O mito de uma geração

Nicholas Ray traz-nos um dos maiores filmes americanos de sempre. James Dean sobe ao olimpo da representação numa atuação poética e comovente.

Nos resquícios do pós-Guerra, a sociedade americana dos anos de 1950 apelava a um consumo desenfreado. A um estilo de vida capitalista, mas tremendamente puritano nos costumes, impregnado na personagem do pai de James Dean. Fúria de Viver, de 1955, explora esse espírito próprio de uma geração colocada entre os jovens perdidos na grande guerra e os baby boomers dos anos de 1960. É essa geração meio perdida que serve de base para a trama de Nicholas Ray.

Jim Stark (James Dean) é o novo miúdo na cidade: trama situada em Los Angeles, repleta de solidão, frustração e raiva – alguns dos sentimentos da juventude da era pós-guerra.

Por todos os sítios pelos quais passou, Jim acabou por arranjar problemas, obrigando a sua família a mudar-se. Este jovem Americano esperava encontrar o amor – e é nesse momento que conhece Judy – a maravilhosa Natalie Wood. Pelo caminho começa também, uma amizade com Plato, interpretado por Sal Mineo. À volta deste romance, Stark irá causar vários distúrbios, que irão revestir o filme de um “Nevoeiro”, cujo final cumprirá com a exatidão de um mestre relojeiro.

Fonte: Hollywoodreporter, imagem de Everett Collection

É um dos maiores filmes americanos de sempre e uma peça essencial na obra de Nicholas Ray: um realizador mitificado, em especial nos anos de 1950, quando realizou inúmeros filmes marcantes, tais como: Johnny Guitar, de 1954, ou On Dangerous Ground, de 1951.

Fúria de Viver é lembrado também pela espantosa atuação de James Dean, que já assinaria fama eterna pela sua trágica morte em 1955: ano em que estrearam os seus dois filmes mais míticos: A leste do Paraíso, de Elia Kazan, e Fúria de Viver.

Dean compreende na perfeição a fragilidade da personagem principal na obra de Ray. É impossível esquecer a cena na qual Dean, perante a sua família, solta uma das frases mais conhecidas da história do cinema: “You are tearing me apart” – amuleto de uma geração que gritava em desespero pelo fim do puritanismo e da hipocrisia do Macarthismo. É nele que Fúria de Viver se torna monstro eloquente do desespero humano e da solidão da alma; é com ele que Dean ascende ao olimpo do cinema.

Essencial para a compreensão da evolução cinematográfica americana, desde a grande Hollywood até à Nova Hollywood (inaugurada em Easy Rider, de Dennis hopper e Peter fonda, em 1965, que “bebe muito” do filme de Nicholas Ray), Fúria de Viver é um dos filmes fundamentais do cinema americano. Uma profunda descida ao abismo das inquietações humanas numa dança comovente.

Revisto por Carolina Cacito

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