• Literatura

    Os melhores podcasts sobre Literatura

    Errata: este artigo não mencionará nenhum podcast. Estamos a assistir a uma indomável revolução na informação que já se repercute no ensino. Fazem parte dessa revolução os formatos audiovisuais que açambarcam com pujança o mercado e o tempo de todos. E, de entre eles, os podcasts adquiriram um lugar privilegiado. São divertidos, intuitivos, leves e educativos. Quer dizer, educativos nem sempre. O formato é tão plural que abarca tanto pessoas que nada têm a dizer sobre nada, como pessoas que procuram transmitir o seu conhecimento sobre alguma matéria. Nessa ótica, os podcasts são educativos quando não entendemos nada do assunto em questão; é justo reconhecer. No entanto, não serão os…

  • Opinião

    Dia Mundial do Sono: O dia em que dormi moura e pereça

    Anualmente, nas “celebrações” do Dia Mundial do Sono há pouca coisa, para não dizer nenhuma, para efetivamente celebrar. O último decénio encarregou-se de nos trazer amiúde novos estudos que apontam, por um lado, para um défice de horas e de qualidade de sono de uma grande fatia da população mundial, bem como, por outro, para uma enxurrada de consequências nefastas em que, a curto, médio e longo prazo, a privação do sono desagua. Como estamos na secção de opinião e de sono, em termos clínicos percebo tanto como da poda de bananas da Madeira, seria estúpido trazer à tona mais um artigo moralista sobre a importância do sono reparador e…

  • Literatura

    Sófocles, Balsemão e Anthony Zuiker entram num bar

    No livro A Interpretação dos Sonhos, Sigmund Freud, o primeiro psicanalista de que há memória, escreveu: “O seu destino [de Édipo] move-nos apenas porque poderia ter sido o nosso – porque o oráculo lançou sobre nós a mesma maldição antes do nosso nascimento. É o destino de todos nós, talvez, direcionar nosso primeiro impulso sexual para a nossa mãe e nosso primeiro ódio e nosso primeiro desejo assassino contra nosso pai. Nossos sonhos nos convencem de que é assim.” Começo por aqui, porque, por muito bizarro que possa parecer, atualmente, Freud é mais famoso do que Sófocles, o autor da peça Rei Édipo, que reconstrói o mito helénico de Édipo,…

  • Opinião

    As notícias sobre a morte da crítica são manifestamente apropriadas

    Em novembro do ano passado, Jaime Lourenço, doutorado em Ciências da Comunicação no ISCTE com uma obra publicada sobre jornalismo cultural, ex-aluno da ESCS, foi o convidado para uma sessão no âmbito de uma cadeira que frequentava. Com foco particular no cinema, a palestra acabou por se encaminhar no sentido de um debate sobre a indústria cultural na sua relação com a imprensa. Uma vez que me encontrava perante um estudioso e especialista no assunto, questionei o orador acerca do estado da crítica de cinema na imprensa portuguesa. Fui mais longe. Como consumidor de crítica de arte nas plataformas ao dispor dos fãs, questionei se a superficialidade e parca qualidade…

  • Literatura

    Brave New World e as profecias improváveis

    Por ser um clássico da Literatura universal, Brave New World, publicado em 1932 por Aldous Huxley, é uma obra para a qual eu já tinha sido preparado durante vários anos. A sua leitura poderia, assim, afigurar-se uma mera formalidade. Tal, felizmente, não aconteceu. Sabia de antemão que narrava a história de uma sociedade futurista, utópica ou distópica, dependendo do ponto de vista, com um potencial profético assinalável. Para ser justo, não se pode dizer que, quase um século volvido, a estrutura social do livro se verifique na realidade. Isso poderia constituir uma observação otimista. Porém, é preciso ressalvar duas coisas. Huxley prevê que esta será uma realidade em 2540, segundo…

  • Literatura

    Bibliotecas em Lisboa: um guia para saberes onde estudar

    Qualquer estudante universitário que se preze precisa de uma biblioteca (aliás, merece-a!) para responder aos desafios colocados pelas várias unidades curriculares. Um local sossegado onde possa estudar para aquele exame mesmo difícil e, porque não, satisfazer a sede de conhecimento pelo puro prazer de saber a curiosidade mais improvável.  Pois bem, caras e caros recém-chegados, a ESCS Magazine tomou a liberdade de vos facultar uma listinha de bibliotecas na zona de Lisboa, onde terão acesso a muito mais material além do já existente na escola. Caloiros dos cursos de Audiovisual e Multimédia, não fujam já, porque não foram esquecidos. Sabemos que bibliotecas não são só livros. Rede de Bibliotecas Municipais…

  • Opinião

    Eu era um cruzeiro sem direção

    Eu era um cruzeiro sem direção. A cada dia, À velocidade de uma mota de águaE com a cólera de um tubarão adormecido, Deixava-me ir. Permitia-me tudo.  O meu cruzeiro era à vela,Porque me haviam sugado a força.E navegava Rigorosamente fiel aos instintos do vento.  O mundo parecia do tamanho do universo. O universo parecia do tamanho da Beleza. E a disposição um brinquedo sexual do vento.  Tudo era consentido Na intimidade de mim para mim próprio.Estático, porque escrevia versos, Extático, porque escrevia versos.  Naquele cruzeiro de luxo, A restauração era à base de lágrimas, isolamento, narcóticos e poemas.  Até que a Terra ficou do tamanho da Terra, O universo do tamanho do universo, A Beleza do tamanho do infinito. Descobri,…

  • Literatura

    Síndrome de Dorian Gray – ou a decadência cíclica do Homem

    Não sei por onde começar este artigo. Pronto, está dito. Assim sendo, retomo a partir do texto anterior, relativo a Das Schloss, de Kafka. Aos três leitores dos meus textos aqui na revista (já a contar comigo, com os editores e com a correção linguística), venho apresentar as minhas desculpas. O dandismo forçado é infrutífero, assim como o intelectualismo à lei da bolha. Achei que estava a fazer um grande serviço público ao apresentar uma crítica literária munida do melhor aparato académico que pude recolher em tempo útil. Afinal, limitei-me a mimetizar de forma sucedânea e epigonal o academismo especializado, não acrescentando nada de novo ao que se havia até…

  • Opinião

    Reler e Revisitar maio de 68

    Para um estudante universitário de 20 anos de idade ter sido participante ativo nas revoltas de maio de 1968, em França, há de ter nascido algures em 1948, o que lhe confere a idade de 72 anos no dia de hoje, caso se encontre vivo. Ao passo que um estudante universitário de hoje deverá ter nascido algures em 2000 para agora ter a idade do primeiro, aquando dos famosos e marcantes protestos. Em que medida é que isto é significativo? No estranho sentimento que os estudantes de hoje me provocam. Os revoltosos de 68 insurgiram-se pela liberdade individual e pela libertação dos dogmas conservadores, sob o lema “é proibido proibir“.…

  • Opinião

    Divagações sobre a impunidade

    Fiel à religião do bom senso simplista, acreditei que estava na punição e, concretamente, na autopunição a única forma de as pessoas se salvarem. As pessoas procuram sempre a punição para redimir a sua culpa, religiosas ou não. A punição esboça uma solução que nos parece satisfatória para os erros terríveis, porque ela promete limpar a alma, seja lá o que isso for, propiciando um efeito sucedâneo, indireto, de esquecimento a respeito da dita ação que violou violentamente as premissas do bom senso. Durante todo este tempo (cerca de um ano, para ser exato), procurei, a título pessoal, a via da autopunição, de modo a obter perdão a respeito de…