Música

Onda Coreana: o tsunami do K-Pop

Certamente já todos percebemos que a música popular coreana, denominada de K-Pop, tem ganho um papel de maior destaque no cenário musical internacional. Desde a longínqua Península Coreana até aos Estados Unidos da América, este género musical tem conquistado o coração de milhares (e talvez de milhões) de amantes da arte. Este fenómeno não é novo, tendo vindo a intensificar-se ao longo das últimas duas décadas. O caminho do K-Pop para o papel de relevância que tem hoje em dia não foi, de modo algum, tarefa fácil, e muitos artistas contribuíram para o seu sucesso.

Forma-se o tsunami 

No final dos anos 90, a Coreia do Sul teve incentivos para apostar mais na cultura, assistindo-se a um aumento no orçamento disponível para o Ministério da Cultura. Daí em diante, viu-se a aposta por parte do ministério tanto na produção de séries nacionais (os chamados K-Dramas) como na abertura de inúmeros departamentos artísticos nas universidades coreanas. A música não ficou de parte. Em 1989, antes mesmo do aumento do orçamento para as Artes, era fundada a SM Entertainment – a casa de grande parte dos maiores nomes da música coreana atualmente. Nesta empresa estrearam-se grupos como os H.O.T, que em 2000 esgotaram um concerto em Pequim para cerca de quinze mil pessoas, e artistas solo como a BoA, a grande impulsionadora da exportação do K-Pop para o Japão. Estavam assim lançadas as sementes para o início da onda coreana musical.

BoA num concerto em Tóquio para celebrar os 20 anos da sua estreia no Japão (2022).
Fonte: Korea JoongAng Daily

As primeiras experiências ocidentais

Em 2007, a SM Entertainment estreia o seu primeiro grupo feminino em largos anos: as Girls’ Generation. Apesar de não terem encontrado grande sucesso nos seus primeiros meses de carreira, em 2009 lançam uma música que iria marcar o panorama da música coreana – Gee. O single, acompanhado por um EP de cinco músicas, alcançou um sucesso incontestável na Coreia do Sul, vendendo mais de 160 mil cópias no país. A partir daí, seriam lançados sucessos atrás de sucessos, abrindo as portas para outros grupos. Este ano, as Girls’ Generation celebraram o seu 15.º aniversário com o lançamento do single Forever 1, e assim mostraram a sua longevidade (difícil de encontrar tanto dentro do K-Pop como no cenário da Pop no geral).

Ao mesmo tempo, grupos como os Big Bang conquistavam também o seu espaço na indústria, oferecendo assim várias opções ao consumo internacional.

No entanto, a explosão de sucesso aconteceu pela primeira vez em 2012, com o lançamento de uma música que, provavelmente, todos nós conhecemos. Gangnam Style, de PSY, viralizou em todo o mundo e, durante vários anos, foi o vídeo com mais visualizações de todo o YouTube. Grande parte do seu sucesso deveu-se, sem dúvida, à sua coreografia e, se o Tik Tok existisse na altura, esta dança certamente teria sido utilizada para vários desafios. O palco estava preparado para a Coreia do Sul crescer ainda mais no mercado musical internacional.

A atualidade no K-Pop: BTS e Blackpink

O mercado musical americano e ocidental foi inundado pelo sucesso de dois grupos principais: são eles os BTS, que se estrearam em 2013 através de uma empresa desconhecida do grande público coreano, e as Blackpink, o primeiro grupo feminino, em sete anos, de uma das maiores empresas sul-coreanas, a YG Entertainment.  Os BTS são conhecidos por grande parte do público, alcançando o sucesso com todas as suas músicas lançadas recentemente. Acabaram por alcançar o primeiro lugar na Billboard Hot 100 num total de seis vezes, mais recentemente com o single My Universe, numa parceria com os Coldplay. Além disso, já foram nomeados cinco vezes para o mais estimado galardão da indústria musical, os Grammy Awards, sendo três dessas nomeações para a próxima edição, em 2023. No caso das Blackpink, a atuação no festival Coachella, em 2019, foi, sem dúvida, um dos momentos cruciais para o sucesso que este  género musical tem hoje em dia na nossa sociedade ocidental. O concerto para uma plateia de cerca de 100 mil pessoas não só elevou a carreira das próprias Blackpink a um novo patamar como também o reconhecimento do K-Pop e do meio artístico sul-coreano para o grande público americano.


Cenário atual do tsunami do K-Pop

Desde o sucesso nunca antes visto destes dois grupos, a indústria musical coreana estreou imensos outros nomes que, hoje em dia, apresentam de igual forma tremendo sucesso. Nomes como TWICE, Red Velvet, EXO, aespa, Itzy, IVE e tantos outros marcam o panorama atual e mostram que esta vertente da música Pop vai continuar a promover a cultura coreana por algum tempo.

Fonte da capa: Allkpop

Artigo Revisto por Beatriz Santos

AUTORIA

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O Jornalismo apareceu recentemente na vida de Bruno, mas rapidamente se tornou na sua paixão. Afinal, desde sempre que sentiu que a escrita e a leitura eram os seus pontos fortes, abrindo as portas para o mundo que é a atividade jornalística.
A ESCS Magazine sempre foi o núcleo que mais chamou a sua atenção e, por isso, decidiu entrar nesta aventura e trazer ao de cima uma outra paixão: a música. Sempre presente na sua vida, a música ajuda Bruno a viajar por paisagens longínquas e a demonstrar sentimentos que só a magia das melodias consegue proporcionar.