Literatura

Nem tudo o que parece é: um recordar da saga Percy Jackson e os Olimpianos

A saga de Percy Jackson é a história de um adolescente que, sem saber, poderá ser a verdadeira esperança para que o mundo continue equilibrado entre o bem e o mal. 

A 10 de dezembro, o autor da saga Percy Jackson e os Olimpianos, Rick Riordan, utilizou as suas redes sociais para partilhar o pequeno teaser sobre a série, com o mesmo nome que a saga que será produzida e transmitida na plataforma Disney +.

É uma saga composta por cinco livros e, desde a primeira obra, é-nos apresentado aquele lema de que não se deve julgar as pessoas pela capa. Todavia, apesar de ao longo da história haver uma constante preocupação sobre esse tópico, a verdade é que estamos a ser constantemente chocados com os personagens vilões.

Face a isto, através do lema e do rebuscado “nem tudo o que parece é”, voltemos a recordar esta saga cujo herói tem 12 anos e vai perdendo a ingenuidade e a pureza, ao mesmo tempo que consegue experienciar os lados duros daquilo que é a vida.

Nem todos os semideuses são bons

No primeiro livro é-nos apresentado Percy Jackson, o semideus filho de Poseidon e o nosso herói da história. É através dele que conhecemos a Colónia dos Mestiços, um local de segurança, face aos atentados à sua pessoa por monstros, pelo facto de se pensar nele enquanto o ladrão do raio de Deus todo poderoso (e seu tio) – Zeus.

É na Colónia que encontramos vários outros personagens filhos de deuses e que se tornam tão importantes quanto o próprio herói. 

Annabeth, filha de Atena, é a grande guerreira que demonstra os seus ataques e a sua sabedoria através do treino e dos estudos. Clarisse, filha de Ares, também ela uma grande guerreira (não fosse ela filha do Deus da Guerra) – que entende que nada é mais importante que a lealdade e a verdade. 

A existência de outros semideuses é igualmente importante, no entanto, é de Luke que queremos falar: filho de Hermes, o mensageiro e Deus dos ladrões. É na cabana de Hermes que ficam todos os seus filhos e ainda aqueles que não foram reconhecidos pelos pais. É lá que existem as boas-vindas à Colónia e Luke é sempre o anfitrião. 

É ele que nos dá aquele ar sorridente e que ajuda nas missões, para que consigam trabalhar em equipa independentemente de ele ficar para trás. Todavia, é o primeiro a cometer traição à séria. É aquele que coloca Percy em perigo, fingindo uma amizade forte, para que houvesse uma oportunidade de Cronos voltar a reinar.  Apesar de ter sido nele que os novatos depositaram a confiança, é em Luke que se encontra o sarcasmo, a hipocrisia e a falsidade. 

Os cinco livros que compõem a saga de Percy Jackson.
Fotografia de Joana Americano

Nem todos os monstros são verdadeiros monstros

A surpresa que se recebe no segundo livro é a chegada do meio-irmão de Percy Jackson: Tyson.

Tyson é meio-ciclope. É filho de Poseidon e é graças a isso que consegue entrar na Colónia dos Mestiços, ultrapassando a barreira protetora contra outros seres que não são heróis. A existência de um ciclope não é de todo bem-vinda, especialmente face ao passado que afastava os heróis e os ciclopes. Era a ideia de que já tinham perdido imensas vidas à custa deles e até de uma grande amiga de Annabeth – a filha de Zeus. 

Contudo, ao longo da saga (não apenas da segunda obra), é notório que não se pode julgar uns pelas atitudes de outros. Tyson trabalhou sempre afincadamente para demonstrar que aquele era um mundo pelo qual valia a pena lutar e que aquelas pessoas e criaturas, suas amigas, eram de valor – e que mereciam a paz. 

Ou seja, é o notar da ideia de que o passado de uns não transforma alguém da mesma espécie num monstro.

A malvadez consegue ser herdada?

A surpresa dos últimos três livros recai bastante sobre uma personagem que ninguém esperava que existisse: Nico di Angelo. Nada mais nada menos do que um dos filhos de Hades, Deus do Submundo. 

