• Opinião

    A pedagogia dos anónimos

    A guerra está declarada. O campo de batalha são as redes sociais. Um frente-a-frente: de um lado, os jornalistas; do outro, os anónimos por detrás de páginas de denúncia. Acusações e escrutínio são as armas de arremesso. Nos últimos tempos, temos assistido ao surgimento de páginas cuja missão passa por desconstruir e analisar as publicações dos media portugueses. A página “Os truques da imprensa portuguesa” é o caso mais paradigmático. Diariamente, “Os Truques” dão dores de cabeça aos jornalistas – e até coleccionam alguns ódios de estimação. Poder-se-ia dizer que são o arquétipo do inimigo dos jornalistas. Mas há outras páginas: “Anti Clickbait Portugal” é uma delas. Em comum, estes…

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    A história de uma banda chamada The Gift

    “Quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar” são os primeiros versos da canção imortalizada, nos anos 50, pela voz de Maria de Lourdes Resende. Mas Alcobaça não é apenas a cidade que recebe, de braços abertos, os rios Alcoa e Baça ou a morada de uma das sete Maravilhas de Portugal, o imponente Mosteiro da Ordem de Cister. Alcobaça é, também, a terra natal de uma banda chamada The Gift. A banda alcobacense dá-se a conhecer em 1998, com o lançamento de “OK! Do You Want Something Simple?”, o estrondoso single que dá o mote ao álbum primogénito: “Vinyl”. No entanto, existem quatro anos do percurso dos The…

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    O tempo que (não) temos

    “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.” Conhecem esta lengalenga? Certamente que sim. De facto, o tempo tem apenas o tempo que o tempo tem. Trocando por miúdos: um minuto tem 60 segundos – nem mais nem menos. A nossa percepção do tempo é que é variável, pelo que não é raro dizermos que o tempo passa mais depressa ou mais devagar, consoante a ocasião. De há uns anos a esta parte, os arautos da desgraça têm batido às nossas portas – quais vendedores de enciclopédias – na tentativa (bem sucedida,…

  • Opinião,  Secções

    Somos todos quê?

    Já ouviram a expressão Faz o que eu digo, não faças o que eu faço? Por certo que sim. Trocado por miúdos, o provérbio significa o seguinte: facilmente apontamos o dedo reprovador a alguém, mas dificilmente olhamos para o nosso próprio umbigo. A cultura portuguesa está povoada por personagens típicas. Desde a Padeira de Aljubarrota ao Zé Povinho, passando pelo Velho do Restelo, o imaginário popular é vastíssimo. A coscuvilheira do bairro – aquela mulher dada à alcoviteirice que se empoleira ao beiral da janela a afiar a língua sobre a vida privada da vizinhança – é um exemplar sintomático da sociedade actual. A dita senhora modernizou-se e migrou para…

  • Opinião

    Humor q.b.

    A expressão popular “à vontade não é à vontadinha” podia perfeitamente descrever a recente polémica que envolveu a Telepizza Portugal no Twitter. Para quem não sabe do que se trata, passo a resumir o sucedido. Um cliente contactou a Telepizza Portugal, através do Twitter, exprimindo o seu descontentamento por a empresa ter trocado a marca do refrigerante. Escreveu assim: “@TelepizzaPt vocês mudaram de coca-cola para pepsi?!… enqt assim for nunca vou pedir telepizza. é só para saberem.” A Telepizza Portugal respondeu de uma forma, diria, inusitada: “OK (…) Vai pela sombra. ;)” Resumidamente, foi isto que aconteceu. Pessoalmente, considero que a resposta da Telepizza Portugal foi, no mínimo, infeliz. Se…

  • Opinião

    Quando o conteúdo se torna lixo

    (Ilustração de Sandrina Fonseca) Sou um entusiasta das redes sociais, assumo. Aliás, sou dependente do online, na sua generalidade. Não arrisco afirmar que sou viciado, pois um verdadeiro viciado não o admite. (Pronto, provavelmente, sou mesmo…) Eu sou daquelas pessoas que, quando acorda, a primeira coisa que faz é pegar no smartphone, que está em cima da mesa-de-cabeceira – convém que esteja ali à mão de semear. Em meia dúzia de minutos, consulto o que foi publicado, durante as últimas horas, no Facebook e no Instagram. É mais forte do que eu… Mas adiante. A introdução do parágrafo anterior serve apenas para fazer a ponte para uma constatação meramente pessoal…

  • Opinião

    Gerir redes sociais

    Gestor de redes sociais e Gestor de social media, em português, ou Community manager e Social media manager, em inglês (e porque soa melhor ao ouvido), são expressões em voga no que se refere ao recrutamento na área das redes sociais. Se ainda há sectores em que a perspectiva de empregabilidade existe ao fundo do túnel, este é um deles. Na prática, os termos atrás mencionados referem-se a um mesmo perfil: o profissional que detém os conhecimentos e as skills (podia escrever competências?; podia, mas não era a mesma coisa; alguém decidiu que, nesta área, é trendy utilizar estrangeirismos) para desempenhar a função de gestão de redes sociais. A tarefa…

  • Sem Categoria

    Ler: um hábito em vias de extinção?

    Em que medida o advento dos social media alterou os nossos hábitos de leitura? A interrogação é o pontapé de saída para esta proposta de reflexão. Há dias, li um artigo no jornal PÚBLICO, no qual o antropólogo Tok Thompson anunciava uma ideia controversa: a de que ler é um comportamento em vias de extinção. Na minha opinião, trata-se de uma visão desmesuradamente apocalíptica. Na verdade, os hábitos de leitura sofreram alterações drásticas ao longo dos últimos anos, não podemos negá-lo. Mas daí a profetizar o seu fim parece-me um exagero. Quando, no século passado, a televisão se democratizou, houve quem anunciasse a morte da rádio. Ora, como sabemos, a…

  • Opinião

    As redes sociais sempre existiram

    Ponto Prévio. Escrevi este artigo com um fio condutor em mente: demonstrar o meu ponto de vista sobre alguns mitos relativos às redes sociais. O autor Marshall McLuhan é o ponto de partida desta breve reflexão (throwback-aulas-de-Teorias-da-Comunicação). Na sua obra Understanding Media (1964), o pensador da comunicação surge com uma ideia inovadora: a de que os media são extensões do ser humano. Segundo o pressuposto, por exemplo, o computador é encarado como uma extensão do sistema nervoso central humano. O autor defende que as novas tecnologias — ou, se preferirem, as tais extensões do Homem — influenciam a acção dos indivíduos ao nível da esfera social. Com base nesta teoria…

  • Opinião

    À venda num quiosque perto de si

    Ir, pela manhã bem cedo, ao quiosque comprar o jornal como se de pão quente se tratasse. Ora aí está um hábito muito pouco comum nos dias de hoje. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, diz a sabedoria popular. Contudo, permitam-me reformular o provérbio: Mudam-se os tempos, mudam-se os hábitos. O jornalismo atravessa uma crise que tem suscitado uma série de debates a fim de se encontrar uma solução milagrosa que já se percebeu que não existe. Qual troika, qual quê! Se se mudam os hábitos, como tudo nesta vida, a comunicação social tem que se adaptar aos novos comportamentos de consumo de informação da sociedade actual. Uma pergunta: o…