Opinião

“Stay Weird. Stay Different.”

Como todos devem saber, o fim-de-semana passado ficou marcado pela 87.ª cerimónia de entrega dos prémios Óscares da Academia. As mais prestigiadas estatuetas da 7.ª arte marcam sempre pela comédia, o glamour e a emoção. No entanto, este ano teve algo mais…

A controvérsia decidiu, mais uma vez (todos nos lembramos de Seth Macfarlane e sua música “I saw your boobs”), intrometer-se. Entrou cedo, logo antes da cerimónia, quando se ficaram a conhecer os nomeados. Para espanto de todos — ou não —, não havia nomeados negros (porque não posso dizer pretos) para os mais importantes prémios, digamos, individuais: melhor realizador e melhor actor e actriz principal e secundário. Até havia um mexicano, mas esses agora não interessam. Eu não vejo tantos filmes como gostava, mas, no geral, concordo em pleno com as nomeações. Havia realizadores e actores que mereciam e não estavam? Haverá sempre. Alguns deles serão negros? É capaz. Relevante? Nem pensar.

A discriminação, como já disse em outras crónicas anteriores, não é uma palavra negativa. Essa é a conotação que a sociedade lhe tende a atribuir. Discriminar é distinguir ou diferenciar, tanto para o bem como para o mal. Ora, não nomear negros é discriminação, mas nomeá-los só porque são negros não é? A igualdade entre o ser humano é para ser exigida, mas não à força. Para ser nomeado é preciso ser-se bom e não preto, branco, amarelo ou às bolinhas. Basta recuar ao ano passado para se ver que a Academia não se mostra, de todo, racista. Aliás, ouviu-se ainda no ano passado que se o filme “Doze Anos Escravo” não ganhasse o Óscar de melhor filme seríamos todos racistas. Temi que fosse esse o pensamento da Academia. Só fico feliz por saber que a mesma não se deixa levar por esses populismos e não tem problemas em não nomear artistas negros se considerar que os seus trabalhos não o merecem.

O momento imediatamente antes dos Óscares também levantou fervura. Falo, pois claro, da Alcatifa Encarnada. Esses metros de poses, flashes, moda e glamour. Problema levantado: muito sexista. Porquê? Porque os jornalistas lá presentes apenas se preocupam com os vestidos e não com a performance das artistas femininas. Voltámos à mesma tecla. Sexismo não é machismo. É, resumidamente, ideias ou actos que privilegiam um sexo em detrimento de outro. No entanto, segurar portas, pagar a conta, ou ser o último a entrar é cavalheirismo; tudo o que o seja chato é sexismo.

Primeiro ponto: porquê só às mulheres? Bem, na minha opinião, muito mal informada neste ponto, porque os homens vão todos iguais. Depois, porque as mulheres, no geral, têm outro gosto pela exibição (isto no bom sentido!). As senhoras gostam mais de vestir bem, diferente e arrojado, de mostrar a sua figura e quão bonitas são. Os vestidos não só dão confiança à mulher como fazem, inclusive, parte da promoção da sua imagem e, consequentemente, dos filmes em que entram. A Passadeira Vermelha serve para mostrar ao mundo aquilo que são. O que gostam de vestir. Por isso, também, só faz sentido que promovam quem as veste e que as perguntas sejam feitas nesse sentido. Muito espaço e tempo haverá para discutir as suas actuações, mas cada macaco no seu galho.

A terminar, deixo apenas o meu apoio a discursos mais irreverentes, como foi o de Patricia Arquette, na defesa dos direitos das mulheres, que, em Hollywood (e não só) continuam a receber menos que os seus pares do sexo masculino. Mas especialmente a Graham Moore, na defesa da integração dos homossexuais e de todos aqueles que se sentem à parte no mundo. Moore disse mesmo a frase da noite. Algo com que me identifico porque muitas vezes critico a insistência numa igualdade total. Lutemos pelo que importa e não por estes exemplos que aqui referi: “Stay weird. Stay diferente”.

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