7ª Arte,  Secções

Jaime Lourenço: “As histórias que o cinema nos traz marcam a nossa vida, por isso já conquistaram os nossos corações. O meu, pelo menos, sim”.

Jaime Lourenço é aluno de Mestrado de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, onde anteriormente tinha passado pelo curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. O cinema, uma das suas grandes paixões, é agora o motor do início da sua vida profissional, uma vez que está a estagiar no programa Cinebox, da TVI 24. Aceitou dar-nos esta entrevista, na qual reflete sobre o seu percurso académico e o princípio do profissional, a sua passagem pela ESCS e a organização da conferência Comunicar O Cinema, e ainda sobre os sonhos que tem para realizar no futuro, que está agora apenas a começar.

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O cinema é a tua grande paixão?
É uma das minhas paixões. O cinema é uma forma de contar histórias diferente. Aliás, foi a primeira arte proveniente de uma forma técnica, se podemos dizer assim, e gosto bastante. E as histórias que o cinema nos traz marcam a nossa vida, por isso já conquistaram os nossos corações. O meu, pelo menos, sim.

Falaste das artes de forma técnica. Além do cinema, tens alguma outra preferida?
Tenho outra paixão, se calhar, que é a música, de certa forma, mas aliada ao teatro, portanto teatro musical. É outra das minhas “pancas”! Acho que é raro haver pessoas que gostam mesmo, mas eu gosto! É como em tudo: há coisas bem feitas e outras mal feitas. Mas há muitas coisas muito bem feitas!

Estás atualmente no Cinebox, da TVI 24. Conta-nos como foi o processo…
Estou a estagiar lá durante três meses. Como tudo se processou: basicamente, eu optei por fazer Relatório de Estágio para o meu trabalho final de Mestrado, e, claro, tínhamos de fazer um estágio, e a direção do Mestrado, a professora Anabela (Sousa Lopes) conseguiu-nos esse estágio. Estou a adorar a experiência!

Era mesmo o que querias?
Sim, é mesmo o que quero, porque é o único programa de televisão produzido na íntegra por uma redação de jornalistas, transmitido num canal de notícias, num canal informativo, por isso é o único sítio que há para isto.

Preferias jornalismo de cinema na televisão, ou já pensaste na rádio, na imprensa…?
Rádio… não sou nada de rádio! Há pessoas que dizem que sim, mas eu acho que não. Da imprensa, gosto bastante, aliás, todo o meu percurso é praticamente só imprensa, a televisão só há dois ou três anos é que começou a mexer, mas acho que também é por causa da paixão pelo cinema, o facto da imagem e tudo isso, que depois prefiro também a parte da televisão, e estar a montar peças e tudo isso é muito engraçado. Eu estou feliz neste momento a fazer este estágio, apesar de ser não-remunerado, mas estou muito contente com as pessoas com quem trabalho, com o trabalho que tenho feito…

Mencionaste que o estágio não é remunerado. Como é que te sentes em relação a essa situação?
Bem, já é uma situação em que temos de saber viver com isso, porque não há quase forma de mudar isso no nosso país. Neste momento, como experiência, estou a gostar! Acho que mesmo que todos os estágios fossem remunerados e este não fosse, acho que escolhia este só pela experiência em si. Mas de facto é um momento mau que estamos a viver e não há perspectiva de termos melhorias.

