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Vacina contra a Covid-19 – a luz ao fundo do túnel?

Artigo edição especial Remédio Santo

No dia 17 de novembro de 2019 que surgiu o primeiro caso de coronavírus no mundo. Desde então já se contabilizaram, a nível global, cerca de 81,4 milhões de casos de infeção pela Covid-19 e lamentaram-se 1,7 milhões de mortes. No entanto, a solução para a pandemia, que dura há mais de um ano, parece ter chegado mais cedo do que aquilo que se esperava.

Após dez meses de investigação e em tempo recorde, a vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e a empresa alemã de biotecnologia BioNtech revelou uma eficácia de 95% na prevenção da Covid-19.O Reino Unido foi o primeiro país a aprová-la e iniciou, no dia 8 de dezembro, o processo de vacinação aos grupos prioritários – residentes e funcionários de lares de idosos, cuidadores e pessoas com mais de 80 anos.

Com o Brexit e a saída da União Europeia, o país não dependeu de Bruxelas para colocar em prática o seu plano de vacinação. Matt Hancock, ministro da saúde britânico, acredita que esta será a mais complexa campanha de vacinação da história do país. Desta forma, espera-se um cuidado extra no armazenamento e tratamento da vacina, bem como uma grande logística para que as doses encomendadas cheguem a toda a população britânica.

Já na União Europeia, os países membros receberam as respetivas doses da vacina no dia 27 de dezembro, após a aprovação das mesmas pela Agência do Medicamento Europeia, e iniciaram, no mesmo dia, o processo de vacinação aos grupos prioritários.

Em Portugal, foram recebidas cerca de 1,2 milhões de doses da vacina Pfizer, uma vacina gratuita, facultativa e universal. O primeiro português a ser vacinado foi António Sarmento, de 65 anos, diretor do serviço de doenças infeciosas do Hospital de São João, no Porto. No fim do primeiro dia da campanha de vacinação no país, contabilizaram-se 4.534 pessoas vacinadas.

Portugal prevê, no total, a compra de 22 milhões de vacinas que serão dadas de acordo com o “plano de vacinação anti-covid 19”. O processo de vacinação ocorre em três fases. Nesta primeira etapa, que já se verifica, os grupos prioritários são – à semelhança do que aconteceu no Reino Unido – os profissionais de saúde e residentes em lares; pessoas com mais de 50 anos com alguma das patologias apresentadas: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal; cuidadores, profissionais de forças de segurança e serviços críticos.

A segunda fase do plano de vacinação abrange todas as pessoas com mais de 65 anos e pessoas com mais de 50 anos com diabetes, insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial ou outras patologias. Na terceira fase será vacinada o resto da população.

No entanto, alguns cidadãos, como as grávidas e as crianças, ficaram de fora do plano por não existirem dados suficientes para a recomendação da toma da vacina. As pessoas com mais de 75 anos podem ser vacinadas, se assim o quiserem, mas, segundo foi comunicado no plano de vacinação, “os dados são limitados quanto ao efeito da vacina nesta faixa etária”. Os especialistas explicam que ainda “não se percebe a relação entre a concentração de anticorpos e a capacidade de não ser infetado, a resposta imunitária e a proteção contra o agente real”, frisando que tudo aquilo que têm até agora são “resultados muito preliminares com amostras muito pequenas.”

Esta nova informação não foi bem aceite pelos portugueses, por se tratar de um grupo da população muito vulnerável, e, desta forma, coube ao secretário de Estado e Adjunto da Saúde esclarecer esta questão:

“Sendo que as faixas mais vulneráveis sempre foram uma prioridade para este Governo, nomeadamente os mais idosos, não seria agora que a idade se tornaria um limite para a vacinação. Obviamente, como sabemos, existem vacinas que por determinados critérios e características das próprias têm uma indicação para certas faixas etárias”

Já António Costa mostrou-se em desacordo com esta ideia e rejeitou a possibilidade de todos os maiores de 75 anos sem doenças graves não terem acesso prioritário às vacinas. O primeiro-ministro afirmou ainda, na rede social Twitter, que “Não é admissível desistir de proteger a vida em função da idade. As vidas não têm prazo de validade”.

Apesar de o Governo estar a preparar todo o processo de vacinação em Portugal, há ainda uma fatia considerável da população que desconfia da eficácia da vacina.

Segundo a sondagem feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, apenas 61% das pessoas ouvidas pretendem tomar a vacina assim que esta esteja pronta. À pergunta colocada “quando chegar a sua vez de ser vacinado, como vai reagir?”, 24% das pessoas declararam que pretendem adiar a receção da vacina e 8% afirmou que não quer ser vacinado de todo.

            Verificado algum receio por parte da população, esta questão acabou por ser abordada no decorrer da reunião de especialistas no Infarmed. João Gonçalves, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, alertou para que as pessoas não tivessem medo das reações adversas que uma eventual vacina contra a covid-19 pudesse causar: “Todas as vacinas têm reações adversas, mas há efeitos adversos que são bons – como a dor de cabeça, febre e inchaço –, pois significam que o sistema imunitário está a “lutar”. O professor relembrou ainda que a vacina não vai criar imunidade igual para todas as pessoas e que não se sabe quando vai ser criada a “imunidade de grupo”.

            No entanto, mesmo com as recomendações pela toma da vacina, a Organização Mundial de Saúde quis salientar que não pretenderá seguir o caminho da obrigatoriedade e que é preferível recorrer à persuasão e ao diálogo. Michael Ryan, diretor para as emergências em saúde, acredita também que, quando as vacinas estiverem disponíveis para todos, muitas pessoas irão perceber que a vacinação será um “ato de responsabilidade”.

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião

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