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Herberto Hélder. No fim ficam as palavras

Diz-se que, por cada poeta que morre, devia nascer um avião cheio de pessoas com novas ideias para mudar o mundo. No dia em que o país tomou conhecimento da morte do “poeta misterioso”, caiu um Airbus nos Alpes Franceses. O mundo ficou com os olhos postos nos destroços do 4U-9525, o país ficou com as palavras do escritor que recusava prémios e não dava entrevistas.

Herberto deixou a tinta a frase que descrevia a sua relação com a morte: “Só morremos de nós mesmos”. A morte sempre foi assunto para o poeta, que nasceu no começo dos anos 30 do século passado e que na segunda-feira viu pela última vez o nascer do dia. Herberto foi tudo da vida: colaborador da Emissora Nacional, bibliotecário, tradutor, escritor. Homem de muitas palavras escritas e de poucas faladas.
Considerado o melhor poeta português da segunda metade do século passado, Herberto era um génio, mesmo sem querer ser. Era pequeno demais para considerar merecer prémios pela sua obra. Acabou por recusar receber o Prémio Pessoa de 1994 -pediu ao júri para que entregasse o prémio “a outro”-, mas mereceu a homenagem de dois diários nacionais nesta terça-feira (o Público e o Jornal i).

No fim de tudo, ficam os poemas e a alegria de quem os lê.

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