• Opinião

    A 4 Mãos: O que fica de 2017?

        Marcos Melo (MM): 2017 está a dar as últimas. 2018 esgueira-se, ao virar da esquina. Foram doze meses recheados de acontecimentos — uns mais mediáticos e outros mais discretos. Nestas lides dos media, é um habitué fazer-se a revista do ano. Por razões compreensíveis, todos os órgãos de comunicação social debruçam-se sobre os mesmos assuntos — e, provavelmente, nós fá-lo-emos, também. Neste artigo, proponho respondermos à pergunta: quando pensas em 2017, de que te recordas? Contudo, não somos obrigados a mencionar o óbvio (podemos ou não fazê-lo).  Assim sendo: Maria, sob o teu olhar, o que marcou 2017?   Maria Moreira Rato (MMR): O acontecimento que surge na…

  • Media

    13 Reasons Why – Uma série necessária

    “Acho que me fiz entender perfeitamente. Ninguém tentou impedir-me. Alguns de vocês importaram-se. Nenhum de vocês se importou o suficiente. E eu também não. E peço desculpa. Então, este é o final da cassete 13. Não há mais nada a dizer” – estas foram as últimas palavras proferidas pela jovem Hannah Baker, antes de ter tomado a decisão de por fim à sua vida. Este é o ato que está no centro de 13 Reasons Why ou Por Treze Razões, em português. A adaptação do romance Thirteen Reasons Why, de Jay Asher, seria inicialmente lançada como um filme pela Universal Pictures, com Selena Gomez no papel de Hannah. No entanto,…

  • Opinião

    A pedagogia dos anónimos

    A guerra está declarada. O campo de batalha são as redes sociais. Um frente-a-frente: de um lado, os jornalistas; do outro, os anónimos por detrás de páginas de denúncia. Acusações e escrutínio são as armas de arremesso. Nos últimos tempos, temos assistido ao surgimento de páginas cuja missão passa por desconstruir e analisar as publicações dos media portugueses. A página “Os truques da imprensa portuguesa” é o caso mais paradigmático. Diariamente, “Os Truques” dão dores de cabeça aos jornalistas – e até coleccionam alguns ódios de estimação. Poder-se-ia dizer que são o arquétipo do inimigo dos jornalistas. Mas há outras páginas: “Anti Clickbait Portugal” é uma delas. Em comum, estes…

  • Made In ESCS

    Os media e as questões de género: uma equação cujo resultado é calculado no presente

    “Nenhum destino biológico, psíquico, económico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Só a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como outro” – corria o ano de 1949 quando Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo, livro onde se podia ler a passagem suprarreferida e a citação “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. A autora que influenciou fortemente a segunda vaga feminista não sonharia que, em pleno século XXI, as suas palavras se fariam ouvir de modo tão forte no seminário “Comunicação, Media e Questões…

  • Opinião,  Secções

    A não democracia

    É comummente reconhecido que 74 nos deu liberdade e nos trouxe a democracia. Sei que não estamos, em Portugal, num governo ditatorial; mas isso não significa que não estejamos numa ditadura. A opinião pública já não é controlada pelo Estado, de forma direta, como até ao 25 de abril ou noutros regimes autoritários acontecia e acontece. Mas isso não significa que vivamos a democracia pura, a qual só é atingida através da liberdade máxima da população – esta que está longe de ser alcançada, devido principalmente à continuação do controlo da opinião pública em governos não ditatoriais. Esse controlo é feito, na maioria da Europa, através dos meios de comunicação…

  • Opinião,  Secções

    A pedagogia da televisão

    A televisão, enquanto medium, é uma peça chave para a compreensão da cultura contemporânea. No último quarto do século XX, o pequeno ecrã assumiu um papel omnipresente nos lares da sociedade – e Portugal, claro, não foi excepção. Hoje, com o advento dos novos media, assentes em plataformas digitais, a televisão continua, sem sombra de dúvidas, a ser protagonista no dia-a-dia dos cidadãos. Actualmente, observamos que os hábitos de consumo de media, por parte das novas gerações – os chamados nativos digitais, nascidos a partir do virar do milénio –, são fragmentados. Isto é: os jovens desdobram-se por diversos media (desde o smartphone ao tablet, passando, irremediavelmente, pela televisão), consumindo…

  • Opinião,  Secções

    O apagão televisivo

    A televisão é, na maioria dos lares portugueses, um bem de primeira necessidade. É certo que a caixa mágica não nos dá de comer à boca. Ainda assim, é difícil concebermos a nossa rotina sem a presença do pequeno ecrã. Ver televisão não é um hábito tão básico quanto o julgamos ser. Fora dos grandes centros urbanos, ainda há quem só veja 4 canais. Em pleno século XXI, parece que regredimos um par de décadas, quando, de facto, a oferta se limitava a 4 canais. O que é feito, então, do tão apregoado progresso tecnológico? Façamos um enquadramento para melhor entendermos o cerne da questão. Em 2012, por decisão de…

  • Informação

    Presidente da República unido aos Media contra controlo editorial

    Cavaco Silva mostrou-se preocupado com os rascunhos da proposta de alteração da Lei da Cobertura Eleitoral. O Presidente da República reuniu na manhã de terça-feira com o director executivo da Plataforma de Media Privados, Luís Nazaré, que falou em “inquietações” do presidente face a este assunto. Luís Nazaré referiu a necessidade de mudar a lei que regula a cobertura jornalística das campanhas eleitorais antes do próximo acto eleitoral. Já nesta sexta os directores dos jornais, rádios e televisões portuguesas, incluindo os operadores públicos, Lusa e RTP, emitiram um comunicado conjunto a condenar a proposta que obrigava os Media a comunicarem com antecedência os alinhamentos informativos para o período da campanha…

  • Opinião

    Média, Moda e Mediana

    Eu não percebo nada de moda. Ou melhor: o meu conhecimento da moda é um vácuo. Nada ao pé do que eu sei sobre o assunto ainda é alguma coisa. Eu só tenho três pensamentos no que à moda diz respeito. O primeiro é o de que não devemos fazer combinações com verde e castanho a menos que seja dia da árvore; o segundo é o de que as t-shirts pretas não fazem sentido. O preto atrai o calor, portanto só deveria ser usado em roupa de Inverno. A menos que venha com ar condicionado incorporado; o terceiro é o de que qualquer pessoa pode entender de moda. É precisamente…