mistura de alquimista de várias tradições: a portuguesa, escandinava, germânica e a celta.

 

Que trabalho de pesquisa e ideias existe antes de começar a escrever uma nova aventura da Teodora?

Fiz muito trabalho de investigação sobre lendas e superstições portuguesas, li vários autores que nos falam de contos tradicionais e de etnografia.

O trabalho de pesquisa passa muitas vezes pela história, geografia, por mitos e lendas de um determinado país onde quero colocar a minha estória. A ideia base da estória começa por um mistério, um enigma existente num determinado local. Depois, a pesquisa serve para explorar esse mistério até ao ínfimo pormenor.

 

É fácil conciliar a escrita com o trabalho como professora e, ainda, com o tempo para tarefas domésticas e para a família?

Como sou professora e mãe, o tempo que me resta para escrever resume-se aos fins de semana, às férias e ao fim do dia, depois de todas as tarefas domésticas estarem terminadas. Tenho de ser muito disciplinada e organizada em tudo o que faço. Uma boa gestão do tempo é fundamental e a prova disso são os 15 livros que já escrevi em 12 anos.

 

Esperava o sucesso que os sucessivos livros têm tido, incluindo serem publicados no estrangeiro?

O sucesso é sempre uma incógnita, mas claro que, ao escrevermos um livro, temos sempre uma réstia de esperança de que ele seja bem recebido pelos leitores.

 

Sei que esteve recentemente na Austrália a promover os seus livros e a literatura portuguesa. Como foi essa experiência?

Foi sem dúvida uma viagem enriquecedora, com imensas e fantásticas histórias para contar. A intenção foi promover e divulgar a língua e a cultura portuguesas, proporcionar aos alunos de Português o contacto com uma escritora portuguesa e inculcar-lhes o gosto pela leitura e a escrita.

Visitei algumas escolas públicas e comunitárias, em três cidades australianas: Melbourne, Camberra e Sydney. Fiz apresentações em três Universidades, dei uma aula a uma classe de Diplomatas – embaixadores e cônsules – de vários países e fiz uma comunicação para professores catedráticos australianos, que ficaram muito interessados na divulgação da nossa língua.

 

Qual foi a reação geral perante os seus livros e a sua presença?

Posso dizer que fui muito bem recebida e que os jovens luso-descendentes ficaram muito interessados nos meus livros.

Aquilo que mais me surpreendeu no país foi a sua multiculturalidade.

 

Quem são as suas grandes influências e inspirações literárias?

As minhas influências passam primeiro pelas minhas leituras de infância, nomeadamente os livros dos Cinco, da escritora Enid Blyton. Depois, baseei-me muito nas leituras que fiz sobre lendas, etnografia e contos tradicionais de alguns autores portugueses como Teófilo Braga, José Leite de Vasconcelos, Adolfo Coelho e Conciglieri Pedroso.

Também as brincadeiras de infâncias e as minhas viagens têm grande influência no que escrevo.

 

Que projetos literários tem para o futuro?

O próximo projeto será um romance para young adults, que estou a contar que seja publicado em 2015, e que é uma história de amor que começa em Lisboa, quando a personagem feminina (Beatriz) recebe uma máquina fotográfica do marido que falecera há dois anos…

Conto também ter na próxima Primavera a próxima aventura da Teodora. Inevitavelmente, a estória vai passar-se na Austrália. Mistérios não vão faltar.

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