PSD rejeita entrada da Santa Casa no Montepio

Sociais-democratas vão entregar no parlamento um projecto de resolução que pede ao Executivo liderado por António Costa que proíba a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio Geral. Provedor da instituição garante que o negócio será fechado nas próximas semanas.

O grupo parlamentar do PSD garantiu que o partido vai tomar as medidas necessárias para entregar no parlamento um projecto de resolução que pede ao Governo que impeça a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) no capital do Montepio Geral, manifestando claro desagrado e oposição ao negócio: “Somos contra a possibilidade da SCML pôr dinheiro ou comprar capital do Montepio Geral; não entendemos esta obstinação do senhor provedor da SCML em entrar no capital do Montepio”, criticou o vice-presidente da bancada do PSD, Adão Silva, reforçando também que o executivo socialista “tem mantido uma posição de concordância” no que toca à operação: “Nós pensamos que o Governo está a andar mal quando autoriza que a Santa Casa possa entrar no capital do Montepio e, por isso, entregaremos no parlamento um projecto de resolução que recomenda ao Governo que proíba a SCML de entrar no capital dos bancos e, no caso vertente, do Montepio Geral”, reforçou Adão e Silva.

As críticas não se sentem apenas no parlamento: o líder dos sociais-democratas, Rui Rio, considera que o negócio é inadmissível porque o objectivo da Santa Casa é “ ajudar os mais pobres e necessitados” e a entrada no capital de um banco que “tem um propósito comercial” não pode ser admissível nem cumpre o propósito da SCML. Do lado do Bloco de Esquerda (BE), a deputada Mariana Mortágua garante que a perspectiva do negócio é surpreendente porque “o Montepio Geral nunca teve interesse na política de investimentos da Santa Casa e mantendo a coerência, o BE só pode ser contra o negócio”. Já o partido Comunista coloca em causa a idoneidade de Tomás Moreira, presidente da Associação Mutualista (accionista maioritário do Montepio) mas evita considerações acerca de uma possível entrada de capital da Santa Casa no banco privado.

Recorde-se que o provedor da SCML, Edmundo Martinho, adiantou que o negócio será fechado nas próximas semanas e “entrará numa dimensão que está em linha com o que a própria associação mutualista decidiu na semana passada ao autorizar a alienação até 2% do seu capital por parte da SCML, levando no limite a um investimento até aos 30 a 40 milhões de euros”, refere o provedor da instituição.

A entrada do Estado no Montepio Geral, por via da Santa Casa, surge após diversos avisos do Banco de Portugal para o desequilíbrio financeiro da Associação Mutualista, dona do banco. A instituição tem previstas perdas de 300 a 350 milhões de euros do seu capital próprio levando várias agências de rating a duvidar da sua capacidade para conservar uma saúde financeira que permita manter o Montepio estável.

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