A existência da profecia que referia que o filho de 16 anos de um dos três grandes (Zeus, Poseidon ou Hades) pudesse ser o grande herói ou a grande perdição daquele mundo sempre tinha sido algo a tirar o sono a Percy. A existência de Nico parecia mudar tudo. 

A ideia de ele poder ser o sujeito da profecia era assustadora. Ainda para mais quando a sua revolta se tornou evidente face à morte da sua irmã, que tinha perdido a vida em combate. No entanto, a questão do luto que pareceu moldá-lo, por momentos, levou-o a que pudesse fazer o correto: mostrar que um filho de Hades podia fazer o bem. Demonstrar que a morte da irmã não foi em vão. Era lutar por um lugar melhor.

A ideia de que os valores são mais fortes do que o gene foi evidente. Leu-se com medo de que fosse ele o sujeito da profecia, mas as suas ações demonstraram o contrário.

“Se há deuses, há monstros”
Fotografia de Joana Americano

Por vezes é-se simplesmente ingénuo

Quem diria que a filha de Afrodite seria uma espia no último livro? Quem diria que era ela que passava informações a Luke sobre a colónia dos mestiços? Quem diria? Filha da Deusa do Amor. Não se imaginava. Não se imaginava que fosse ela, quando o namorado tinha sido morto em combate, lutando contra Cronos.

A inexistência de sentimentos, por parte de Cronos, não parecia bater certo com a ideia de delicadeza e de devoção que as filhas de Afrodite tinham. No entanto, ali estava ela a passar informações. 

Não se esquece a traição, mas, por vezes, o mais importante é admitir que se errou e corrigir os erros, através das boas ações. A filha de Afrodite, de forma a admitir os seus erros, morreu em batalha, sabendo que a sua morte faria a diferença para que Cronos não ganhasse. 

É a ideia de sacrifício por um bem maior e o salientar que errar é humano – mas o mais importante é o saber estar errado e emendar os atos. 

Aquele Deus que faz mesmo a diferença

É de salientar Hades, o Deus do Submundo, aquele com quem ninguém falava porque era ele o confucionista. Pois bem, apesar dos seus pensamentos egoístas e egocêntricos, ele teve um grande papel e foi graças à sua participação na batalha que Cronos caiu.

É sabida a sua aversão pelos irmãos. Hades contém aquele gosto agridoce face ao passado com Zeus e Poseidon. Ao longo da história, o Deus do Submundo sempre foi colocado de parte, ao ponto de nem concederem aos seus filhos uma cabana devido aos genes, dizendo que podiam colocar a segurança da Colónia em risco.

Contudo, foi Hades quem ajudou. Tinha a intenção de mostrar que ele não era o mau da fita. Para se entender que ele era melhor do que Zeus.

Quem não cumpre com as ordens de Zeus, um Deus prepotente, aquele que não aceita mais do que a sua palavra e opinião, leva com as consequências. Ele tem a palavra final.

As suas imposições quase custaram a vida de muitos mais heróis, porque a verdade estava em si. Ele era o Deus dos Deuses. Era o dito régio. Melhor do que Cronos sem dúvida, mas a prepotência era notória. 

Detalhe de um dos livros da saga, com destaque ao autor.
Fotografia de Joana Americano

A saga composta por Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo, Percy Jackson e o Mar de Monstros, Percy Jackson e a Maldição do Titã, Percy Jackson e a Batalha no Labirinto e o último, com a batalha final e o desfecho da grande saga de Rick Riordan, Percy Jackson e o Último Olimpiano conta-nos a história de um herói de 12 anos que teve de crescer demasiado rápido para salvar toda a humanidade.

A saga adaptada para série pela Disney ainda não tem data, mas já conta com todo o processo de produção e com um teaser partilhado pelo autor a 10 de dezembro.

Percy Jackson e os Olimpianos é uma saga que reforça que nem tudo o que parece é, à primeira vista. É o dito: primeiro estranha-se, depois entranha-se. É deixar de lado os pré-conceitos e ver que é muito mais do que genes e passado. 

Fotografia de capa de Joana Americano

Artigo revisto por Lurdes Pereira

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