Desporto

Os problemas do Arsenal

Este início de campeonato do Arsenal é muito útil para retirar várias conclusões sobre a realidade do clube inglês nos últimos largos anos de pouco sucesso. A versão que sempre correu sobre a seca de títulos do Arsenal, depois dos triunfos importantes no início do século, foi a de que o investimento no novo estádio implicou reduzir o reforço substancial do plantel. Os gunners deixaram de lutar pelo título, na maioria das vezes. Mantiveram-se, ainda assim, como equipa de Liga dos Campeões. Só no fim da era de Wenger é que passaram a ser equipa de Liga Europa, situação que não sofreu alterações com Emery ou Arteta.

A contestação a Wenger adensou-se nos últimos anos do técnico no clube. Os adeptos diziam que o quarto lugar no campeonato não era um título. Com Emery, o Arsenal não evoluiu na Premier League. Chegou à final da Liga Europa, mas foi destronado pelo Chelsea de Sarri. Com Arteta, os gunners venceram a Taça e a Supertaça. Contudo, o rendimento na Premier League nesta temporada está a ser desolador. A equipa não consegue ganhar jogos. 

Terá o desempenho de Wenger durante largas épocas sido tão mediano quanto se pensava? É que a equipa finalizava o campeonato quase sempre no top 4; jogava bom futebol, com outra velocidade e outra técnica. Havia mais respeito pelo Arsenal. Era mais atrativo jogar lá. Ozil (que curiosamente ainda lá está, só que sem jogar), Cazorla e Alexis são exemplos de jogadores com elevado recorte técnico que tornavam o jogo da equipa muito agradável de se ver.

Na passagem de Emery pelo clube, o futebol do Arsenal também teve alguma desta velocidade. Sem tanto brilhantismo, talvez. 

Agora, no reinado de Arteta, o jogo da equipa está mais mastigado. É verdade que, nos jogos grandes da Taça e da Supertaça, esta segurança com bola foi importante nos momentos em que os gunners a tiveram, mas aí tiveram desenvoltura nos ataques rápidos; enquanto que, noutro tipo de jogos, com menos espaço, está a faltar rutura. O jogo não está a entrar por dentro. Às vezes a equipa nem procura minimamente que entre por dentro. Opta excessivamente pelo jogo exterior, com poucos resultados. 

Arteta tem um bom discurso, mas a equipa está muito indisciplinada, com muitos cartões vermelhos vistos, alguns por agressões, comprometendo os resultados. Naturalmente, isto provoca a revolta dos adeptos e o treinador espanhol tem de reverter a situação. 

Artigo revisto por Bruna Gonçalves

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