Um mês sem Bowie
AUTORIA
Sofia Costa Lima nasceu em Trancoso, em 1994. Estuda Jornalismo e é
apaixonada por escrita. Tem um blog pessoal desde 2009 e publicou dois livros — em 2013 e 2014. Colabora com a Associação Juvenil de Trancoso desde 2013, fazendo parte da equipa responsável pelo Jornal Escrever Trancoso.
No dia anterior ao mundo perder David Bowie eu estive com um álbum dele na mão. Dizia eu “isto é tão, mas tão bom”, como quem elogia algo que acha que vai poder apreciar durante muito tempo. No dia seguinte, a primeira notícia que leio quando chego às redes sociais é a da morte do artista conhecido por “camaleão”. Isto aconteceu há um mês, de uma forma totalmente inesperada. Mas Bowie sabia o que fazia.
A 8 de janeiro, aquando do lançamento do seu derradeiro álbum, Blackstar, e do seu aniversário, ninguém iria pensar que uns dias depois todas aquelas letras iriam ganhar um novo significado. Blackstar foi um trabalho pensado, devidamente estruturado e que deixou bem claro que, mesmo doente, Bowie sempre soube o que fazia — e fazia muito bem.
Nascido em 1947, o artista britânico sempre foi uma figura ímpar no mundo da música, distinguindo-se não só pela sua música mas também pela forma como se vestia e expressava. Durante mais de 50 anos viveu sob os holofotes mas, no seu final de vida, conseguiu surpreender tudo e todos e manter-se à margem das revistas.
Como já seria de esperar, a venda dos seus álbuns disparou. Na semana passada, no Reino Unido, Bowie ocupava os dois primeiros lugares do top britânico, com Best of Bowie e Blackstar em primeiro e segundo lugar, respetivamente, além de ter outros doze álbuns no mesmo top. Também nos Estados Unidos, Blackstar conseguiu dar pela primeira vez o número um ao artista, destronando 25, de Adele. Em Portugal o efeito foi semelhante.
A verdade é que, sem Bowie, a música está verdadeiramente mais pobre. A capacidade de se reinventar e de surpreender nunca poderá ser substituída. De “Heroes” a “Space Oddity”, de “Let’s Dance” a “Life on Mars”, desafio-vos a encontrar alguém capaz de fazer tudo o que Bowie fez na música e pela música. Escrever sobre David Bowie é uma tarefa ingrata: porque resta muito pouco a dizer sobre este génio que nunca tenha sido dito. Por isso, a melhor forma de concluir este texto é, certamente, com: obrigada! Obrigada e até um dia destes!
