Desporto

Meio século depois, o grito de campeãs volta a ouvir-se na Luz

O voleibol feminino do Benfica viveu uma época de sonho, digna de ficar gravada na história do clube. Quase meio século depois do último título, as águias voltaram a levantar o troféu de campeãs nacionais, num percurso cheio de reviravoltas, sofrimento e afirmação de uma geração maioritariamente jovem.

A temporada começou com um aviso sério à concorrência: uma vitória na Supertaça frente ao Porto por 3-1, depois de terem perdido com as mesmas adversárias na final da Taça Ibérica. Nesse encontro, as estrangeiras Kyra Holt e Cansu Çetin destacaram-se desde início, marcando 19 e 15 pontos, respetivamente, mostrando que seriam peças fundamentais ao longo da época. No campeonato, porém, a entrada não correspondeu às expectativas, com apenas um triunfo nos primeiros quatro jogos, até chegar novembro, mês que marcou o início de uma longa série vitoriosa que se estenderia até fevereiro.

No fim da fase regular em formato de liga, o Benfica fechou no segundo lugar, apenas a um ponto do Sporting, resultado que deixava tudo em aberto para os playoffs. O caminho aparentava ser exigente, mas as encarnadas foram verdadeiramente dominadoras até à final: eliminatória impecável frente ao Vitória de Guimarães, com duas vitórias por 3-0, e novo registo perfeito frente ao Porto, com três triunfos também por 3-0.

Na final, frente às guerreiras do Minho, o cenário mudou e a exigência subiu vários patamares. O primeiro jogo, na Luz, foi decidido apenas no quinto set a favor do Braga (3-2), e em Braga as encarnadas voltaram a sair derrotadas, deixando as minhotas a uma vitória de um título inédito. As duas formações regressaram então ao pavilhão nº 2 da Luz para um jogo de tudo ou nada para o Benfica, que respondeu à altura: triunfo por 3-1, com entrada forte no primeiro set, resposta das bracarenses no segundo e reação decisiva das encarnadas nos dois últimos.

Impulsionadas por essa vitória, as jogadoras benfiquistas tomaram completamente conta do quarto jogo, vencendo por claros 3-0 e empurrando a decisão para o jogo decisivo marcado para 8 de maio, novamente na Luz. Com o pavilhão esgotado, o ambiente foi frenético, com as duas equipas a alternarem triunfos nos primeiros quatro sets e a chegarem empatadas ao quinto set (2-2). No set final, o Braga entrou mais forte, mas o Benfica voltou a encarnar o espírito de sobrevivência da final e virou o resultado, garantindo não só a vitória no encontro, como o décimo campeonato nacional, quebrando um jejum de 50 anos desde a conquista das míticas “Marias”, em 1975.

Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Para coroar a temporada, as encarnadas conquistaram ainda a Supertaça 2025/26 frente ao Sporting, selando um ano em que dominaram o panorama nacional da modalidade. Tudo isto foi possível graças não só a um coletivo coeso, mas também ao brilho de várias individualidades que se afirmaram ao mais alto nível.

Entre elas destacou-se a norte-americana Kyra Holt, ex-jogadora do Porto, que se assumiu como maior pontuadora da equipa, com 583 pontos em todas as competições, e segunda melhor pontuadora de todo o campeonato, com 456 pontos. As irmãs Garcez, Joana e Mariana, também tiveram um papel determinante: Mariana foi utilizada em todos os jogos, muitos deles como titular, impondo o seu talento apesar dos apenas 20 anos, enquanto Joana, mesmo começando muitas vezes no banco, respondeu sempre com qualidade no ataque, no serviço e no bloco. Alice, Isidora e Çetin completaram um núcleo duro que deu consistência, agressividade e equilíbrio à equipa em todos os momentos decisivos.

Joana e Mariana Garcez. Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Em declarações aos órgãos oficiais do clube, a capitã Angélica Malinverno sublinhou a união e a maturidade competitiva deste grupo, apesar da juventude do plantel. O balanço é simples, mas marcante: em 2024/25, o voleibol feminino do Benfica voltou a ser sinónimo de títulos, somando a Supertaça 2024, a Supertaça 2025 e, sobretudo, o tão aguardado campeonato nacional. Meio século depois, a herança das “Marias” encontrou continuidade numa nova geração, que conseguiu transformar anos de tentativa e erro numa época de ouro, devolvendo à Luz o grito que parecia esquecido: o de campeãs nacionais.

Fonte da capa: Sport Lisboa e Benfica

Corrigido por Eva Guedes e Mariana Ranha

AUTORIA

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A Patrícia começou agora o segundo ano em Jornalismo, mas desde pequena sabia que queria escrever e informar. Sempre curiosa e atenta ao que a rodeia, encontrou na Magazine o espaço ideal para explorar temas variados e desafiar-se a contar histórias de forma criativa. Aceitou o desafio de assumir a editoria de Informação e está pronta para descobrir novas histórias e conhecer mais sobre o mundo.