Como combater o analfabetismo político

Numa era marcada pela facilidade de acesso à informação e em que tudo parece estar à distância de um click, os jovens e a política parecem cada vez mais desconectados um do outro. 

Independentemente da idade, uma coisa é certa: ninguém gosta de assumir que não percebe nada de política. É sempre mais fácil fazer uma análise crítica do último episódio da tragicomédia entre André Ventura e Joacine do que admitir que não se está a par das medidas do novo Orçamento de Estado.

Embora nem sempre pareça, a política envolve mais do que declarações polémicas, provocações e rixas interpartidárias, mas, para grande parte das pessoas, este é o único lado da política que existe. 

 Atenção, não quero com isto dizer que há algo de anormal em ser-se ignorante. Antes pelo contrário. A ignorância é uma caraterística comum a todos nós, enquanto seres humanos dotados de imperfeições. Aquilo que não se espera é que, por exemplo, um médico não saiba de medicina ou que um advogado não conheça as leis, sendo que isso teria consequências graves no exercicio das suas funções.

Da mesma forma, qualquer cidadão – embora não tenha que possuir um saber especializado – deve, no mínimo, estar informado em relação àquela que é a ciência que organiza e administra a sociedade em que vive.

 Não há nenhuma virtude em escolher permanecer desinformado em relação a política. Como diz o ditado, “o pior cego é aquele que não quer ver”, e neste caso, não há pior cidadão do que aquele que não quer saber. 

A recusa em falar, ouvir e participar nos acontecimentos políticos dá origem a um analfabetismo político, em que a passividade é a palavra de ordem. Um povo que não tem sentido crítico e que não é informado facilmente se reduz a um rebanho manso, fácil de manipular por qualquer político mal intencionado. 

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Fonte: Votozero

Este estado de anencefalia generalizada é um vício que já havia sido diagnosticado à sociedade portuguesa, tendo reflexos diretos nas elevadas taxas de abstenção, tanto em eleições nacionais como europeias. 

Os jovens destacam-se negativamente por serem os que menos votam. No entanto, ao contrário de muitos comentadores televisivos e politólogos, não partilho da opinião derrotista de que o desinteresse dos jovens seja apenas culpa destes últimos. 

Como sabemos, ninguém foi educado a pensar sobre política e para a maioria da juventude não iluminada – sem dons inatos para a área ou pais com carreiras políticas – compreender o universo político não é algo que se afigure particularmente fácil ou estimulante. 

Uma rápida pesquisa sobre o sistema de ensino diz-nos que uma das suas principais funções é “formar cidadãos respeitadores e participativos na sociedade”. Se assim é, por que é que não estamos a ensinar sobre política nas escolas? 

É importante que os jovens sejam estimulados a aprender, a participar e a pensar sobre política. Esta bagagem de conhecimento deve ser criada desde cedo, num ambiente pedagógico, para que os jovens não cheguem à maioridade despreparados e sem o espírito crítico necessário para exercer o seu dever cívico e, efetivamente, se tornarem cidadãos participativos. 

A realidade é que para a maioria dos chamados millenials tirar uma selfie com o Presidente Marcelo foi o mais perto que já chegaram da política. E isso não significa apenas que os jovens são desinteressados. Acima de tudo, é um reflexo dos novos tempos e um alerta de que a política também tem que se modernizar.

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É simples, se os partidos políticos querem que a sua mensagem chegue aos jovens, precisam de recorrer aos meios de comunicação que estes utilizam: as redes sociais. Nas últimas eleições legislativas, o PAN foi dos poucos partidos a utilizar o Instagram ou o Facebook para dar a conhecer as suas propostas e apelar ao debate. Esta estratégia não pode ser dissociada do enorme sucesso que obteve junto do eleitorado mais jovem.

Se queremos progredir enquanto sociedade, é imprescindível que se implementem mudanças ou os resultados não vão mudar. Começar por investir na educação política nas escolas e numa comunicação modernizada por parte dos partidos políticos pode ser um primeiro passo para a construção de uma democracia mais participativa e adaptada à Era da Informação em que vivemos.

       
  Fonte: Instastories da página de Instagram do PAN

Artigo revisto por Ana Cardoso

Fonte da imagem em destaque: Votozero

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