Literatura

Bibliotecas de Lisboa reinventam-se, com aposta em atividades online

Devido ao escalar da pandemia de COVID-19 e ao confinamento que dela resultou, pessoas que utilizavam os serviços das bibliotecas municipais para requisitar livros, para não terem de os comprar, ficaram sem acesso a este serviço. Foi por isso que a rede de Bibliotecas de Lisboa decidiu criar o projeto “BLX à sua porta”. Este projeto pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelas bibliotecas da cidade, com o objetivo de promover o desenvolvimento cultural das populações, proporcionando o acesso à coleção neste tempo de pandemia.

Este projeto foi bem recebido pela maioria das bibliotecas que são parte da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), com mais de metade delas – 138 das 238, mais precisamente – a fazer parte desta iniciativa que tem como objetivo o empréstimo de livros em regime takeway ou, principalmente, através da entrega dos mesmos ao domicílio. 

Através deste projeto, é possível receber livros, em casa, que façam parte do catálogo da rede de Bibliotecas de Lisboa, utilizando o cartão Rede BLX, que pode ser pedido no site das bibliotecas de Lisboa por todos aqueles que residam no concelho. Os pedidos de empréstimo e de devolução podem ser feitos por telefone ou por e-mail, informação que se encontra disponível no site, de segunda a sexta-feira, entre as 10:00 e as 17:00.

Fonte: Bibliotecas de Lisboa

É importante referir ainda o facto de estas permutas cumprirem todas as regras de higiene sanitárias necessárias no momento atual, uma vez que a equipa das bibliotecas se encarrega de todo o processo de entrega e recolha dos livros que passam, depois de serem devolvidos, por um período de quarentena, tal como explica o site oficial das bibliotecas, disponível para consulta, evitando, assim, possíveis contágios. 

De ressaltar ainda o facto de as bibliotecas da região de Lisboa não terem sido as únicas a aderir a este projeto; o mesmo abrange atualmente todos os distritos, em localidades que vão de Melgaço, na região raiana a Norte, ao Algarve, de Lagos a Castro Marim, apesar de lhe darem outros nomes, segundo um balanço feito cerca de um mês após o início do confinamento. Os serviços prestados no âmbito deste projeto são totalmente gratuitos e garantem acesso à leitura a uma fatia considerável  da população portuguesa. 

No caso específico de Lisboa, aquando da apresentação do projeto, a autarquia revelou o desejo de que o projeto seja mantido mesmo quando terminar o confinamento. 

Fonte: Câmara Municipal de Lisboa

Se no primeiro confinamento as bibliotecas foram apanhadas de surpresa pela necessidade de se reinventar, neste segundo confinamento continuam ativas, para ajudar a população a combater os sentimentos de solidão e a desinformação que podem surgir. Para além da permuta de livros, as atividades online desenvolvidas pelas bibliotecas focam-se na partilha de recursos e de conteúdos disponibilizados por outras instituições, através da Internet. Assim, na maioria dos casos, mesmo com as portas fechadas, as bibliotecas mantêm serviços à comunidade, com oferta de atividades e serviços ‘online‘, por telefone, ou ‘email‘, como a hora do conto, sessões de leitura, clubes de leitura, oficinas e leituras via telefone. 

Adicionalmente, a  Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas apelou a que as bibliotecas deixassem o seu Wi-Fi aberto, de forma a proporcionar a quem não tem acesso à Internet em casa a possibilidade de consultar documentos da Internet ou até procurar qual a farmácia mais próxima que se encontra em serviço. 

Assim sendo, pode valer a pena conheceres este projeto, como forma de leres novos livros que possas não ter na tua estante. Se precisares de aceder a algum outro serviço, como aqueles que a ESCS Magazine abordou, espero que este artigo te tenha dado a conhecer estas oportunidades de participar nestas atividades, totalmente realizadas online, mas que podem ajudar a quebrar algum do tédio do confinamento. 

Legenda: Infografia explicativa do processo por que passam os livros antes de serem entregues
Fonte: Bibliotecas de Lisboa

Fonte da Imagem de Capa: Jornal Observador

Artigo revisto por Miguel Bravo Morais

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