Conta-nos agora como foi o teu primeiro dia no estágio.
O meu primeiro dia foi basicamente conhecer os cantos à TVI, conhecer exatamente o trabalho que ia fazer, e comecei por fazer testes, ou seja, “vamos fazer um teste de voz-off para ver como é que te safas”, “vamos ver como é que escreves para televisão”, mais ou menos isso, não foi muito cansativo…

Esses testes foram logo feitos com os teus colegas, a Maria João Rosa e o Vítor Moura?
Sim, sim, sim, aliás, só trabalho com eles! O programa é feito por eles (e por mim, neste momento), e sim, somos três pessoas que fazem um programa semanal, e quando eles não têm nenhum estagiário são eles os dois que fazem um programa semanal inteiramente. É quase surreal isto acontecer hoje em dia e com a falta de emprego que há… Eu já aprendi muito com eles, entretanto, e são duas pessoas fantásticas e com que aprendemos mesmo, ou seja, se calhar por também ser um  programa à parte da redação, não há aquela energia toda, aquela adrenalina normal da redação. Eles têm mais tempo para olhar para mim, para ver aquilo que eu estou a fazer e para me dar dicas, apesar de também estarmos sempre a correr, porque numa semana, para um programa de meia-hora, é preciso muito tempo e chegamos às vezes a sair de lá de noite, e é isso!

Já tiveste assim alguma experiência em que tivesses ficado mesmo muito entusiasmado, enquanto fã de cinema, como conheceres algum autor ou algum produtor de que sejas fã?
Não, isso ainda não aconteceu porque também neste momento estou em preparação para “sair para terreno”, ou seja, já estou a acompanhar, por exemplo, a Maria João Rosa nas reportagens dela, mas ainda não vou eu sozinho. Estou muito contente, por ter trabalhado nestas últimas semanas as peças todas sobre o Star Wars.

Ainda que não tenhas conhecido nenhum ator nem produtor, quais é que eram aquelas pessoas que gostarias muito de conhecer?
Atriz… Anne Hathaway. Ator… não sei, porque há tantos… Vá, Meryl Streep também, mas a Meryl Streep é aquela que toda a gente quer conhecer… Pronto, Anne Hathaway e Meryl Steep de certeza.

E relativamente à parte mais técnica, realizador e diretor, tens algum cujo trabalho acompanhes frequentemente?
Sim, por exemplo, estou muito curioso agora para ver o novo trabalho do Tom Hooper, que é A Rapariga Dinamarquesa, com o Eddie Redmayne – Eddie Redmayne! Sim, lá está um que gostava de conhecer! E a Emma Watson, o Daniel Radcliffe e todos os do Harry Potter… Ia desmaiar um pouco se os fosse entrevistar, mas… (risos).

Achas que isso nos vai acontecer? Que mesmo com toda a preparação que vamos tendo, vamos chegar a uma altura e vamos desmaiar quando estivermos em frente ao nosso ídolo?
Não sei… Só a ocasião o dirá, mas já entrevistei algumas pessoas que se calhar nunca na vida estava à espera de entrevistar, como por exemplo o Mário Augusto, o Vítor Moura, a Maria João Rosa, jornalistas ligados ao cinema. Também já fiz cobertura de passadeiras vermelhas em eventos ligados ao cinema, aliás, para a ESCS MAGAZINE, e, claro, foi sempre ali uma dinâmica muito interessante, podermos estar com pessoas se cujo trabalho nós gostamos, não só do jornalismo mas também em termos de atores, e isso dá-nos ali aquele momento de “OK, o que é que vai acontecer, o que é que não vai acontecer”, mas depois levantamos a identidade de jornalistas que há em nós e enfrentamos ali o momento (risos).

Dentro da tua paixão pelo cinema, já organizaste aqui, na ESCS, uma conferência: Comunicar O Cinema. Como é que foi essa experiência para ti?
ssa experiência foi uma loucura! Aliás, uma das muitas loucuras, mas talvez a maior, porque já deves ter percebido que, ao longo da minha vida, têm sido só loucuras, e esta foi talvez a loucura maior. Basicamente, eu já sabia que queria trabalhar jornalismo de cinema para a minha tese, o meu trabalho final de mestrado, então comecei a procurar coisas. Não havia coisas, e não há ainda coisas…

