O regresso de Filipe da Graça – URLOP
Editado pela Maternidade a 3 de outubro, URLOP é o álbum de regresso de Filipe da Graça.
Natural do Algarve, Filipe da Graça é o canvas onde Filipe Fernandes, cantautor, multi-instrumentista e colorista de cinema, explora e dá forma ao seu próprio universo, um espaço ocupado por guitarras shoegaze e baladas country-folk.
Com um percurso marcado por colaborações internacionais com artistas como A.R. Kane e Gökçe Kilinçer, sem esquecer os artistas nacionais, como Luís Severo e Filipe Sambado, Filipe da Graça transporta para Lisboa um conjunto de composições que refletem viagens geográficas e emocionais.
URLOP
URLOP nasceu em Londres com a colaboração de Sam Cockerton, o seu “soulmate criativo” – violinista natural de Nutley (Reino Unido) – e foi finalizado durante a pandemia na cidade portuária de Gdynia (Polónia), cidade que:
“assumiu um papel fundamental no processo criativo, contrabalançando o seu legado inóspito pós-soviético com a beleza onírica das florestas, onde cisnes brancos e javalis caminham pelas praias nevadas do Báltico”
– afirma Filipe da Graça, em comunicado de imprensa.
Este é um disco pessoal e introspetivo que reflete tanto a emoção da descoberta quanto a tranquilidade do regresso, abordando a autocrítica, a dúvida e a procura de sentido, sem deixar para trás a identidade lo-fi de sempre.
O álbum foi composto, gravado e produzido por Filipe da Graça e Sam Cockerton – exceto Disco do Ano (composto apenas por Filipe da Graça) e Leyton sem Lei (reels folk tradicionais do Reino Unido e Irlanda) – foi misturado por Filipe Sambado e Michał Miegoń e masterizado por Chinaskee (Miguel Gomes).
Faixa a Faixa
O álbum começa com FdaG vs. Ceefaxxx remix, uma faixa com percussões, sintetizadores, guitarras e violinos, seguindo-se Skaters Waltz, uma espécie de colagem de memórias, que mistura referências técnicas audiovisuais, produção musical, nostalgia, cultura pop dos anos 90 e identidade pessoal.
A terceira faixa é Disco do Ano, onde a ambição artística é transformada numa reflexão íntima sobre erro, expectativa e desejo de validação. Entre humor e vulnerabilidade, Filipe da Graça contrapõe o sonho de fazer um “disco do ano” ao muito mais difícil desafio de conquistar alguém e provar que tem “juízo”.
Segue-se Alta Classe, o primeiro avanço de URLOP, uma faixa com estrutura pop simples, adornada por guitarras que envolvem a melancolia da voz sem a ofuscar.
“Alta Classe é um porto de abrigo disfarçado de canção, onde pequenas pérolas pop encontraram um sentido comum. Nascida como todo o disco URLOP que integra, de uma série de sessões de improviso com o co-produtor Sam Cockerton, lembro-me de estar na sala do apartamento que alugava em Stoke Newington e de sentir aquele desconforto muito específico, impelindo-me a escrever sobre esta vida que tinha construído para mim. O vídeo, realizado por Miguel Afonso, materializa esse desconforto, enquanto navego por uma situação desafiante, para a qual não estava bem preparado.”
– conta Filipe da Graça em comunicado de imprensa.
A quinta faixa é Meditations, com guitarras, loops e percussão, e segue-se uma referência ao seu trabalho como colorista de cinema: HDR Grading (nome de uma técnica de pós-produção utilizada para melhorar as imagens de vídeo, ajustando a sua cor e contraste), uma fantasia sobre as potencialidades de novos looks, cada vez mais hiper-realistas e que se começam a ver com mais frequência no cinema.
Brexit, a penúltima faixa do disco, é uma metáfora para o desenraizamento e o amadurecimento.
A canção abre com um contraste temporal: “Tinha 20 anos… Já tenho 32”, marcando um intervalo de vida onde tudo mudou, menos a sensação de estar sempre um pouco “fora de lugar”. A segunda parte desta faixa desmonta ilusões do mundo artístico, revelando um certo desencanto adulto e a necessidade de agir em vez de ficar preso na dúvida.
O disco fecha com Leyton sem Lei, baseada em danças tradicionais (reels) do folk britânico e irlandês.
Convido-vos à escuta deste disco, disponível em todas as plataformas digitais.
Fonte da Capa: Diana Matias
Artigo revisto por Érica Gregório
AUTORIA
A Beatriz não vive sem música e tem uma playlist para todas as ocasiões. Entrou na Magazine para escrever sobre quem mais gosta de ouvir e, após um ano como redatora de Música, aceitou o desafio de ser editora no mesmo ramo, mas não se ficou por aí! No futuro, espera vir a unir o gosto pela escrita e pela música à Publicidade e ao Marketing, mas, por enquanto, é Vice-Diretora da melhor revista de Benfica, a ESCS Magazine.



