Um adeus a Luis Sepúlveda

Imagem Luis Sepúlveda
Fonte: Público

Um mês depois da sua morte devido à covid-19, Luis é ainda relembrado – com uma história de vida incrível, certamente memorável para muitos. Escritor, romancista, jornalista e ativista chileno, deixou um repertório de grandes obras para trás.

Nasceu em 1949 e, durante toda a sua vida, foi passando por várias áreas – quando se licenciou em Ciências da Comunicação, partilhava um “amor” paralelo pelo teatro e pela política. Luis sempre se interessou pelos conflitos sociais da segunda metade do século XX. Assistiu à ditadura de Pinochet, interessou-se pela guerra do Vietname e pela descolonização de África, pela Guerra Fria ou pela revolução cubana. A verdade é que todas estas experiências o levaram na direção do contador de histórias.

Ainda jovem, Sepúlveda recebeu uma bolsa de estudo para a Rússia. Voltou com vontade de chamar “Carlos Lenine” ao seu filho e foi isso que fez. No entanto, não foi a única influência que este país teve em Luis. Juntou-se à Juventude Comunista e, anos depois, ao Partido Socialista chileno.

A sua desenvoltura, por vezes excessiva, levou-o a ser preso duas vezes. Libertado pela Amnistia Internacional, tornou-se exilado. Era, então, considerado a “resistência política”. Sepúlveda não só lutou contra os ideais da ditadura, como também se tornou num ativista ambiental, aliando este sentimento à justiça e à luta pela igualdade. Prova desta determinação e preocupação ambiental é a sua entrada para a organização Greenpeace, onde participou na luta contra a caça da baleia.


Entretanto, Luis teve ainda a oportunidade de ser repórter, em Hamburgo, na Alemanha; correspondente, em Angola; e motorista de autocarros. Teve uma vida recheada de grandes experiências, que o levaram a encontrar o seu refúgio nos livros. Livros esses que são o reflexo da sua vida e das suas vivências. As histórias ecoavam na cabeça e eram transformadas, pouco a pouco, em palavras escritas num papel.

As suas obras e o seu papel na sociedade não podiam ter sido ignorados. Em 1970, recebeu o Prémio Casa das Américas, pelo seu primeiro livro Crónicas de Pedro Nadie. Luis recebeu o Prémio Eduardo Lourenço, em 2016, que pretende homenagear personalidades que tiveram impacto na cooperação e na cultura ibérica. Estes são apenas alguns dos prémios que recebeu. No entanto, a maior relíquia que conquistou na sua vida não foram os prémios, mas sim as inúmeras obras que deixou ficar.

Se a incrível história de vida de Sepúlveda conseguiu aguçar a tua curiosidade, estas obras são algumas sugestões para leres:

→ Memorial dos Anos Felizes

→ História de um cão chamado Leal

→ O Velho que Lia Romances de Amor

→ Mundo do Fim do Mundo

→ História de um Caracol que Descobriu a Importância da Lentidão

→ A Sombra do que Fomos

→ História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar

→ O Fim da História

Artigo revisto por Bruna Oliveira Gonçalves

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