És feliz. Eu sou forte.

Destruíste-me. Obrigada. Hoje estás feliz… com ela. E eu ainda choro a dor de o sonho se ter desmoronado. Nunca acreditei em sonhos; a irrealidade transtorna-me, mas tu fizeste-me acreditar que era possível viver um sonho na vida real. Era tudo mentira. Foste a maior falácia viva da minha vida. Hoje és verdade, porque a dor e a tristeza são verdadeiras e porque o maior mentiroso do mundo acaba sempre por se revelar na mais dura verdade.

As lágrimas são uma expressão de dor, mas também podem simbolizar a liberdade. Elas foram a minha companhia naqueles longos dias de tristeza e hoje ajudam-me a libertar de ti e de tudo o que de mal trouxeste. A vida é muito mais do que a mentira, mas não é fácil viver com a verdade. E essa é só uma: mascaraste o amor, traíste, mentiste e foste feliz no final. Parabéns! Provaste que os filmes são apenas cenas encenadas, muito longe da realidade. E ainda mostraste que o mal vence.

Poucos dias depois de um fim, o recomeço… para ti. O mundo parou para mim. A mentira corrói-nos sem rancor nem pena. Mas é isso que se sente por uma mulher enganada? Pena? Ok, então que fique a mentira a corroer-me em vez de a pena ganhar lugar no olhar deles. “Estou bem; feliz”. Muitas mentiras para construir a fachada da alegria pós-fim da relação. O luto de ti tinha de ser feito em silêncio, sem perguntas, sem penas, sem perguntas.

As pessoas costumam prever a dor dos outros. “Foi enganada e está a sofrer. Coitada.” Sabes o que é pior do que teres encontrado outro “amor”? Teres mentido em cada “amo-te”, em cada “para sempre”. Nunca me amaste, mas eu amei-te e ainda sofri. Já viste tudo o ganhei contigo? Já viste a minha sorte de poder ter amado verdadeiramente alguém, chorar a dor e poder ultrapassar tudo isso? É uma sorte, porque aprendi alguma coisa e ainda pude amar. E que bom que é amar alguém.

És feliz, mas eu sou forte. Não sou de ferro, mas sou de pedra; daquela que não parte. És feliz numa nova mentira que criaste. Eu sou forte na minha verdade.

Contigo aprendi que a raça humana pode ser cruel. Lemos isso em livros, reportagens e documentários, mas nunca cremos até nos tocares – outro problema da raça humana. Mostraste-me a facilidade que um homem tem para mais facilmente mudar de mulher do que camisa. Realmente a camisa custa dinheiro e é fácil comprá-la. Já a mulher custa tempo. Tempo que uma pessoa superficial como tu não sabe dar.

Quando me voltares a ver reconhecerás no meu rosto o mesmo olhar, mas a expressão será diferente. Não vais ver uma mulher rancorosa e infeliz, mas terás sim à tua frente uma fortaleza na qual tu já não tens lugar, nem nunca – aquele nunca que leva uma vida inteira – voltarás a ter.

O ser humano é feito de escolhas e erros e é com eles que vive toda a vida. Tu escolheste o caminho fácil, mas eu nunca tive medo das pedras no caminho nem das quedas. Feridas mais profundas ou mais superficiais acabam todas por sarar, mas viver numa mentira acaba por nos matar.
És feliz? Parabéns! Eu sou forte.

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