Opinião

PRAXE PARA TODOS: LER ESTE TEXTO

O fim do ano lectivo está à espreita. Os exames e as notas começam a ouvir-se ao virar da esquina e os planos para o Verão aparecem como luzes ao fundo do túnel. No entanto, agora nada disto interessa para uma grande parte dos alunos do ensino superior.

Eu não percebo nada de praxes. Não sei os nomes, as datas ou os costumes, mas sei que este país de velhos está envolto em fitas, semanas académicas em que a palavra “académica” se refere a, digamos, estudos sociais e funerais onde ninguém vai sete palmos abaixo mas sim sete palmos para cima em memória de São João Baptista.

É por este ambiente “académico” que corre de Norte a Sul que hoje decidi falar sobre a praxe. Eu sou anti-praxe. Sou anti-praxe porque não existe nenhuma expressão que me descreva. Eu apenas sou contra as coisas más da praxe e contra a minha participação na mesma. No entanto, defendo a praxe com unhas e dentes quando me dizem que a praxe devia acabar.

A praxe, no seu conceito inicial e principal é muito importante para a vida na faculdade. Não é fundamental, de todo. Eu nunca fui à praxe e nunca fui excluído, mas sou capaz de admitir que demorei mais tempo a fazer tantos amigos como os que outros já traziam da praxe. A praxe apenas sofre de um mal: inclui pessoas.

O ser humano, no geral, é estúpido. Não há muita coisa a fazer quanto a isso. Eu sou, eles são e, provavelmente, tu também és. Mais do que a teoria da relatividade é este o ensinamento que todos devemos recordar de Albert Einstein: Infinito só o universo e a estupidez humana.

É por causa desta estupidez que a praxe é, por vezes, abominável. Pessoas parvas fazem coisas parvas e mandam outros fazer coisas parvas. A sensação de poder que a praxe dá a certas pessoas faz com que se considerem alguém superior por poderem mandar em alguém. Essa pessoa sente-se superior e não vai descansar enquanto não o demonstrar.

Mas agora. Acabamos com a praxe porque há pessoas estúpidas na praxe? Acabamos com a praxe porque há quem faça coisas parvas na praxe? Claro que não. Este raciocínio não faz sentido. Por esta lógica acabávamos também com todas as forças de segurança e de protecção civil. Também há polícias que fazem coisas parvas. Com bombeiros a mesma coisa. Imaginam uma sociedade sem polícia ou bombeiros? Não.

Um dos grandes problemas da praxe é que só o que acontece de mau sai para fora do mundo estudantil. Nenhum telejornal abre com a notícia “Praxes em Lisboa correm muitíssimo bem e toda a gente adorou!”. É por causa desta procura do mal feita pela comunicação social que a praxe tem cada vez pior imagem. Mas as intenções da praxe e a forma como a maior parte dos alunos a pratica faz com que eu, mesmo sem querer de forma alguma entrar na praxe, a defenda contra quem a critica sem saber os dois lados da história.

P.S – Não falei no Meco porque aquilo nem de praxe estúpida se pode classificar…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *