• Opinião

    As Lacunas de um Ensino Viciado

    Quantos de nós já nos devemos ter questionado sobre o sistema de ensino que perdura em Portugal e o porquê de a educação clássica estar de pedra e cal implantada no nosso país sem reforma aparente? Educação essa que é limitadora, pouco inclusiva e com pouca abertura para a inovação. A questão pandémica talvez tenha vindo evidenciar as lacunas do sistema de ensino português ao mostrar o quão rudimentar esta ainda se mantém apesar do contexto tecnológico e, consequentemente, de mudanças e a exigência de capacidade de adaptação, evolução e aprendizagem constante em que se insere. Como o Jornal Renascença apontou, o Conselho Nacional de Educação (CNE) reconhece que é…

  • Opinião

    Falha, mas vive

    Ensinam-nos desde sempre a manifestar a felicidade e a ignorar a tristeza. Incentivam a nossa felicidade e festejam as nossas vitórias. Por outro lado, ensinam-nos a ignorar a tristeza e a dor e abafam as nossas derrotas e fragilidades como se fosse errado e fora do comum. Recusamos os sentimentos negativos, porque foi isso que nos ensinaram, levando a que, consequentemente, não saibamos lidar com eles quando, por alguma razão, os experienciamos. A educação “clássica”, se pudermos designá-la assim, não fornece ferramentas essenciais para aprendermos, desde a mais tenra idade, a lidar com as emoções ou para nos protegermos delas. Recusar ou ignorá-las quando somos pequenas amostras de gente não…

  • Opinião

    A violência atrás de um ecrã

    Para agredir uma pessoa basta desumanizá-la. A Internet veio facilitar a humilhação e a violência de diversas formas. O mais assustador é que isso pode ter efeitos para a vida toda, porque o que é publicado na Internet fica lá para sempre. A violência no digital tem assumido uma presença cada vez mais forte e tornou-se mais apetecível para o agressor, talvez devido ao facto de este estar protegido por um ecrã e de não ter de ser confrontado pela vítima e pela sua reação. Este cenário oferece ao agressor uma sensação de invencibilidade e é como se houvesse uma queda de barreiras para os limites da violência. Chantagem, violência…

  • Opinião

    O estigma da perfeição já chegou à tua vulva?

    Nascer mulher teve, desde sempre, fardos associados: estar privada do prazer sexual, ser vista como meramente um ser reprodutor, não ter independência, não ter voz, entre outros. A mulher sentiu-se desde sempre acorrentada e presa numa torre. Aquilo de que nós não nos lembramos é que a emancipação feminina despertou o gosto pelo luxo, pela vaidade, pela sexualização da mulher, pelos estereótipos do corpo feminino perfeito. Despertou tudo isto, porque enquanto mulheres queríamos afirmarmo-nos, assim como queríamos ter voz, mostrar ao mundo e, sobretudo, a nós mesmas que não precisávamos dos homens. Éramos tão reprimidas e sentíamo-nos tão inferiorizadas que vimos isto como uma oportunidade para nos desprendermos do antigo…

  • Opinião

    Desprendam-se de quem não vos agarra

    Consciente ou inconscientemente, estamos sempre a construir imagens daqueles que fazem parte da nossa vida. Estas construções, obviamente, não são fontes imparciais e fiáveis da realidade. Até porque parte da nossa perspetiva pessoal, isto é, da nossa observação e análise é baseada nos nossos filtros pessoais. Os filtros de que falo são aqueles que desenvolvemos ao longo da vida. Durante a nossa evolução enquanto pessoas, vivemos várias experiências aliadas aos sentimentos, às emoções, à imaginação, às expectativas, aos valores, à educação, às crenças e isso terá influência nos nossos filtros quando nos envolvemos com os outros. É isto que nos distingue deles e que nos permite, ou não, relacionar com…

  • Opinião

    Ninguém vale tanto a pena ao ponto de deixares de te querer

    O amor próprio é visto como um bicho de sete cabeças. Mais do que demonstrar e dar amor a alguém, carece-nos o nosso próprio amor. Aquele que deveria ser o amor mais primário ao longo da nossa vivência. Diria até que o amor deveria ser visto como um estado de alma. Para nosso desgosto, não é algo palpável e visível a olho nu, logo torna-se um desafio maior conquistá-lo. É quase como uma construção diária, algo que leva tempo. O que para a nossa geração não se encaixa. Uma geração que quer tudo para “agora”.  Assim, o olhar para nós, o conhecermo-nos, o aceitarmo-nos ou até o procurar melhorar-nos não…