• Literatura

    E se a morte tivesse hora marcada? Em “Os Imortalistas”, Chloe Benjamin dá-nos a resposta

    No livro do bookclub deste mês nem precisamos de ler a contracapa para sabermos que precisamos de ler. Em “Os Imortalistas”, Chloe Benjamin agarra-nos pela garganta, qual plot twist inesperado e provoca-nos com uma ferroada de curiosidade à qual ninguém consegue resistir. Aquilo que sabemos no início deste jogo é simples: quatro irmãos (os Gold) aborrecidos num verão quente de 1969, que tem lugar no Lower East Side, de Nova Iorque, não conseguem resistir à tentação de visitar uma mulher que prevê a data da morte das pessoas.  Antes de partirmos para mais, preciso de deixar aqui esclarecido que este livro mexe com a curiosidade mais sombria de todos nós.…

  • Literatura

    O Sol e as suas flores: quando o óbvio é doloroso

    Há alguma coisa de amargo no exercício de encararmos o óbvio e durante a leitura de “O sol e as suas flores”, de Rupi Kaur, somos constantemente colocados frente a frente com esse facto. Comecei o mês com uma missão: ler poesia. Parece um exercício de parca força, quando colocado nestes termos, mas o que sempre me massacrou na poesia foi aquilo que não estava escrito e, pior que isso, aquilo que não estava escrito e precisava de suporte biográfico para ser compreendido. Com Kaur acontece o contrário: o exercício de caça aos sentidos está alerta, mas não procuramos no outro ou nas suas vivências – precisamos de nos virar…

  • Literatura

    No mês de março voltamos a ver o “Sol…e as Suas Flores”

    Quando alguém fala em “Clube do Livro”, lembro-me imediatamente daquelas subscrições que se faziam a revistas, na viragem do milénio. Essa memória vem geralmente acompanhada de uma atividade, muito comum hoje em dia, depois da estreia de mais um episódio da nossa série favorita: aquela conversa coletiva que inclui sempre dois ou três pontos de vista diferentes e que acaba num revirar de olhos, meio simpático, meio “não percebeste nada”.  Atualmente, a leitura é uma atividade fragmentada, muitas vezes solitária, mas precisa mesmo de ser assim? Não. Aliás, para um bom bibliófilo, nada é mais interessante do que encontrar um bookclub onde, de uma forma muito geração Z, se possa…

  • Literatura

    E viveram todos infelizes para sempre

    “E viveram todos infelizes para sempre” Ora aqui está uma frase que raramente lemos e que muito menos surge atrelada à capa de um livro.  O processo que envolve a escolha de um livro, independentemente da sinopse, contém uma grande dose de expetativa e, por muito sombrio que seja o género, uma esperança de que o protagonista chegue às últimas páginas feliz.  No entanto, finais tristes têm um poder de sedução capaz de nos manter acordados até tarde; por isso, no final do mês do amor, aqui vão 5 livros cujos finais não foram muito felizes. Na Praia de Chesil, de Ian McEwan Numa Inglaterra cheia de costumes e princípios,…