Música

Um festival com conteúdo musical super “emergente”

O Festival Emergente vai ter a sua terceira edição nos dias 15 e 16 de outubro no grande palco do Capitólio, em Lisboa. Com um cartaz que promete superar as expectativas, estes vão ser dois dias que não vão deixar ninguém indiferente ao talento da nova geração de música portuguesa!

cartaz do Festival Emergente para outubro 2021
Fonte: Cartaz do Festival Emergente

Em entrevista à ESCS Magazine, Carlos Gomes, diretor artístico do festival, conta que a ideia de criar o Emergente, em 2019, teve um motivo bastante pessoal. Ao receber a informação em primeira mão, que lhe chegava através do seu filho – também ele músico – sobre a qualidade imensa das jovens bandas portuguesas que estavam a surgir, sentiu-se com a responsabilidade de fazer alguma coisa por estes talentos, uma vez que na altura era produtor de bandas, de concertos e de festas.

Para além da formação musical, Carlos Gomes considera que aquilo que faz um músico é a experiência e a possibilidade de trocar essa experiência com outros. Diz ainda que a nova geração pauta-se por um espírito de cooperação mais do que de competição e, também por isso, ocorreu-lhe criar este festival com um nome único, onde as bandas podem compartilhar as suas identidades musicais.

O festival vai ser realizado fisicamente e em live streaming na plataforma Live Stage da TicketLine.  A receita do Live Streaming do Festival Emergente irá reverter integralmente para a União AudioVisual, como forma de apoiar um setor fortemente afetado pela pandemia e sem o qual não seria possível criar o festival.

Carlos Gomes reconhece que muitos dos técnicos do setor audiovisual passaram enormes dificuldades.

“Há muito pouco apoio neste setor, sobretudo para fazer com que as pessoas, as entidades, as empresas, os festivais, resistam a estes momentos”, afirma.

Nesta terceira edição do Emergente, o processo de escolha das bandas surgiu como uma necessidade de reinvenção devido à falta de apoio financeiro e também às próprias restrições impostas pela pandemia. Sem possibilidade de pagar cachês às bandas com alguma projeção na cena nacional, foi realizado um OpenCall Super Emergente e todos os artistas receberam um valor simbólico pela sua participação.

Carlos Gomes não acredita em concertos gratuitos e diz que não há ninguém no Emergente que trabalhe sem receber :“Acreditamos que o trabalho de todos nós deve ser valorizado. É preciso incentivar a geração mais jovem a habituar-se a reclamar o valor do seu trabalho.”

Em 2021, e com a terceira edição do Emergente à porta, as bandas foram escolhidas, quer através do OpenCall quer por iniciativa dos criadores do festival. Surge ainda nesta edição o Open Call para videoclipes, que serve para destacar o talento dos jovens artistas para além da música.

O diretor artístico do festival reconhece que tem existido um investimento estético muito grande nos videoclipes. “O próprio filme ganha uma autonomia em termos de proposta estética. Muitas vezes está em sintonia com a música e outras vezes chega mesmo a ser superior”, revela.

Nos dias do festival, os videoclipes irão passar entre cada dois concertos e no final os vencedores serão premiados pelo melhor videoclipe e pela melhor realização através de uma votação conjugada entre o júri e o público. O valor dos prémios é de 500 euros e servirá de incentivo para as bandas continuarem o bom trabalho.

Conjunto Júlio

A banda recém-criada “Conjunto Júlio” irá participar neste festival, e é na Torre Fundeira onde fazem os seus ensaios e composições.

Banca Conjunto Júlio que atuará no Festival Emergente
Fonte: Facebook Conjunto Júlio, Fotografia tirada por Carlota Pais

Em entrevista à ESCS Magazine, revelam ser uma banda com ambição e querem conquistar um lugar no mundo da música.

O recurso à poesia de Fernando Pessoa, António Botto, Florbela Espanca, para a construção das suas letras, é algo que lhes tem permitido criar uma nova identidade. Acreditam que a utilização da parte lírica nas suas composições é uma característica que os distingue das restantes bandas, ao mesmo tempo que têm consciência de que todas as bandas têm algo que as diferencia.

A nível instrumental fogem aos padrões, unindo diferentes estilos musicais como o rock e o funk, por exemplo, e é nessa diferença que acabam por se completar. Sem noção daquilo que o futuro lhes reserva, é com este contexto musical que se identificam no momento.

Sendo um projeto criado durante a pandemia, esperam agora sentir a energia brutal de uma plateia de pé no grande palco do Capitólio. Dizem que esta será uma interação totalmente diferente com o público e que isso poderá melhorar bastante a sua performance.

O “Conjunto Júlio” procura fugir de qualquer paradigma e na sua música querem ser apenas eles próprios. Assumem-se como jovens músicos que neste momento procuram mais do que inspirar os outros continuar a ter inspiração e sentem que se podem diferenciar através de uma abordagem muito pessoal à música, às letras, à forma como se canta. A ideia de viverem da música seria um sonho tornado realidade.

E o Festival Emergente nasceu para realizar sonhos. Com bandas mais e menos experientes, este é um festival que permite a muitos músicos dar o salto para o grande palco pela primeira vez. Estes dias de revelação vão ser determinantes para os percursos artísticos das bandas, uma vez que vão servir de inspiração para continuarem a fazer boa música e a não desistirem dos seus sonhos.

As bandas que marcam presença neste cartaz são constituídas por grandes músicos e dar um contributo para a sua revelação é um dos principais objetivos nesta terceira edição. Este festival vai fazer emergir os grandes talentos da nova geração de música portuguesa, dando-lhes lugar, visibilidade e projeção!

Àqueles que subirem ao palco em resultado do Open Call, irão ser atribuídos ainda dois prémios: “Melhor Concerto Super Emergente” (por votação combinada do júri e do público), cujo prémio é a atuação no Festival Rodellus, em 2022; e “Melhor Projeto Musical” (da responsabilidade exclusiva do júri), cujo prémio é a gravação de um EP ou álbum nos Estúdios Camaleão, em Lisboa.

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Fonte de Capa: Festival Emergente

Artigo revisto por Miguel Tomás

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