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Porque é uma área mal explorada em Portugal?
Sim, e talvez mesmo até não explorada, porque não há praticamente nada! E eu começo a deprimir-me, e de repente surge uma ideia: “Mas espera lá, isto se calhar dava para fazer uma coisa gira, com convidados giros e tal”. Mas depois eu começo a lembrar-me de mais coisas. “’Pera lá, e se alargássemos isso aos vários campos da ESCS? Temos Publicidade e Marketing, temos RP… Se calhar podemos fazer aqui uma coisa gira”. Mais dinâmica. E começam depois a surgir-me outros nomes, outras ideias, e é um puzzle que se vai construindo. Depois trouxe a ideia à ESCS, que adorou, e andei ali uns meses a trabalhar no duro naquilo. Acho que correu muito bem, foi um projeto muito interessante.

Achas que serviu para abrir um bocadinho os olhos para o facto de que o jornalismo de cinema é uma área em que se pode e deve?

Sim, acho que não só o jornalismo de cinema, mas também a publicidade para cinema, as relações públicas para cinema, e acho que deixou pelo menos as pessoas a pensarem um bocadinho nisso e em como o cinema está hoje em dia, que também não é a forma ideal. Acho que a conferência nos permitiu ter ali uma perspectiva de como as coisas estão e de como podem se calhar vir a estar se trabalharmos para isso. Depende de muitos fatores, o facto de não haver nenhuma publicação especializada em cinema hoje diz muita coisa, e, lá está, o Cinebox da TVI é o único programa de cinema com uma redação, porque o da RTP é produzido com uma produtora externa à RTP.

Achas que a ESCS prepara bem os alunos que queiram ir para jornalismo de cinema ou que se concentra mais em vertentes da política, do direito, da economia…?
Não sei, eu acho que a ESCS forma os alunos de uma forma mais generalista e não está focada para especializações em si. Aliás, não há nenhuma cadeira de jornalismo cultural, e já não vou para jornalismo de música, jornalismo de cinema… aliás, tem jornalismo literário, mas pronto, é uma especialização entre um leque vasto. Mas, atenção, não digo também que a formação seja má, mas é geral!

Onde é que te vês daqui a cinco anos?
Essa é uma pergunta difícil, porque, tendo em conta como as coisas estão, como estava a dizer há bocado, é difícil prever. Eu gostava de que fosse a fazer jornalismo de cinema. Cá em Portugal, porque, se todos formos lá para fora, o que é que fica cá? E se as coisas já estão mal, se formos todos para fora isto ainda acaba pior. Por isso acho que vou tentar cá, vamos ver, só o tempo o dirá.

E previsões para os melhores filmes que vão estrear no próximo ano?
Para 2016… Aliás, para esta temporada! Melhores filmes: vai estrear no último dia deste ano, mas conta já como o ano seguinte, que é A Rapariga Dinamarquesa, tens o Carol, tens o Youth (que entretanto acho que já estreou), o do DiCaprio não sei até que ponto lá irá, porque o DiCaprio está amaldiçoado para o resto da vida, e também não acho que vá ser com este filme que lá vai, vamos ver!

Foi este o testemunho de Jaime Lourenço. O seu estágio e a sua experiência no mundo do cinema vão continuar. Se quiseres continuar a acompanhá-lo mantém-te atento ao Cinebox, todos os Domingos, na TVI 24.

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Jéssica Rocha nasceu a 27 de Março de 1995, em Lisboa. Fazendo jus às características do seu signo, Carneiro, é de uma teimosia extrema, muito competitiva, criativa e com vontade de melhorar e fazer sempre mais e melhor. Durante a infância quis ser médica, veterinária, professora, bailarina e até bombeira, até chegar ao 9º ano e perceber que era pelas Línguas que o seu futuro passaria. Concluiu o 12º ano na Escola Secundária de Gago Coutinho, em Alverca. Está actualmente no curso de Jornalismo na ESCS e divide o seu tempo entre as aulas, os vários núcleos da faculdade, os amigos, a família e a sua maior paixão - escrever as suas histórias.

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