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PSD ao lado do CDS na moção de censura ao Governo de Costa

O chumbo da moção de censura está assegurado, já que os parceiros de esquerda do governo garantiram que vão votar contra. Rui Rio assume posição de força à direita.

O PSD (Partido Social Democrata) anunciou que vai apoiar a moção de censura lançada pelo CDS-PP (Partido Popular). Numa entrevista à rádio Renascença, o vice-presidente dos sociais democratas, David Justino, anunciou: “Não tem muito sentido nós estarmos, por um lado, a dizer que estamos contra o Governo, por outro, estarmos a fazer oposição e, por outro lado, não secundar a posição do CDS. Muito provavelmente a posição que vamos tomar é precisamente a de votar a favor da moção do CDS”, justificou David Justino. O grupo parlamentar social democrata assumiu que a sua posição não terá grande efeito, dado que o chumbo da moção está assegurado, mas que o governo “merece uma censura pelo trabalho que está a fazer”. Tal como o PSD referiu, a moção de censura tem o chumbo assegurado, dado que o partido comunista e os verdes garantiram que vão votar contra. O Bloco de esquerda indicou posição semelhante, o que impossibilita uma maioria no parlamento que aprovasse a moção e precipitasse a queda do executivo socialista.

A tomada de posição do PSD é vista como uma necessidade de afirmação de Rui Rio perante Assunção Cristas – líder do CDS – e de distanciamento para com o governo de António Costa. Recorde-se de que recentemente o líder dos sociais democratas foi posto em causa por Luís Montenegro, que pretendia a sua destituição e uma mudança de rumo no partido, com uma posição mais vincada à direita. A menos de um ano das eleições legislativas, o PSD vai fazendo o possível para não deixar escapar os votos à direita para o CDS ou mesmo para o recém-criado movimento Aliança, liderado por Pedro Santana Lopes. Por outro lado, esforça-se por tentar obter o máximo de votos ao centro, tradicionalmente disputado pelos dois maiores partidos portugueses, o PS (Partido Socialista) e o PSD, que, em regra geral, é determinante para definir o vencedor das legislativas.

Esta tomada de decisão junta-se a uma afirmação de Manuel Castro Almeida, um dos homens fortes de Rui Rio, que indicou que se o PSD não vencer as eleições europeias em maio – que antecedem as legislativas – “será por culpa própria” e “incompetência”.  Castro Almeida indica: “Depende de nós. Se não o fizermos é porque somos incompetentes. Se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria, porque o Governo está a fazer o necessário para as perder. O Governo enganou-se no ciclo político e está em ciclo descendente”.  Acerca de uma possível coligação, no futuro, de governo com o PS, Castro Almeida foi perentório e indicou que “só em caso de guerra civil ou invasão estrangeira”, deixando claro o distanciamento entre os partidos e a posição de força do partido social democrata.

Artigo revisto por: Andreia Jesus